Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Revista BLITZ: Franz Ferdinand uma banda nova – parte 2

24 de janeiro de 2018 às 15:55 por Simone


Segue a segunda parte da entrevista da revista portuguesa BLITZ!¬†ūüėČ
Franz Ferdinand - PC David Edwards - launch shot -300 dpi

[…]

Apresentaram este novo disco com um concerto numa pequena sala, em Paris. Para uma banda habituada a tocar em grandes recintos, como é a experiência de voltar a esses clubes?
AK – Eu adoro tocar em salas mais pequenas, √© √≥timo. Antes de tocarmos ali, t√≠nhamos tocado em Espanha, para umas 40 mil pessoas. Faz-me lembrar… Certa vez, estava na Am√©rica e fui a um jogo de basebol. Alguma vez foste a um jogo de basebol?

N√£o…
AK – N√£o v√°s, √© mesmo chato! Chato ao n√≠vel do cr√≠quete. Mas uma coisa que achei fascinante √© que, quando os tipos v√£o bater na bola e est√£o a dar lan√ßo aos tacos, t√™m ali uma coisa… Eu perguntei ao meu amigo americano e ele disse que, pelos vistos, eles p√Ķem um peso no taco. Ent√£o balan√ßam o taco com o peso e assim batem na bola com mais for√ßa. E √†s vezes tocar numa sala mais pequena √© assim. Est√°s t√£o habituado a projetar energia para 40 mil pessoas que, quando tocas para 200, parece que est√°s a explodir!

Um m√°gico sucesso

Mal o primeiro disco de Franz Ferdinand saiu, em 2004, obtiveram um grande sucesso e, desde ent√£o, t√™m tocado para grandes plateias. √Č um n√≠vel de sucesso dif√≠cil de manter?
AK РNão me vou queixar! Não vou incorrer em falsa modéstia e fingir que não foi espetacular que tenha acontecido assim, porque claro que foi! E claro que talvez haja algumas dificuldades relacionadas com ter um certo nível de sucesso mas, fogo, prefiro ter essas dificuldades do que as dificuldades que decorrem de tocar numa sala para 20 pessoas.

Sim, mas foi difícil manter sempre esse nível? Sentiram muita pressão?
AK – N√£o, de todo! Bem, talvez as outras pessoas tenham expectativas, mas sempre fiz por ignor√°-las. Al√©m disso, eu j√° tinha 32 anos quando esse √°lbum foi lan√ßado, e devo ter come√ßado a escrever can√ß√Ķes aos 14. S√£o 18 anos a tocar para salas com dez ou vinte pessoas. Qualquer tipo de sucesso seria sempre m√°gico, porra. (risos)

Ficou surpreendido, na altura, com o sucesso imediato da vossa estreia?
AK – Fiquei surpreendido por n√£o ter acontecido antes! (risos)

E foi bom ter acontecido quando j√° tinha 32 anos?
AK РSim, ainda bem que já estava nos meus tritas quando isso aconteceu. Se tivesse tido esses sucesso aos 15, ter-me-ia tornado num autêntico palhaço! Ainda mais do que já sou. Assim puder ver como é a vida real e não me sinto privilegiado se for adulado, como por vezes acontece com quem tem bandas. E ainda hoje, se me vão buscar a algum lado e me querem levar a mala, eu fico: <<não faças isso, deixa-me levar a minha própria mala!>>.

Julian, quantos concertos j√° deu com os Franz Ferdinand?
JC РAinda outro dia estava a pensar nisso! Penso que foram uns 50 ou 60. Fizemos uma digressão na América em maio e junho, depois demos uns concertos na Europa e agora vamos voltar para a América. A digressão norte-americana foi muito divertida. Quando perguntaste como é tocar nas salas mais pequenas Рnos Estados Unidos tocamos habitualmente em salas mais pequenas, e tive aquela sensação que o Alex descreveu: muita pressão, não em termos de stress, mas no sentido de darmos um concerto mais concentrado, mais intenso.

Estiveram nos Estados Unidos j√° depois de Donald Trump ser eleito?
JC – Sim, √© curioso – toc√°mos em Charlottesville pouco depois dos motins e da parada das tochas e essa treta toda. O Alex descreveu muito bem a sensa√ß√£o que tivemos l√°: sabes quando um mi√ļdo vai a correr pela rua e cai e magoa-se, e h√° ali um intervalo entre magoar-se e perceber o que aconteceu e come√ßar a chorar? S√£o ali uns dois segundos em que o mi√ļdo pensa: <<o que √© que acaba de acontecer?>>. E depois l√° v√™m as l√°grimas. Foi isso que aconteceu com o pa√≠s. Quando l√° estivemos, as pessoas estavam num certo estado de choque, sem terem percebido bem as consequ√™ncias. Acredito que, quando voltarmos agora, possa ser diferente.
AK – Est√£o quase a chegar ao ponto de libertarem o uivo primitivo da ang√ļstia, como a situa√ß√£o justifica.

Muitos norte-americanos nunca acreditaram verdadeiramente que Trump iria vencer as elei√ß√Ķes…
AK – Nem o pr√≥prio tolo cor de tangerina [no original, <<tangerine buffoon>>]! N√£o viste a cara de choque dele, no dia das elei√ß√Ķes? Que deprimente. Eu mantenho a minha sanidade mental imaginando que, no fundo, estou a participar num qualquer filme blockbuster americano. E, como em qualquer blockbuster americano, h√° a parte em que se explica o enredo, o caos, o ponto mais baixo e a conclus√£o, em que o tolo cor de tangerina aparece de fato cor de laranja [uniforme das pris√Ķes nos Estados Unidos] e de algemas. E come√ßam a passar os cr√©ditos. Eu s√≥ estou √† espera desse momento.

Os cr√©ditos e a m√ļsica √©pica…
AK РE nós fazemos a banda-sonora, exato! Boa, é isso mesmo! (gargalhadas)

E no Reino Unido, qual é a vossa opinião sobre o momento político? Onde vivem atualmente?
AK РEu vivo entre a Escócia e Londres.
JC РEu vivo na Escócia.
AK – De certa forma √© frustrante. De certa forma, os americanos t√™m mais sorte. Porque estamos em situa√ß√Ķes igualmente traum√°ticas. Nos Estados Unidos, pelo menos t√™m uma figura forte para poderem desprezar. Na Gr√£-Bretanha, nem isso temos. Porque a Theresa May √© apenas incompetente. N√£o tem personalidade!

Não é uma vilã?
JC РNão tem força de caráter ou força de vontade suficientes para poder ser uma vilã. Ao menos que o Trump é fiel à sua idiotice.
AK РExato, é verdadeiramente desprezível. Já a Theresa May não é nada, é só um conglomerado anónimo de personagens desprezíveis, o que torna tudo mais frustrante. Mas saudável não é, o que se vive hoje no Reino Unido.
JC РE é embaraçoso, também. Quando saio do país, sinto um pouco de vergonha pelo país, o Brexit e isso tudo.
AK – √Č como teres o teu tio racista a andar atr√°s de ti para todo o lado! o Brexit √© isso. O Brexit e toda a gente que votou a favor.

Acham que as bandas poder√£o ter a sua vida dificultada, durante as digress√Ķes, depois de o Brexit ser concretizado?
JC РMas nós nem sabemos! Uma das coisas mais revoltantes é o plano ser pavoroso porque, à semelhança do Trump, que não esperava chegar ao poder e não sabe o que está a fazer, os defensores do Brexit também não esperavam ganhar e agora não sabem como agir. E é por isso que a Theresa May fez campanha pelo <<remain>> [defendendo a permanência do Reino Unido na União Europeia]. E depois tornou-se primeira-ministra!
AK – Fez campanha, mas discretamente. Porque √© uma oportunista. N√£o tem qualquer base de convic√ß√Ķes. Mas penso que se tornar√° dif√≠cil para algumas bandas em digress√£o, sobretudo para as mais pequenas, que t√™m menos dinheiro. Porque vai haver mais burocracia. Quando vamos tocar aos Estados Unidos, por exemplo, temos de preencher um formul√°rio e declarar todos os instrumentos que levamos conosco. Tem de ser tudo inspecionado, porque n√£o estamos ao abrigo de um acordo como na Uni√£o Europeia. Mas se tivermos de fazer isso em todos os pa√≠ses da Europa a que formos, fica caro! Demora tempo e torna as digress√Ķes muito complicadas. Por isso, sim, o Brexit vai ter um efeito a n√≠vel pr√°tico. Al√©m de que as pessoas v√£o estar t√£o irritadas com a Gr√£-Bretanha que j√° nem v√£o querer ver-nos. << V√£o l√° comer o vosso bangers and mash [salsicha com pur√©, prato comum em Inglaterra], seus palha√ßos…>>.

Sardinhas & Streaming

De regresso ao disco novo: qual a vossa canção favorita, de momento?
AK РNeste momento, a minha favorita é a <<Lazy Boy>>. Porque, sempre que a ouço, gosto mesmo muito. Foi divertida de se fazer e é uma execução muito bem-sucedida de uma ideia. Tenho muito orgulho da evolução da canção, das demos até àquilo que é agora.

Mas era muito diferente do que est√° no disco?
JC – Era muito mais comprida! Come√ßou com um loop, e o ritmo √© muito esquisito, cinco beats em vez de quatro. T√≠nhamos ali um loop que √≠amos tocando e gost√°vamos, depois escrevemos o refr√£o… no in√≠cio tinha seis minutos, parecia uma faixa tecno. Ao fim de algumas semanas, fomos cortando. Podemos tirar aqui uma parte, ali outra… Ironicamente, embora se chame <<Lazy Boy>> [<<rapaz pregui√ßoso>>], deu muito trabalho a fazer.
AK – √Č a mais f√°cil de ouvir, mas foi a mais dif√≠cil de fazer. Tamb√©m gosto dessa. N√£o sei bem qual a minha can√ß√£o favorita do √°lbum – vai mudando, sempre que penso nisso. Talvez a <<Slow Don’t Kill Me Slow>>? Gosto da atmosfera dessa can√ß√£o e, de um ponto de vista mais pessoal, gosto muito da forma como a canto. Saiu-me de forma muito natural e expressiva e emocionalmente honesta, que √© algo que tenho tentado alcan√ßar. Como disse antes, com este disco est√°vamos a tentar fazer algo de novo: uma nova banda, uma nova identidade, um novo som. E, em parte, isso passa por obrigarmo-nos a fazer coisas que nunca fizemos. Neste disco, tentei mesmo levar a minha voz a s√≠tios onde ela nunca tinha ido antes, e isso pode ser feito de forma sutil. Quis explorar aquela ideia de <<ator de m√©todo>>; perder-me no papel e na emo√ß√£o da can√ß√£o, para poder acreditar e senti-la ao m√°ximo. Penso que essa can√ß√£o √© o melhor exemplo dessa abordagem, neste disco.

O primeiro single, <<Always Ascending>>, √© uma can√ß√£o longa, com uma intro demorada… numa √©poca em que se diz que os servi√ßos de streaming mataram as intros longas!
AK РPois é, está tudo a falar de como o streaming matou as intros compridas e cá está a nossa primeira canção com uma intro de um minuto! (gargalhada)
JC РNós gostamos de contrariar as tendências! (risos) Mas até faz algum sentido. Se alguém estiver a fazer alguma coisa, achamos divertido fazer o seu oposto.
AK РSer do contra. Sempre foi um princípio basilar da minha vida: ser do contra, o mais possível! Se quiseres ir até aos teus limites tens de ser do contra.
JC – E tamb√©m ach√°mos que a << Always Ascending>> era uma boa s√ļmula das coisas que est√°vamos a tentar fazer no disco. E √© uma grande can√ß√£o, que quer√≠amos que as pessoas ouvissem.

Quando anunciaram o novo ábum, e também a digressão de 2018, os vossos fãs reagiram com muito entusiasmo. Ficam satisfeitos por poderem contar com o apoio de admiradores tão dedicados?
AK – Eu devo confessar: sinto um grande carinho pelos nossos f√£s e pelo apoio que eles nos t√™m dado ao longo dos anos. Temos imensos clubes de f√£s e grupos de pessoas em todo o mundo que ficaram sempre do nosso lado, ao longo dos anos. Temos muita sorte. Porque h√° bandas cujos f√£s… s√£o uns anormais! (risos) N√£o vou dizer quais, mas h√°. Quando falamos com os nossos f√£s, eles costumam ser muito fixes. Temos essa sorte.

Em 2018, v√£o andar na estrada e, se tudo correr como √© costume, voltar√£o a Portugal…
AK – Quando perguntaste ao Julian quantos concertos ele j√° deu conosco, pensei logo: quando chegarmos a Portugal, no pr√≥ximo ano, vamos estar no ponto! (risos) J√° vamos saber tocar estas can√ß√Ķes. Sei o que est√° a ser negociado, mas ainda n√£o posso dizer onde vamos tocar [confirmar-se-ia depois que a banda atuar√° no NOS Alive]. Mas, se tudo correr bem, daremos em Portugal mais do que um concerto.

Que recorda√ß√Ķes guarda das vossas anteriores visitas a Portugal, onde j√° atuaram quase uma dezena de vezes?
AK – Adoro ir a Lisboa. Tenho a√≠ um velho amigo de Glasgow, Tracy, – ol√°, Tracy! Se me estiveres a ler, at√© breve! – e no Porto, em especial, diverti-me muito. Aluguei uma bicicleta e andei a passear pela cidade, junto ao Douro. √Č um pa√≠s muito bonito, com √≥tima comida. A minha melhor experi√™ncia gastron√īmica em Portugal foi das mais simples. Se fores da baixa do Porto at√© √† Ribeira e virares √† direita, no porto dos pescadores, naquela parte mais industrial, h√° uma ruazinha, que nem √© nada tur√≠stica, onde h√° uns restaurantes onde cozinham o peixe em grelhadores a carv√£o, muito simples. E as sardinhas assadas ali, meu Deus! √Č simples, direto e belo! S√≥ de estar a falar nisso j√° estou a salivar. Mal posso esperar por voltar.

A

FONTE: Revista BLITZ (Portugal) janeiro 2018 | Agradecimentos: Raquel Custódio pelos scans da revista!

Revista BLITZ: Franz Ferdinand uma banda nova – parte 1

22 de janeiro de 2018 às 16:05 por Simone


De volta com o primeiro √°lbum desde 2013, e com dois novos m√ļsicos a bordo, os escoceses sentem-se no dealbar de uma nova era. Em Londres, Lia Pereira falou com Alex Kapranos e o novo recruta, Julian Corrie, sobre Always Ascending e sardinhas assadas.

 

 

A dois passos do centro de artes Barbican, numa invernosa tarde em Londres, os Franz Ferdinand recebem a imprensa num¬†pub¬†curiosamente chamado The Singer. Numa altura em que muitos ainda almo√ßam ou bebem uma¬†pint, o ru√≠do das conversas animadas tornaria imposs√≠vel qualquer grava√ß√£o de entrevista – talvez por isso, √© na cave do¬†pub, repleta de mesas e cadeir√Ķes de madeira escura, que Alex Kapranos, o vocalista da banda, e Julian Corrie, um dos novos membros do grupo, esperam pela BLITZ. Munidos de grande simpatia e de um humor desarmante, os dois m√ļsicos conversaram com vontade sobre a nova era dos Franz Ferdinand, agora que o guitarrista Nick McCarthy, um dos fundadores do grupo, abandonou o <<navio>>. Corrie, que tem uma carreira musical aut√īnoma como Miaoux Miaoux, foi convocado para tocar teclas, ao passo que Dino Bardot √© o novo guitarrista da banda – e, segundo o sempre divertido Alex Kapranos, <<a maior estrela do rock que Glasgow j√° produziu>>. O regresso a Portugal, em 2018, est√° garantido (NOS Alive), disseram-nos ainda esses cr√≠ticos ferozes do Brexit e de Donald Trump.

franz_ferdinand_-_pc_davidedwards_franzferdinand_sept1719351_1-300_dpi (1)

A renovação Рa saída do guitarrista Nick McCarthy levou à <<contratação>> de dois elementos. Estão ambos abraçados a Alex Kapranos: Julian Corrie à nossa esquerda; Dino Bardot à direita.

Como se sentem nesse regresso aos discos? Always Ascending √© o vosso primeiro √°lbum desde 2013, se n√£o contarmos com a colabora√ß√£o com os Sparks. E √© tamb√©m o primeiro disco sem o vosso guitarrista Nick McCarthy…
Alex Kapranos – √Č √≥timo, porque n√£o s√≥ temos um √°lbum novo, como ele representa o come√ßo de uma nova era, de uma nova d√©cada, de um novo cap√≠tulo da banda. O √ļltimo disco de Franz Ferdinand foi, literalmente, o √ļltimo disco de uma d√©cada da banda. E este parece-nos o primeiro de uma nova d√©cada. (Sussurrando) √Č mesmo muito bom! Posso dizer isto? (risos) Ser√° que devo ser muito modesto e dizer: <<meh, est√° s√≥ mais ou menos?>>. Na verdade, adorei fazer este disco e estou entusiasmad√≠ssimo com ele.

Como conheceram o Julian Corrie, um dos vossos novos m√ļsicos, aqui presente?
AK – Estava em Conway, na Irlanda, para o lan√ßamento de um filme chamado Lost in France, de um tipo chamado Niall McCann. Eu estava l√° com a Emma Pollock e o Paul Savage, dos Delgados e da [editora] Chemikal Underground, e o Stuart Braithwaite, dos Mogwai, e √†s tantas disse-lhe: <<ei, sabes que estamos em Glasgow, sabes de algu√©m que queiras vir para a nossa banda?>>. E ele:<<o Julian √© porreiro, talvez esteja interessado>>. Ent√£o mandei-lhe um e-mail e ele respondeu: <<era capaz de ser engra√ßado>>. Fingindo-se pouco impressionado. (risos) L√° nos encontr√°mos e – o que acaba por ser mais importante que a m√ļsica – fomos comer ao indiano e depois beber uns copos para ver se nos d√°vamos bem. Porque uma banda √© uma empreitada social, √© uma gangue, uma matilha. E temos de nos certificar que nos damos bem e nos divertimos uns com os outros. Felizmente isso aconteceu, pelo que nos junt√°mos e, quando toc√°mos juntos, a banda estava a soar melhor que nunca. Assim, tornou-se √≥bvio que era a solu√ß√£o correta.

E para o Julian, como foi juntar-se à família, à <<matilha>>?
Julian Corrie – Foi muito excitante! Quando o Alex me mandou um e-mail assim do nada, eu estava de f√©rias e pensei: <<uau, um e-mail do Alex Kapranos, o que querer√° ele?>>. Foi fixe, e¬† ¬† ¬† demo-nos logo bem. Lembro-me que quando fui ao est√ļdio que ele tem na Esc√≥cia, para tocar com eles, era uma noite de <<lua de sangue>>. A lua estava vermelha e eu pensei: <<isto ou √© um bom aug√ļrio ou um mau agoiro! Ou vai ser espetacular, ou horr√≠vel>>. (risos) Mas foi √≥timo e depressa percebemos que resultava. Que funcion√°vamos bem juntos, enquanto m√ļsicos.

√Č mais novo que o resto dos seus novos companheiros de banda?
JC – Sim, tenho 32 anos.
AK РQue, curiosamente, é a idade que eu tinha quando o nosso primeiro disco saiu.

Mas parece mais jovem ainda…
JC – Eu sei, n√£o consigo deixar crescer a baraba! (risos)

E quanto ao Dino Bardot, o vosso novo guitarrista? Como chegou à banda?
AK – O Dino √© um velho amigo! Ele n√£o esteve envolvido na grava√ß√£o do disco. N√≥s temos uma regra, que √© nunca ouvirmos, em disco, mais do que aquilo que cinco pessoas poderiam estar a tocar. Sempre grav√°mos os nossos discos com os quatro a tocar ao vivo em est√ļdio, por isso, em todas as can√ß√Ķes que ouves, somos n√≥s os quatro a tocar juntos. Depois abrimos espa√ßo para apenas mais um overdub: mais um par de m√£os ou mais uma voz. Se ouvires o disco, n√£o ouve 14 guitarras a tocar ao mesmo tempo, ou 15 baterias diferentes. Com a grava√ß√£o digital, hoje em dia, isso √© bastante f√°cil de se fazer, mas decidimos manter a coisa relativamente pura. Mas depois pens√°mos: <<se temos esta quinta voz, e nos √°lbuns anteriores alguns dos arranjos at√© s√£o um pouco mais amplos… isto √© o come√ßo de uma nova era da banda, de uma nova d√©cada. N√£o h√° regras que digam que temos de ser um quarteto. Podemos ser o que quisermos! Porque √© que n√£o convidamos o Dino?>>. Eu tinha-o visto a tocar na festa de anivers√°rio de um amigo meu. Ele fez uma banda para poder cantar as can√ß√Ķes favoritas de nosso amigo, o Charlie, Eu cantei a <<I’m on Fire>>, do Bruce Springsteen, porque ele √© um grande f√£ [do Boss], e o Dino foi para o palco e cantou a <<Purple Rain>>. E n√£o se limitou a cantar, tocou o solo de guitarra todo, tamb√©m! E eu fiquei: <<eh l√°!>>. Ele estava a cantar s√≥ por divers√£o, mas soava t√£o natural que pensei: <<o Dino √© a maior estrela rock que Glasgow j√° produziu! E eu n√£o quero ser a √ļnica pessoa a presenciar isto! Anda juntar-te aos Franz Ferdinand, andar em digress√£o por todo o mundo e mostrar a toda a gente que √©s uma estrela rock>>. E assim foi.

Já afirmaram que, com a saída do Nick McCarthy, acabaram por ficar mais fortes como banda. Como é que isso funciona?
AK – Creio que sim, Quando acontece uma coisa t√£o dr√°stica como esta, vemo-nos numa situa√ß√£o de ou vai ou racha. Ou dizes: <<pronto, acabou, n√£o vale a pena continuar a fazer isto, ou…>>. Porque, no fundo, isto obrigou-nos a pensar na raz√£o pela qual quer√≠amos continuar a fazer o que fazemos. N√£o √≠amos continuar s√≥ porque √© isto que fazemos na vida, Tivemos mesmo de pensar se quer√≠amos continuar ou n√£o. Obrigou-nos a pensar na rela√ß√£o que temos uns com os outros, e isso acabou por unir-nos mais.

Como o Liam Gallagher vos disse, é como quando um jogador de futebol deixa uma equipa, certo?
AK – √Č verdade! Est√°vamos num grande festival em Espanha, onde o Liam Gallagher tamb√©m ia tocar, e ele foi aos bastidores cumprimentar-nos. Fic√°mos na conversa, e ele: << ah, pois √©, o vosso amigo foi embora, n√£o √©? O gajo pequenito, que fazia umas dan√ßas estranhas!>>. E n√≥s: <<sim>>. E ele: <<√© como uma equipa de futebol, n√£o √©? Um jogador sai, mas a equipa continua e at√© pode passar a ser mais forte do que era>>. Suponho que com isso estivesse a aludir a uma certa banda em que ele esteve antes… N√£o sei! (gargalhadas)

E a escolha de um título como Always Ascending [<<sempre a subir>>] Рrevela um certo otimismo?
AK – Sim, sem d√ļvida que escolhemos esses t√≠tulo [com essa inten√ß√£o]. N√£o and√°vamos √† procura dele mas, depois de acabarmos o disco, percebemos que seria o mais adequado. Porque temos mesmo a sensa√ß√£o de termos ascendido, de estarmos num s√≠tio diferente, o que √© √≥timo.

[…]

A

… a segunda parte da entrevista ser√° postada logo logo ūüėČ

FONTE: Revista BLITZ (Portugal) janeiro 2018 | Agradecimentos: Raquel Custódio pelos scans da revista!

  

Categorias

Arquivos

Links