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A vida depois de deixar uma banda de rock de sucesso

8 de junho de 2017 às 19:25 por Simone


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Nick McCarthy saiu do Franz Ferdinand para visitar hotéis “onde podemos abrir as janelas”. E montou um grupo com sua mulher.

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IÑIGO LÓPEZ PALACIOS | Madri 8 JUN 2017

“Agora vou a hotéis onde podemos abrir as janelas”. Com esse detalhe simples, Nick McCarthy tenta explicar o que mais lhe pesava em sua rotina após 12 anos como guitarrista do Franz Ferdinand. “Os aviões, os ônibus das turnês… Passava o dia em lugares com ar condicionado. Sempre em espaços fechados. Era tudo muito artificial. Isso é refrescante”.

Dá para ver que está contente. É segunda-feira de manhã e ele acaba de chegar a Madri vindo de Gijón, onde tocou num festival com Manuela – dupla que integra com sua mulher, a artista Manuela Gernedel. Seu amor há quase 20 anos. “Ela odeia que diga isso, mas a conheci porque veio ao show de um dos meus primeiros grupos. Era da minha cidade, Rosenheim, mas tinha morado por três anos no Reino Unido. Assim, só nos conhecemos melhor quando ela retornou. Foi bom, pois antes teria sido ilegal”. São oito anos de diferença entre eles [1]. Nick nasceu em 1974; ela, em 1982. Casaram-se em 2005. “É bacana fazer isso juntos, mas precisamos ver como nos organizamos com as crianças em caso de turnê”, afirma.

Ela regressou a Hackney, a região de Londres onde moram e administram esse projeto pequeno, muito diferente das faraônicas turnês do quarteto escocês que ele abandonou de forma amistosa (e reconhece que temporária) em julho de 2016. “Deixá-los foi complicado, mas as bandas envelhecem quando se estendem demais, e eu sentia que isso acontecia conosco. Sempre pensei que um grupo dura cinco anos, e eu já estava com eles três vezes mais tempo. Sempre saindo com os mesmos caras, fazendo a mesma coisa. Durante uma época foi muito divertido, mas já não é tanto. Sou mais de projetos coletivos, nos quais as pessoas entram e saem, que de bandas fechadas. Existem vários músicos maravilhosos por aí. Além disso, montei um estúdio em Londres. Justo quando terminei, me chamaram para preparar o novo disco. Tinha que ir a Glasgow, e eu tenho dois filhos…”

Também vale lembrar que ele chegou ao Franz Ferdinand por acaso [2]. Na época, por volta de 2002, não parecia que aquele grupo liderado por um sujeito de 30 e poucos, Alex Kapranos, tornaria-se mundialmente famoso e um dos líderes do renascer do pop britânico do novo milênio. O triunfo começou em 2004, quando dezenas de bandas das ilhas saíram à caça da música pop perfeita. The Libertines abriram a porta, e por ela entraram Arctic Monkeys, Mystery Jets, Futureheads, Maxïmo Park, Kaiser Chiefs e Bloc Party, para citar alguns nomes. Todos partiam em busca do hit imediato, e as referências eram a new wave e o pós-punk dos anos oitenta.

Um dos grupos mais espevitados era o Franz Ferdinand, formado por veteranos da cena escocesa e um estrangeiro nascido em Blackpool, Inglaterra, mas criado na Baviera, em plena Alemanha idílica: Nick McCarthy. “Minha infância foi maravilhosa. Cresci numa região cheia de florestas, construindo casas nas árvores e tomando banho em lagos. Mas a adolescência foi horrível. Era chato demais. Estudava música clássica e queria voltar ao Reino Unido. Quando terminei, fomos a Glasgow sem nenhum motivo em especial. Aquilo foi mais pela Manuela: ela havia conseguido uma vaga para estudar pintura na escola de artes, e achamos legal. Um dia eu estava colocando meu dedo no mapa e, três meses depois, era parte de um grupo que assinava contrato para lançar o primeiro disco. Uma decisão absurda que mudou minha vida”, resume.

Conta-se que ele conheceu Alex Kapranos numa festa. Nick tentou roubar a taça de Alex, que o pegou em flagrante. Quase deu briga. No entanto, no mais puro estilo escocês, os dois se transformaram em amigos íntimos. “As pessoas de Glasgow são simpáticas, mas duras, e eu vinha daquela bolha onde todos os policiais da área aparecem se alguém pisa um jardim sem autorização. Lá eu era o mau; em Glasgow, um ingênuo”. Notícias dos antigos colegas? “Eles contrataram duas pessoas para fazer minha função ao vivo. É bom saber que você vale por dois.”

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[1] [2] Correções feitas pelo Franz Ferdinand Brasil da tradução da matéria original.

FONTE: El País Brasil

Valores Familiares: DiS Encontra Manuela

2 de junho de 2017 às 17:40 por Simone


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Por Joe Goggins 1 de junho de 2017

Em julho do ano passado, Nick McCarthy anunciou que estava deixando o Franz Ferdinand, do qual fora um dos membros fundadores quando a banda surgiu no cenário centrado em torno Escola de Arte de Glasgow no início dos anos ‘00. A separação foi evidentemente amigável e foram 3 os motivos dados na declaração conjunta de McCarthy e seus antigos companheiros de banda; pode não ser necessariamente uma separação definitiva, mas McCarthy não podia se comprometer a viajar porque tinha uma família jovem e queria se concentrar na produção e criação de suas próprias músicas.

Entretanto, o que nós não tínhamos percebido é que sua família e suas diferentes ambições criativas estavam intrinsecamente ligadas. McCarthy e sua esposa, Manuela Gernedel, estão juntos desde antes de o Franz Ferdinand ser uma preocupação; eles se conheceram no final dos anos noventa na Bavária, onde ambos cresceram, e se casaram em 2005, no mesmo dia do Live 8 – o que explica por que a banda recusou uma oferta para se apresentar lá. Gernedel é uma artista que estudou pintura em Glasgow na escola de arte e também já ensinou a disciplina.

Ela não tem muita experiência musical, ou pelo menos não além do Box Codax, o grupo que formou com McCarthy e alguns outros em seus dias de estudantes. “Aquilo era um projeto diferente”, ela explica por telefone, da Alemanha, “e Nick e eu não éramos realmente os personagens principais daquilo”. O casal ocasionalmente se apresentava junto em aberturas e festas, com uma piada interna entre eles e os outros membros do Box Codax de que eles pareciam só tocar juntos na época do Natal, que geralmente era o único momento em que o Franz Ferdinand ficava fora da estrada.

Silenciosamente, McCarthy e Gernendel sempre trabalharam, aos trancos e barrancos, em suas próprias músicas também. “Nós tínhamos rascunhos espalhados, apenas com músicas meio acabadas, mas nunca tivemos tempo para terminá-las – sempre estávamos tão ocupados com nossas próprias coisas”, explica Gernedel. “Nós nem sempre trabalhamos facilmente juntos de qualquer maneira, mesmo quando tivemos a chance; No passado, discutiríamos rapidamente”.

Porém, as coisas mudaram; Para começar, o casal tem um filho pequeno, Vito, e está mais sossegado do que nunca como resultado. Além disso, sua colaboração musical finalmente deu frutos; Agora eles são oficialmente uma banda, simplesmente sob o nome de Manuela, e têm um álbum de estreia autointitulado para apresentar. É um caso deliciosamente excêntrico, flutuando entre o hazy electro e pop dos anos sessenta, com até uma pitada de dub. O álbum inteiro tem uma sensação de verão atravessando suas veias, e as letras de Gernedel – obscuras num minuto, claras no outro – refletem docemente sobre a maternidade e paternidade e, tristemente sobre a sociedade. O disco parece um trabalho pensado e coeso, mas, por toda a conversa de McCarthy sobre a mudança para novos projetos, ele não tinha isso em mente na época.

“Foi mais uma surpresa, sério”, ele lembra. “Eu estava trabalhando em algumas coisas, como uma trilha para uma série de TV alemã chamada München 7, então esse não era o meu foco principal para começar – era só que meio que concordamos em gravar porque estivemos trabalhando nas músicas por tanto tempo. Acabou se transformando em algo especial conforme continuamos, e algumas das outras coisas em que eu estava trabalhando não deram certo. Eu vinha praticando escrever com outras pessoas de forma espontânea, um pouco como encontros rápidos musicais, mas nenhum deles ficou como esse álbum. Eu realmente estava gostando de todo o processo”.

Gradualmente, eles perceberam que tinham músicas suficientes para lançar um álbum, mas nem tudo foi um mar de rosas; entre os obstáculos que eles tiveram de lidar ao longo do caminho, incluía uma faixa que teve de ser descartada por ficar bem abaixo dos padrões das demais, e outra que era um cover de uma música de um compositor italiano, que eventualmente decidiu não liberá-los para usá-la no final das contas. Além disso, na opinião de McCarthy, Gernedel não percebeu quão intrincado seria o processo de lançar um LP. “Por um longo período de tempo, creio que ela pensou nisso como um projeto de arte ou uma coisa de palavra falada, e do outro lado, eu estava apenas me concentrando em chegar a essas composições e ideias para músicas. No final, conseguimos encontrar um meio termo, por isso parece realmente e genuinamente colaborativo. Isso também foi verdade para a produção do álbum”.

A contribuição de Gernendel para o Manuela, então, é bem enraizada em sua história como artista. “O mais importante que eles te ensinam na escola de arte é que você deve tentar coisas diferentes” ela diz. “Baseie-se apenas em ideias, e depois trabalhe na parte técnica – ou não. O ponto de partida seria quase uma palavra falada, e eu queria que fosse realmente simples e despojado. Eventualmente, você percebe que pode soar como uma boa ideia na sua cabeça, mas na prática, fica horrível de se ouvir. Você tem que procurar por outras maneiras de criar a atmosfera que deseja entregar, então muitas das conversas foram sobre as melodias e os instrumentos.”

O casal viveu em Londres por anos e são vagos no porquê terem se mudado para lá em primeiro lugar, quase como se não conseguissem explicar por si mesmos. Afinal, eles não possuem nenhuma conexão com o local – McCarthy nasceu em Blackpool, Gernedel na Áustria – e os dois já haviam dito que nunca esperavam ficar lá pelo tempo que ficaram. Semelhantemente, ambos concordam que o ambiente da capital influenciou Manuela, para o bem ou para o mal, mas a impressão que você tem é que eles ainda não estão convencidos pela cidade que já chamaram de lar por tanto tempo.

“É um vem e volta entre estar em estado de amor e admiração pelas pequenas coisas em Londres, e a percepção que está meio que desmoronando e caindo ao seu redor” admite Gernendel. “Eu primeiramente notei o lado político disso quando teve manifestações gigantescas quando as taxas estudantis aumentaram e ninguém notou. Eles apenas passaram por cima. Nós estávamos indo para o estúdio na época da votação no último verão, então tem um pouco desse choque lá também. Londres pode ser um local injusto e hostil para muitas pessoas, mas tem uma mistura incrível de culturas e parece bem livre nesse aspecto. Crescendo na Bavária tudo é tão ordenado e conservado, e sempre tem alguém te observando. Em Londres, ninguém liga – ninguém está de olho em você a todo instante, o que eu gosto.”

“É estranho que nós tenhamos ficado aqui por todo esse tempo, porque o esperado de quando estávamos em Glasgow era que as pessoas se mudassem pra cá por um tempo e geralmente voltassem odiando o lugar”, ri McCarthy. “Dão uma olhada ao redor e fazer um ‘meh, não é para mim’”. Muitas das letras focam no mundano, nas coisas do dia-a-dia, mas tem um tom oculto de decadência. “O sentimento que você tem em Londres e na Grã Bretanha em geral agora é bem sombrio, mas eu acho que você sempre tem que olhar para o lado positivo. Eu gosto do fato que você pode ter um café da manhã somali, um almoço caribenho e um jantar turco, e sem ter que sair da mesma rua, esse tipo de coisa. Nenhum outro lugar da Terra é tão multicultural, mas equilibrando isso contra o fato de que as pessoas estão lutando para ganhar a vida criativamente; muito de nossos amigos se mudaram porque não tem mais condições, e você tem ótimos clubes como o Passing Clouds sob ameaça de fechar”.

Quaisquer que sejam suas ressalvas, a dupla parece estar bem feliz em mencionar seu filho, que nasceu em 2011 em Londres, e a transição deles para a paternidade está emocionalmente relacionada ao Manuela, especialmente na linda canção de ninar Invincible, na qual Gernedel cantarola “There are crumbs between your fingers and milk on your tongue / There is grass and there is milk, and love / You’ve made me invincible.”  (“Há migalhas entre seus dedos e leite em sua língua/ há grama e há leite, e amor/ você me fez invencível”). Isso representa de certa forma os dois principais motivos pelos quais McCarthy deixou sua antiga banda, ele está fazendo novas músicas que têm justamente sua família em seu núcleo emocional. “Muitas das letras saíram daquelas pequenas coisas que você tem de se concentrar no seu dia-a-dia como mãe”, relata Gernendel “Eu gosto da ideia de que se nós fizéssemos um álbum dez anos atrás, teria principalmente músicas sobre amor e como sentíamos a falta um do outro quando Nick estava em turnê, mas agora tudo está mudado. Ainda escrevemos músicas de amor, mas muitas delas são direcionadas ao nosso filho”.

Tanto McCarthy como Gernedel parecem deixar as portas abertas em relação ao que o futuro reserva para o Manuela. Ambos têm outros projetos para se focar, e McCarthy ainda não encerrou oficialmente o assunto sobre o Franz Ferdinand, na época a declaração se esforçava a apontar que sua saída não era necessariamente permanente, e se aplicava principalmente ao quinto álbum da banda e sua consequente turnê. Ele reafirma que pode voltar ao grupo um dia. “Talvez eles percebam ‘Hey, é ótimo sem o Nick! ‘Nós veremos para onde tudo irá daqui alguns anos. Quem sabe, talvez eles queiram uma pausa da banda assim que terminar a turnê daqui uns anos, justo quando eu estiver pronto para voltar!”

Enquanto isso, ele e Gernedel vão tocar esporadicamente ao vivo para divulgar Manuela, com uma turnê mais extensa descartada pelo fato que eles são, afinal, jovens pais. “Os shows que andamos fazendo são realmente especiais” diz Gernedel “mas não podemos ir muito longe, não importa o quão dispostas às avós possam estar. Nós temos uma banda muito boa na qual nos damos muito bem, embora ainda estejamos descobrindo o que podemos fazer de tempos em tempos. Nós sabemos que podemos de fins de semana!”.

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TRADUÇÃO / AGRADECIMENTOS: Amanda Moreira e Paula Higa

FONTE: Drowned In Sound | Lost Map Records

Um estranho caso de amor…

6 de junho de 2015 às 11:53 por Simone


A malta dos Franz Ferdinand cresceu a adorar os Sparks. Os Sparks apaixonaram-se pelos Franz Ferdinand desde o primeiro momento. Andaram 11 anos a namorar-se até que fizeram um filho: FFS é o magnífico filho de uma união improvável | por João Bonifácio 05/06/2015

 

 

 

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Regra número um da pop: nunca, em circunstância alguma, fazer uma super-banda.

Olhando para a história, estes epifenómenos ocorrem quando determinados artistas chegaram àquele ponto em que acreditam de tal modo no seu próprio mito (“Eu sou fantástico, eu sou um Deus”) que, em vez de olharem para o mundo e se dedicarem a criar algo novo a partir do que vêem, decidem que já só podem trabalhar com gente da mesma igualha e dar-se ao luxo da indulgência porque, obviamente, qualquer coisa saída da cabeça de meia-dúzia de génios será excepcional e o mundo inteiro quererá ouvir. Depois pomos um disco dos Travelling Wilburys a tocar e perguntamo-nos “Porquê, meu Deus, porquê?”.

Como o Real Madrid prova quase época após época, uma constelação de estrelas não faz uma equipa. Pelo que é de facto depropositado ver estes FFS surgirem – para quem não sabe, FFS é a sigla escolhida pelos Franz Ferdinand (FF) e pelos Sparks para o projecto em comum que acabam de editar. Espera um minuto: Franz Ferdinand e Sparks juntos? Num super-grupo? Mas isto não faz sentido nenhum. Vejamos. Hipótese a) os Sparks são uma banda pop arrojada, experimental e erudita, não têm nada que se meter com fazedores de pop fácil como os Franz Ferdinand; hipótese b) porque é que os Franz Ferdinand, uma óptima banda de rock afunkalhado, vão perder tempo com gente empreoada como os Sparks?

Resposta: “Porque somos fãs uns dos outros”, diz Paul Thompson, o baterista dos FF, pelo Skype, ao vivo, em directo e a cores de sua casa. Este rapaz sorridente e conversador, que estica as entrevistas por mais tempo que o pré-determinado – o que por um lado é chato porque temos de ficar à espera, por outro é porreiro porque se pode efectivamente ter um diálogo – começa por esclarecer que “nenhum dos envolvidos considera os FFS um super-grupo”. “Não fazemos parte dessa categoria”, diz. Um pouco de humildade, para começar.

Paul é o primeiro a admitir que “para o observador desatento pode parecer improvável que as duas bandas se tenham juntado”. No entanto, ele acha que “há mais território em comum entre ambos do que pode parecer à primeira”. Sim, “são bandas com sons distintos. Os Sparks nos anos 1970 tinham coisas muito barrocas, não raro recorreram a orquestras e utilizam muito mais teclas que nós”, diz, antes de pausar para, como admiração, rematar: “Mas soam sempre a Sparks, já reparaste?”.

Com os FF, admitamos, é mais guitarras. Mas “há uma coisa que ambos temos: uma vontade de chegar ao excesso e de surpreender dentro de cada canção. Se reparares, muitas vezes as nossas canções têm várias canções dentro”. Agora, porque raio e como raio e quando raio é que esta gente decidiu que ia fazer um disco junta? Resposta à última pergunta: “Há onze anos”.

Há onze anos os Franz Ferdinand lançaram o seu disco de estreia e Take me out, o segundo single, estava por todo o lado. “Foram tempos estranhíssimos”, recorda Paul, reportando-se a um momento da sua vida em que passou, do dia para a noite, de absoluto desconhecido a estrela pop. Ou semi-estrela, para usar a definição dele. Estavam então os FF nos EUA em digressão, mais propriamente em LA, quando aparecem os Sparks. “Conhecemo-los no hotel em que estávamos, eles vieram conhecer-nos porque – imagina tu – eram nossos fãs”. Semi-aturdidos por este encontro, os elementos dos FF passaram a conversa a observar atentamente o comportamento da dupla que compõe os Sparks: “Eles não comeram nada, só beberam café. Começámos a imaginar que só comiam comida macrobiótica, imaginámos as coisas mais delirantes a respeito deles. Não púnhamos a hipótese de serem pessoas normais”.

Claro que não punham – por uma razão muito simples: os FF são fãs dos Sparks desde pequenos. “Conheço os Sparks desde miúdo, por causa da colecção de discos do meu pai. O Propaganda era dos meus discos favoritos – aquela música era diferente de tudo o resto”. Ao longo dos anos houve um catrapiscar de olhos mútuo: “O Alex [Kapranos, líder dos Franz Ferdinand] respondeu um dia a um inquérito sobre esse disco e disse maravilhas. E mais tarde eles elogiaram-nos, o que nos pareceu impossível – pensávamos que estavam a gozar até ao dia em que acabámos por encontrá-los em LA, o que nos pareceu ainda mais louco”.

924965A malta dos Sparks deve ter o seu quê de obsessiva, porque depois do primeiro disco dos Franz Ferdinand, sempre que estes tocavam em LA “eles apareciam nos bastidores”. Não apareciam só: “Traziam sempre uma canção para nós. Simplesmente ofereciam: ‘Tomem, usem-na se quiserem’. Mas nós estávamos concentrados nos nossos discos”. Apesar do apreço mútuo e das ofertas, Paul confessa que “nunca ninguém nos Franz Ferdinand alguma vez pensou que as bandas viriam mesmo a fazer música juntos”.

Da forma como Paul coloca as coisas soa àqueles tipos que se encontram na rua e um despede-se dizendo “Eu depois ligo-te”. Sabemos logo ali que esse tipo não só não nos vai ligar como não nos grama. Entre os Sparks e os Franz Ferdinand ficou um vago acordo: “Um dia temos de fazer qualquer coisa juntos”, “Um dia temos de gravar uma canção vossa”, “Um dia devolvemos o favor e escrevemos uma para vós”, esse tipo de coisa. Um dia.

E nisto os anos foram passando – onze anos, para sermos exactos. O que em tempo pop faz dos Sparks dinossauros e dos FF uma espécie em extinção. Onze anos desde terem falado em escrever uma canção para a outra banda. “E quando finalmente começámos a fazê-lo percebemos que na prática era uma colaboração”.

Há cerca de um ano os Franz Ferdinand finalmente começaram “a mandar instrumentais que tínhamos escrito aos Sparks”. Dias depois “eles mandavam melodias de vozes, já com letras acabadas”. Isto pode parecer que uma banda escrevia uma canção, a outra cantava e depois o inverso e assim sucessivamente. Não foi bem assim.

“Dou-te o exemplo de The man witout a tan [uma das canções do disco]: essa canção surgiu entre nós [Franz Ferdinand], no estúdio e mandámos e eles devolveram. Ora, o que eles devolveram era muito diferente do original. É como um cadáver esquisito”. E nisto, Paul, gajo impecável, faz um desenho numa folha para explicar o que é um cadáver esquisito. “Na Collaborations don’t work [magnífica canção, claramente a gozar com o próprio disco], cuja base foi escrita por eles – mandaram-nos a canção com um espaço em branco e ordem para fazermos o que quiséssemos. Claro que o que fizemos era a gozar com a situação”.

Finda a troca de emails, que na prática significou “um ano a fazer demos”, as duas bandas passaram “15 dias todos juntos no estúdio”. Tinham “21 canções para serem escolhidas”, com uma dificuldade acrescida: “Entre nós há quatro ou cinco compositores”. Chegar a uma decisão final acerca de quais as 12 canções que entrariam no disco não se adivinhava fácil e podia ter criado problemas de egos. Solução: “Mostrámos as canções aos amigos e confiámos na escolha deles. E ninguém se zangou”.

Os amigos não têm sempre razão, mas desta vez tinham: Johny delusional, o tema de abertura do disco, é pop de sintetizadores com guitarrinhas funky, coisa que fica de imediato no ouvido – e o mesmo se pode dizer de Call Girl, cujo balanço é abençoado. “Tínhamos de o ouvir como um álbum, não como um conjunto de singles”, diz Paul, e se a tarefa foi levada a bom cabo também não se deve diminuir o poder dos singles: todas as canções, mesmo com os seus desvios a meio, os seus twists, conseguem ser imaginativas e acessíveis em simultâneo.

Do início ao fim do disco será assim: uma melodia, ou de guitarra ou de teclas, chega-se à frente, depois a canção vai dar uma volta e já não é dos Sparks nem dos Franz Ferdinand – é dos FFS. Mesmo que, por exemplo, percebamos que Dictator’s son terá sido ideia dos Sparks, sente-se o dedo dos FF na canção. Melhor ainda: se não soubéssemos da existência das duas bandas estes FFS teriam feito um disco coerente cheio de – como se costuma dizer – grandes malhas. Com um quê daquela grandiloquência ensandecida da década de 1970.

Agora os FFS vão levar o disco para a estrada. Ainda não fazem “a mínima ideia de como vai ser ao vivo. Ainda não definimos o que vai ser”. Os FF vão “tocar canções dos Sparks o mais possível” e o inverso também deve acontecer: “Eles também querem tocar nossas. O que vai soar muito diferente dos originais”. E, claro, os cinco vão tocar FFS.

A digressão dura este verão “mas se as pessoas”, isto é, os melómanos, “quiserem mais pode durar mais”. De certa forma os Sparks e os Franz Ferdinand são “como a namorada de verão” só que tiveram um filho e vão “continuar a conversar”. De modo que, segundo Paul, estão “preparados para tudo o que possa acontecer”. Para já pariram um bicho estranho mas bastante belo. Que mais se pode querer de um amor de verão?

FONTE: Público

NME РEntrevista FFS : Franz Ferdinand e Sparks em como um dente quebrado e o pop dos anos 90 deu forma a inesperada colabora̤̣o

26 de maio de 2015 às 5:02 por Simone


Os Mael fazendo amigos – os provocantes art rockers Sparks e Franz Ferdinand se conheceram uma década atrás, unindo-se por um amor ao pop desajustado. Uma promessa de colaboração se tornou, desde então, um álbum completo sob o nome FFS, que como Chris Cottingham constata, revitalizou as duas bandas.

 

 

 

FFS NME MAY 2015

Nunca teria acontecido se Alex Kapranos não tivesse quebrado um dente. Em 2013, o vocalista do Franz Ferdinand estava no Uruguai em turnê com sua banda quando deu azar, e ele não quis arriscar experimentar o sistema de saúde do país. A próxima parada era São Francisco, onde o empresário da banda conhecia o dentista de Huey Lewis. Sim, Huey Lewis, da engraçada banda de pop rock dos anos 80 Huey Lewis And The News. Aparentemente, o dentista de Lewis era o melhor. “E lá estava eu andando por São Francisco procurando pelo dentista de Huey Lewis,” explica Alex. “E eu ouço uma voz atrás de mim, dizendo ‘Alex? É você?’, eu me viro e vejo Ron e Russell.”

Eram Ron e Russell Mael, mais conhecidos como Sparks, os irmãos de Los Angeles que estabeleceram as referências para o art rock com o álbum de 1974 ‘Kimono My House’ (estrelando ‘This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us’). Eles fizeram um ótimo trabalho também nos 19 álbuns subsequentes lançados durante 44 anos consecutivos de carreira. O Sparks ia tocar naquela noite, e convidaram Kapranos e o Franz Ferdinand. Ao final da noite, eles já tinham concordado que deveriam trabalhar em algo juntos – uma ou duas músicas, quem sabe.

Dois anos mais tarde, eles gravaram um álbum inteiro juntos como FFS. É menos uma colaboração e mais uma banda inteiramente nova com seis membros, composta pelos quatro membros do Franz Ferdinand e os dois irmãos Mael. O resultado é similar as duas bandas, mas com uma identidade distinta e própria. As guitarras agitadas e o groove tirado do dance de ‘Police Encounters’ são bem Franz, mas o refrão “bam bam diddy diddy” e o turbilhão de teclados é puro Sparks. Juntos eles fazem o que nenhuma das partes poderia fazer sozinha. Do mesmo modo, os acordes afiados e os vocais fortemente entrelaçados da faixa final ‘Piss Off’ mostram as diferentes visões que as duas bandas têm do art rock combinadas em quatro minutos de pop desajustado instantaneamente adorável. Enquanto isso, ‘Collaborations Don’t Work’ (típico título brincalhão do Sparks) é uma opereta pop que abre com guitarra dedilhada que vai sumindo para dar espaço para um grande movimento de orquestra/coral pop sobre o qual Russell e Alex trocam humilhações afiadas. “I don’t need your navel gazing / I don’t get your of phrasing / I don’t think you’re really trying / What pray tell are you implying” (Eu não preciso do seu egocentrismo /eu não entendo o seu estilo /eu acho que você não está tentando o suficiente /o que você está sugerindo?!). Não, esta não é uma colaboração qualquer.

Agora mesmo, Russell, Ron e Alex estão sentados bebendo chá no bar do Montecalm Hotel, em Londres. “Peço perdão pelo nível de falta de estilo”, diz Ron, impassível, um homem tão pouco preocupado com a opinião dos outros sobre ele que passou boa parte dos últimos 40 anos com um bigode estilo Hitler, embora hoje em dia ele exiba uma variação menos controversa no estilo lápis. Russell é um brincalhão. “Conte-nos sobre as señoritas no Uruguai”, ele provoca Alex, acrescentando com um sussurro encenado: “Foi assim que ele quebrou aquele dente.”. “Eu queria poder dizer que foi o resultado de algo tão rock’n’roll quanto uma señorita,” corrige Alex

As duas bandas se conhecem há mais de uma década. Quando os Maels ouviram o segundo single do Franz Ferdinand, ‘Take Me Out’ (2004), eles se comunicaram. O resultado foi um encontro art rock  às escuras em uma cafeteria em West Hollywood. “Nós estávamos super empolgados,” lembra Alex. “O Sparks teve um grande impacto em nós. No nosso primeiro ensaio de todos, nós experimentamos alguns covers e um deles foi ‘Achoo’ (do álbum do Sparks de 1974, ‘Propaganda’). Ficou horrível. As pessoas dizem que você nunca deve conhecer seus heróis, mas é bobagem.”

Eles falaram sobre gravarem um álbum juntos naquela primeira reunião e o Sparks escreveu ‘Piss Off’, mas o Franz Ferdinand estava prestes a lançar seu álbum de estreia, as coisas ficaram uma loucura e o projeto não deu em nada.

O encontro casual em São Francisco nove anos depois aconteceu exatamente quando o Franz Ferdinand estava prestes a lançar seu quarto álbum ‘Right Thoughts, Right Words, Right Action’, mas Alex estava determinado a não deixar a oportunidade escapar desta vez. “Eu me lembro de sentar com os outros e dizer, ‘Não importa o quão ocupados estivermos, nós temos de fazer acontecer’”, ele conta.

O Sparks iniciou o processo de maneira provocativa, enviando para o Franz Ferdinand a música ‘Collaborations Don’t Work’, “Foi meio que uma piada para ver se estávamos na mesma página”, diz Alex, olhando para Ron e Russell como que para ter certeza. “Quando Nick e eu ouvimos a música pela primeira vez, nós a achamos muito engraçada,” ele continua. Eles responderam à provocação com outra, em forma do trecho “We ain’t no collaborators, I am a partisan” (Eu não sou um colaborador, eu sou um partidário), equiparando a colaboração musical com a colaboração Nazista na Segunda Guerra. “Enquanto enviávamos, dissemos ‘Ou eles vão achar muito engraçado, ou eles nunca mais vão falar com a gente.” “Eu acho que esta música ressalta o fato de que ambas as bandas estavam cientes de que colaborações podem ser péssimas. Nós começamos isto não querendo fazer algo suave ou meia-boca”

A partir deste momento,FFSNME eles trabalharam em segredo por 18 meses, enviando faixas uns para os outros. “Nós mantivemos tudo por debaixo dos panos para que não houvesse expectativa,” diz Russell. Alex adiciona: “Colaborações geralmente são porcarias esquecíveis. Elas sempre só parecem muita promoção. Ao invés de construir esta na divulgação, nós queríamos ter conteúdo antes de contar ao mundo. Nós não queríamos trabalhar em cima das expectativas dos outros.” Eles também queriam evitar o termo “super grupo”, já que são duas bandas se juntando, não membros escolhidos cuidadosamente. “Nós não sentimos nenhuma afinidade com este termo”, bufa Alex.

Não era a intenção original, mas no final eles acabaram escrevendo material o suficiente para um álbum inteiro. Foi gravado no estúdio RAK, em Londres, em três semanas. A coisa toda foi, como eles dizem, incrivelmente fácil, como se eles já estivessem tocando juntos há anos. O único problema foi o forte sotaque de Glasgow de Paul Thomson, baterista do Franz, que Alex teve de traduzir para os Maels. E foi Thomson que sugeriu o nome. “Nós sabíamos que era engraçado, pois todos riram,” diz Russell. “Assim que Alex nos traduziu o que Paul havia dito, nós concordamos que servia perfeitamente.”

Houve muitas conversas durante o processo de gravação, sobre a situação da música pop, que todos concordam que é terrível. Ron, que não é nenhum tagarela, fica animado com o assunto. “É muito decepcionante,” ele suspira. “Eu acho que parte disto é porque estamos nessa há muito tempo, mas parece que o pop agora é medíocre. Há tantas possibilidades dentro do pop, forçando as coisas, mas ainda com relação às pessoas. Me deixa muito bravo o fato de as pessoas estarem fazendo isso pelas razões erradas. É insultante com relação ao que a música pop pode ser.”

Alex concorda: “Nós compartilhamos o amor ao pop, mas nós nunca tentamos fazê-lo da mesma maneira previsível que as pessoas ao nosso redor o fazem. Você corre o risco de passar batido, mas quando há conexão, meu deus, é fantástico. Isto resume o espírito deste álbum.”

FFS é uma reunião de almas aparentadas, com certeza, mas você também tem a sensação de que as duas bandas sabem que, neste momento, elas são mais interessantes juntos do que separadas. Se passaram cinco anos desde que o Sparks lançou o último álbum, enquanto o último lançamento do Franz, embora suficientemente bom, não conseguiu deixar uma grande impressão. É por isso que o Sparks e o Franz Ferdinand como entidades separadas estão na geladeira por enquanto. O FFS tem um verão cheio de shows pela frente, incluindo Glastonbury. Depois disto? “Não fazemos ideia,” diz Alex. “Quando nós começamos, não tínhamos a menor ideia do que ia acontecer. Esta é uma boa sensação para se ter sobre uma banda. Não saber qual será o futuro e não o ter mapeado para você. Vamos ver o que vai acontecer.”

Todos eles acenam em concordância. “Deixe o público falar!”, diz Russell. E Ron dispara: “E então nós os ignoramos”.

FLYING SPARKS – Um guia de Alex Kapranos sobre os melhores álbuns dos irmãos Mael

  • Lil’ Beethoven 2002 – “Eu adoro a faixa ‘The Rhythm Thief’. Ela mostra a progressão da banda se afastando daquilo ao que as pessoas os associava, que era música de pista de dança. Eles abandonam isto aqui e se concentram mais nas melodias.”
  • Gratuitous Sax & Senseless Violins 1994 – “Este tem a música que eu mais gosto do Sparks, que é “When Do I Get To Sing ‘My Way’”. É uma música bem dramática. Faz você querer dançar, tem uma melodia bem direta, mas também tem profundidade e complexidade.”
  • Angst In My Pants 1982 – “Eu amo ‘Sherlock Holmes’. É uma música enganosamente simples. Você não sabe de que nível ela vem, ou se é alguém cantando sobre Sherlock Holmes ou se é sobre o relacionamento entre duas pessoas.”
  • No.1 In Heaven 1979 – “O Sparks foi o precursor da dance music eletrônica. Eles trabalharam com Giorgio Moroder no final dos anos 70 e fizeram o tipo de música que era estranha para seus fãs. Eu fiquei surpreso quando eles me contaram que foi criticado severamente na época.”
  • Kimono My House 1974 – “O óbvio. Há poucas bandas afortunadas que têm uma música como ‘This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us’, o tipo de música que muda o cenário. Eu sei que muita gente viu esta música no Top of the Pops e seus queixos caíram no chão.”

 

TRADUÇÃO: Cristina Renó, obrigada ;)

FONTE: NME Maio 2015 РFotos de Ed Miles | Edi̤̣o das imagens: Franz Ferdinand M̩xico e FFFBR

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À noite me vêm boas ideias

14 de fevereiro de 2015 às 14:44 por Simone


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Nick McCarthy, guitarrista do Franz Ferdinand sobre a sua música para a série “München 7”.

 

Mesmo agora morando em Londres e viajando em turnê, Nick McCarthy, o guitarrista da grande banda de rock Franz Ferdinand, está sempre ligado as raízes bávaras. Além da música indie, McCarthy descobriu recentemente a música cinematográfica: ele escreveu as músicas para a nova temporada da série policial “München 7”. Em entrevista com Daniel Drescher, o guitarrista de 40 anos fala sobre como foi crescer no interior da Baviera, sobre a áspera mudança para Glasgow e sobre o trabalho conjunto produzido com a experiente banda de rock estadunidense Sparks.

Senhor McCarthy, você escreveu as músicas para a série “München 7”. Como isso aconteceu?

O contato aconteceu através de uma amiga do meu irmão. Ele sempre esteve presente na cena punk de Rosenheim, sempre me levava para os shows com ele e lá tinha essa garota que prestava atenção em mim. Ela era montadora do Bogner (Franz Xavier Bogner, diretor de München 7) e tinha me dito que o Bogner estava procurando alguém novo. Eu fui lá e me apresentei para ele, já que eu era um grande fã de seu trabalho. Eu cresci vendo os filmes dele, que eram a única coisa que dava pra assistir na televisão – esses e também os do Dietl (Helmut, diretor bávaro). Nos últimos dois anos eu estive viajando muito com o Franz Ferdinand, por isso, eu sempre ia ao estúdio à noite, de 8 da noite às 4 da manhã. Era muito bizarro gravar música para uma série bávara em Londres. Eu espero que esse compromisso prossiga.

Você é uma pessoa noturna, ou isso foi bastante incomum?

Ah não… eu já estava bem habituado com o cansaço. Eu tenho dois filhos, de 1 e 3 anos e acordo às 7 da manhã. Depois de algumas semanas você já está pronto para isso. Mas eu amo trabalhar a noite. Não há nenhuma distração, nenhuma ligação, há uma boa atmosfera. À noite me vêm boas ideias.

Você frequentemente ainda vai para sua antiga pátria. Os seus colegas de banda vão frequentemente para lá?

Eu estive agora perto de Rosenheim, e estava acontecendo tanta coisa por lá, por isso eu mesmo me permiti tirar umas férias na Baviera. Com o Franz Ferdinand, eles tocam frequentemente em Munique e todos eles já estiveram em Rosenheim para o meu casamento, por exemplo. Eles gostam da cerveja: da última vez que a gente esteve em Munique, eu comprei 20 caixas de Augustiner e depois disso a gente ficou feliz durante 3 semanas na turnê.

A TV alemã não está muito renovadora recentemente. Breaking Bad, Downtown Abbey – todas as séries de alta qualidade vem dos Estados Unidos ou da Grã-Bretanha. Quando você está em Londes, sente constantemente saudades de casa e compra DVD’s alemães?

De tempos em tempos, mas tem sido assim: quando se liga a televisão aqui, não há nenhum divertimento. “Tatort” é bom, mas eu assisto muitas séries americanas porque elas são inacreditáveis. Game of Thrones e Breaking Bad foram as maiores séries dos últimos dois anos. Mas eu não assisto televisão tão frequentemente. O Bogner é um clássico, e é uma honra pra mim trabalhar pra ele.

Você nasceu na Inglaterra mas cresceu na Baviera. Como é ter crescido no interior da Baviera e como você entrou em contato com a música?

Eu frequentei a escola aqui e fui musicalmente influenciado pelo meu irmão. Eu cresci em Bruckmühl. Essa cidade fica bem no interior da Baviera, lá haviam tantos burgueses, isso me irritava muito quando eu era adolescente. Eu tinha um grupo de amigos, os quais ainda adoro hoje em dia, que também tinham problemas com os burgueses. Nós fizemos muitas coisas, estávamos entediados e odiávamos os burgueses. Também tivemos muitas experiências com drogas. Eu sempre pensei que eu era um cara mau. Então eu me mudei pra Glasgow e percebi que eu era um verdadeiro filhinho da mamãe. Lá eu fiquei feliz em ver a polícia pela primeira vez. Eu morei durante 10 anos por lá e em seguida me mudei pra Londres. Pra mim, Glasgow é sempre muito fria e úmida, mas tem uma excelente cena musical e há muito espaço artístico por lá.

É comum ouvir músicos que cresceram na província falarem que a falta de distração da própria música é algo bom. Você concorda com isso?

Nós fazíamos muita música, mas não fazíamos ideia do que se passava pelo resto do mundo. Quando eu me mudei para Glasgow, eu não conhecia nem metade das bandas que todo mundo achava legal. Led Zeppelin, Pink Floyd, Beatles – essas eram conhecidas no país. Mas para mim isso funcionou. Meus amigos e eu éramos tão contra as músicas que tocavam no rádio que paramos até de escutar música clássica. Pensávamos que isso era uma atitude punk. Então tocávamos música clássica no piano, mas também sempre incluíamos música do The Damned. Na verdade, eu ainda faço isso, só acrescentei Elvis na lista. Eu tinha uma banda de Jazz na escola e aprendi a ler notas musicais, frequentei um Conservatório e aprendi a tocar contrabaixo. Esse instrumento sempre esteve presente em bandas alemãs, como o Can e o Kraftwerk, essas sempre foram duas bandas clássicas e bem instruídas. Isso também nos acrescentou algo.

Diz a lenda que você e Alex Kapranos se conheceram porque você roubou uma garrafa de vodka dele em uma festa.

Sim, isso é verdade. Eu estava acostumado com as festas caseiras em Aibling. E já que você não leva nada, você pega o que está lá. Em Glasgow, a bebida alcoolica é cara, cada um leva a sua garrafa, cada um carrega sua garrafa e escreve seu nome nela. Então lá estava a garrafa, eu coloquei metade do conteúdo no meu copo e senti uma mão no meu ombro: “Excuse me”, disse Alex. Nós quase nos esmurramos, então alguém entrou no meio e apartou a briga. Depois começamos a conversar sobre música: “você está procurando uma banda”. Então nós ficamos juntos.

O Franz Ferdinand sempre teve músicas com partes em alemão, seja em “Darts of Pleasure” ou em “Erdbeer Mund”. Isso deve ser mérito seu.

Sim, claro, sempre. No entanto, o nome da banda não foi ideia minha. Isso era no tempo em que a arte alemã estava bastante em alta. Todos estavam abertos para o Neo Rauch e essas coisas parecidas. Era muito elegante em Glasgow saber falar alemão. Todo mundo na Grã-Bretanha estava interessado em Krautrock (estilo de rock presente na cena musical alemã nos anos 70).

O que há nos planos atuais do Franz Ferdinand? Vocês estão trabalhando em músicas novas?

Nós gravamos um álbum com o Sparks. Eles são uma antiga banda de glam-rock estadunidense que nunca foi muito conhecida na Alemanha. Na Inglaterra eles são gigantes, eu realmente ouvi muito sobre eles. Em Los Angeles eles foram a um show nosso, eles são uns caras bem típicos dos anos 70. O album vai ser lançado esse ano e depois vamos fazer uma turnê juntos. Nós nos denominamos FFS, Franz Ferdinand e Sparks. Em breve queremos lançar um single.

O Franz Ferdinand tem um som relativamente bem definido. O que poderia ser novo na música de vocês futuramente?

Eu ṇo sei. Com os nossos discos a gente nunca sabe o que vai sair antes de ele ser lan̤ado. Por quanto tempo eu ainda vou fazer isso, eu tamb̩m ṇo sei, eu acabei de fazer 40 anos. Se algu̩m pode investir tanta for̤a assim pra sempre Рeu ṇo fa̤o ideia.

Nick McCarthy nasceu em 13 de dezembro de 1974 em Blackpool, mas cresceu em Vagen uma pequena cidade da Baviera no distrito de Rosenheim. Ele frequentou a escola em Bad Aibling. Depois do Ensino Secundário, ele estudolu contrabaixo no Conservatório Richard-Strauss em Munique. McCarthy é casado e tem dois filhos. Com sucessos como “Take me out” e “Do you want to”, sua banda teve sucesso internacional. O album “Right Thoughts, right words, right action” foi lançado no último verão. A série “München 7”, a qual o Nick escreveu as músicas, é transmitida às quartas-feiras, 18:50 hrs no canal ARD. A atual temporada termina no dia 18 de fevereiro com o episódio “Von heut auf morgen”.

 ———————————–
Nesse vídeo o Nick fala sobre o processo de composição das músicas para o seriado München 7 junto com seu amigo Sebastian Kellig. Apesar do vídeo ser em alemão, a nossa amiga Karen Lima fez um breve resumo do que é falado no vídeo:

“No começo ele fala como eles se conheceram, e como eles se dão bem e que tem uma química musical enorme. Eles começaram tocando música só por prazer, mas depois virou algo sério. Desde meados de 2014 eles estão em Munique fazendo a trilha sonora desse programa de televisão de lá, eles tocam todos os instrumentos, um por vez. Nick fala que sempre há novos motivos, novos temas e precisa sempre escrever novas músicas. Pra cada “capítulo” eles tem em média 2 semanas para fazer as composições. Diz que cresceu assistindo essa série. Que a música não é só compor notas, é sobre sensações, principalmente quando se cresceu com a música. Diz que nasceu na Inglaterra, mas cresceu na Alemanha, então sempre volta pra lá. O som do musical naturalmente é antigo, tem muitos instrumentos antigos, mas ele espera conseguir modernizar isso, é como se fosse um desafio”.

Munich 7 é uma série policial de Franz Xaver Bogner. A série de televisão passa em Munique e é sobre a vida cotidiana da guarda da delegacia de polícia fictícia Munich 7. Para a 5ª e 6ª temporadas em 2014, a música foi composta por Nick McCarthy e Sebastian Kellig no Sausage Studio.

 

TRADUÇÂO: Karen Lima, nossa fã quase alemã. MUITO OBRIGADA! :)

FONTE: schwaebische.de / The Fallen Chile

Franz Ferdinand traz seu novo e elogiado show a SP

7 de setembro de 2014 às 10:18 por Simone


Jotabê Medeiros | O Estado de S. Paulo, 07/09/2014
Vocalista do grupo, Alex Kapranos, fala ao ‘Estado’L4E65453215004FFCABB716999BF00C7E

Das mais diretas, eficientes, quentes e desglamourizadas bandas do star system, os escoceses do Franz Ferdinand baixam de novo em São Paulo no próximo dia 30, para um show no Espaço das Américas. Mostram o disco mais recente, Right Thoughts, Right Words, Right Action (2013), mas estão articulando uma novidade quente: já têm pronto um novíssimo álbum, feito em parceira com uma banda que os inspirou, mas do qual não dizem muita coisa (revelam apenas que já possuem entre 15 e 16 canções finalizadas com a nova parceria e que pretendem lançar ainda este ano).

Right Thoughts, Right Words, Right Action nasceu de um insight inusitado: Kapranos estava passeando quando achou um cartão-postal num mercado de pulgas. Nele estava escrito: “Come home, pratically all is nearly forgiven” (“Venha pra casa, praticamente tudo está quase perdoado”). Esse é o verso inicial de Right Action, a canção que abre o álbum.

O Franz Ferdinand também celebra 10 anos do lançamento de seu primeiro disco, Franz Ferdinand (2004), que possuía o single Take me Out – um fenômeno que varreu o planeta. Também é uma data curiosa porque marca o centenário do assassinato do arquiduque que deu o nome à banda, em Sarajevo, em 1914, acontecimento que deu início à Primeira Guerra Mundial.

O vocalista do Franz Ferdinand, Alex Kapranos, falou com o Estado por telefone, de Londres, há alguns dias sobre o retorno ao Brasil. E contou que compôs também algumas coisas para um provável disco solo com Justin Young, dos Vaccines.

 

Quando você canta Goodbye Lovers and Friends, você diz: “Não toque música pop/Você sabe que eu odeio música pop”. Essa música é a mais representativa daquilo que você chama de “cinismo otimista”?
Talvez. Não sei qual é a perspectiva de cada um dos ouvintes da minha música, mas é ironia, claro. Até porque eu amo pop music. E pop music, para mim, é um conceito muito amplo, é tudo que me inspira. Nirvana é pop, Giorgio Moroder é pop, Lady Gaga é pop, Black Sabbath é pop. Eu não tenho essa compartimentação na cabeça.

Você é um dos artistas do mundo pop mais assíduos no Twitter. Como vê o papel das redes sociais na sociedade moderna?
Eu vejo tudo isso como uma grande diversão. Não sou muito do Facebook, mas gosto daquele tipo de conversação do Twitter, aquela troca de informações, os pequenos debates, as brincadeiras. É interessante. Mas eu também acho todas as outras formas de interação social importantes. Entro casualmente no Twitter, para dar umas risadas. Mas nunca faço isso com propósito de marketing, é apenas diversão.

Vi o set list de vocês em um show na Brixton Academy e tinha umas 8 canções do disco mais recente. É um bom número para um disco novo. Como tem sido a reação dos fãs às músicas novas, em geral?
O repertório muda muito de show para show, cada noite é diferente. Mas a recepção tem sido muito boa para as canções mais recentes. Tem uma coisa curiosa: Goodbye Lovers and Friends, que é a última canção do disco, acabou se tornando um grande momento do novo show. Todo mundo canta junto, todos sabem a letra, virou um happening. É muito bacana isso.

Há alguns dias, vocês fizeram uma cover fantástica de Leaving My Old Life Behind, que foi gravada por Jonathan Halper. Alguma chance de tocar aquela canção aqui?
Não sei. Talvez. É uma canção muito cool, ficamos orgulhosos do resultado. Tem um toque sexy, e era uma pena que estava em vias de desaparecer, uma bela peça de música que se perdera. Foi muito bom poder reinterpretá-la, quem sabe a gente consiga tocar.

Vocês gravam pelo selo Domino, que recentemente se viu em rota de colisão com o YouTube por causa da distribuição de música sem pagamento. Como você vê o problema dos direitos autorais na nova ordem tecnológica?
Olha, isso é uma coisa que diz mais respeito às companhias, aos negócios, e nós não costumamos nos ligar muito em negócios. Nossa onda é a música, é tocar e achar um jeito de continuar fazendo nossa arte e nos divertindo noite após noite. Por enquanto está dando pé. Enquanto estiver funcionando, vamos levando. É claro que há uma nova ordem e que ninguém mais compra disco, etc. e tal.

No ano passado, falei com o seu baterista, Bobby, e ele me disse que, durante um show de lançamento do disco, no Victoria Pub, em Londres, estava cheio de brasileiros, e que isso é comum em seus shows.
Eu me lembro de estar chegando para o show e cruzar com um grupo animado de brasileiros na fila, já estavam lá há algum tempo. Mas você tem que ver também que aquela parte de Londres tem muitos brasileiros, assim como italianos. Muita gente do Brasil vive lá. Mas, de fato, há sempre muitos em nossos shows pelo mundo afora, um pequeno grupo muito animado. Estou animado de voltar ao Brasil, porque toda vez que vou praí encontro gente maravilhosa, e os shows são fantásticos, a plateia faz a gente dar o nosso máximo.

 

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

“Às vezes, fazemos planos, mas muitas vezes acabam por ser uma merda” – entrevista com Nick e Bob

8 de junho de 2014 às 19:09 por Simone


Quarta-feira, 04 de junho de 2014 | Roger Gascón

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Franz2009A essa alturas do jogo sobram apresentações e o Franz Ferdinand tornou-se, por méritos próprios, atração principal de qualquer festival que se preze. Por isso é um prazer tê-los novamente em nossa página da internet como protagonistas do Bilbao BBK Live e do 101 Sun Festival de Málaga em meados de julho.

Estão situados entre o indie e o pop, pelo menos no que diz respeito ao número de fãs que vocês tem em todo o mundo e no tipo de música que fazem. Vocês se consideram mais indie que pop? Ambos?
BH (baixista Bob Hardy): Gostaria que “indie” continuasse significando o que deveria ser, independente. Temos um contrato com uma gravadora independente, então eu acho que nós somos uma banda indie. De todo modo, acho que indie abrange muitas coisas, não só as gravadora, também o estilo, as guitarras. Sim, nós somos uma banda indie com contrato com uma gravadora independente.

Do revival pós-punk que começou no início do século, vocês são provavelmente, o grupo que amadureceu melhor sem se fastar muito do pós-punk. Qual é a fórmula para o seu sucesso prolongado?
NM (guitarrista Nick McCarthy): Eu não sei, de verdade.
BH: Acho que evitar relaxar e viver das conquistas do passado e tentar fazer um disco tão bom quanto pudermos fazer. É algo que nós estávamos muito conscientes durante a gravação deste álbum. E, também, o fato de termos dado um longo tempo de descanso antes da gravação do disco, o que ajudou muito e nos fez lembrar por que nós disfrutamos tanto antes de tudo. Isto foi muito importante. E, além disso, nós somos bons amigos a muito tempo, e isso faz a diferença.

Vendo como terminaram o resto dos grupos daquela cena musical, com mudanças de integrantes ou rumores de não se darem bem, isso é um mérito.
BH: Sim, é verdade, continuar sendo amigos é uma das coisas mais difíceis quando você está em um grupo já há algum tempo, porque vivemos juntos, trabalhamos juntos, e conseguimos. E, como eu disse há pouco, fazer pausas como as de antes da gravação do disco contribuem com isso.

Quais são os ingredientes da canção perfeita do Franz Ferdinand?
BH: Um bom ritmo, creio, o ritmo é muito importante. Na verdade, Nick estudou baixo, o que o torna um cara ritmico, Paul é um baterista incrível, Alex tocou baixo, e eu, bem, eu sou o baixista. Eu acho que é uma das chaves do grupo, todos trazem o ritmo dentro de si.
NM: O que é importante é uma boa linha de baixo e um bom ritmo de bateria.

Como vocês compõe suas músicas? Todos juntos ou um leva uma melodia e vocês trabalham nela nos ensaios?
NM: Depende da música, mas no final sempre a construimos todos juntos.
BH: O modo padrão seria quando você, Nick, tem a melodia, ou o Alex escreve uma melodia vocal e vocês dois terminam juntos, vocês escrevem o refrão ou o que a música necessita, e, em seguida todos juntos fazemos os arranjos.
NM: Podemos escrever as canções de forma acústica, como fizemos para este disco, em que compusemos as canções apenas com guitarras. Em seguida, fazer os arranjos e obter um bom ritmo e uma boa linha de baixo é o que dá mais trabalho. É o que você tem que fazer bem para que as pessoas gostem.

Neste novo álbum, vocês querem explorar novos territórios ou novos sons?
NM: Bem, simplesmente não queremos nos repetir, é algo intrínseco no ser humano, não? Eu não quero tocar o mesmo que toquei no terceiro disco, seria entediante. Há coisas que não podemos fazer, coisas que ainda gostamos, ou seja, há um pouco de reinvenção, mas basicamente somos os mesmos Franz Ferdinand de sempre, não podemos evitar isso. Há coisas que nós gostamos e sempre vamos gostar, e coisas que com o tempo acabamos odiando.

Vocês acham que outras bandas mudam demais? Talvez eles queiram evoluir e passam ​​para um estilo completamente diferente e isso faz com que percam os fãs?
NM: Acho que o desenvolvimento é muito importante para um grupo. É o interessante. Eu sou sempre a favor das mudanças. Obviamente, isso pode dar errado, é um risco que você tem que correr, mas não é tão arriscado como repetir-se uma vez após a outra. Neste álbum temos Fresh Strawberries, uma canção tradicionalmente muito inglesa, é a mais anos 60 que fizemos até agora. Nós adoramos tocar outros estilos.
RG: Bem, vocês já tocaram estilo anos 60 com Fabulously Lazy.
NM: Wow! Issso tem muito tempo. É verdade, sim … Era o lado B de Lynsey Wells, não? Ou era um A-side duplo?

Eu acho que na Espanha saiu em um EP, com essas duas músicas, uma instrumental…
BH: Brown Onions.

E outra da qual não me lembro.
NM: Oh, me encanta Lynsey Wells. Ela é genial. Está prestes a se casar, por sinal.

Quem? Lynsey?
NM: Sim, que lástima, haha!

Vocês tem alguma estratégia na hora de escolher os singles do álbum? Digo isso porque eu notei que o primeiro single que escolheram não costuma ser a canção mais comercial do álbum, e logo depois lançaram o que foi um estouro.
NM: Às vezes, fazemos planos, mas muitas vezes acabam por ser uma merda.

O primeiro single do primeiro álbum foi Michael.
BH: Sim, no Reino Unido foi Michael, eu não sei se aqui na Espanha também.
NM: Depois, Darts of Pleasure.

Mas o hit foi Take Me Out.
NM: E você acredita que neste álbum aconteceu a mesma coisa? O segundo single é melhor do que o primeiro?

Homem, talvez … Evil Eye e Bullet me parecem os grandes hits, e foram segundo e terceiro singles.

 

FONTE: Mondo Sonoro

5 mulheres em sua vida | Nick McCarthy – Franz Ferdinand

17 de dezembro de 2013 às 16:23 por Simone


Tradução e agradecimentos: Aline Romy

Quem não foi apaixonado por Sophie Marceau?”

26 novembro de 2013 – Entrevista por Faustine Kopiejwski

Após terem lançando seu quarto álbum, os quarto garotos do Franz Ferdinand estão em turnê mundial e estarão de volta na França em março de 2014. Entre dois shows, o guitarrista Nick McCarthy nos fala das cinco mulheres de sua vida.

RONJA RÄUBERTOCHTER

Ronja era a garota mais legal que eu vi quando tinha oito anos, mesmo seu pai sendo bem malvado (Nda: Na verdade, o romance de Astrid Lingren de onde é tirada essa série se chama Ronya, filha de um bandido). Eu queria conhecê-la, me tornar seu amigo e fazer parte de todas as suas aventuras. Ela era tão corajosa. Eu assistia essa série fielmente. Foi ela que me deu um gosto pelas aventuras ao ar livre: escalar montanhas, entrar em velhos edifícios em ruínas, esse tipo de coisas.

   

 

HEIDI

Eu cresci nas montanhas do sul da Alemanha e Heidi era um desses estranhos desenhos animados japoneses, feitos para os espectadores alemães, e que na minha época existiam muitos. Os produtores faziam a animação por um preço barato no Japão e produziam o resto na Alemanha. Eles usavam música alemã ou tcheca para as trilhas sonoras e eu sempre amei as canções desses desenhos. A maioria delas foi escrita por um tcheco chamado Karel Svoboda. Minha música preferida era uma que tocava no Pinocchio. Infelizmente, a música de abertura de Heidi puxa um pouco demais pro Schlager (estilo de música popular na Europa Central e do Norte), mas isso não me impedia de assistir ao programa antes de ir caminhar pelas montanhas .

   

 

BILLIE HOLIDAY

Eu estudei jazz por algum tempo, mas, sinceramente, nunca gostei da cena. Ninguém tocava por amor a música. Parecia esporte, era horrível. Mas depois disso comecei a tocar em uma banda de krautrock alemão que se chamava Embryo, e eles acreditavam no que faziam. Eles tocavam incrivelmente bem seus instrumentos e por boas razões. O líder da banda, Christian Burkhard foi o meu guru durante anos. E ainda o é, talvez inconscientemente. Nos anos 60 , ele saiu em turnê com Mal Waldron , o pianista de Billie Holiday. E por mais louco que possa parecer , eu também tive a oportunidade de viajar com ele. Foi uma experiência tão incrível que eu fico com lágrimas nos olhos só de pensar nisso. Esse homem era muito humilde, e ele podia tocar qualquer coisa no piano. Sua música parecia rasgar o seu coração. Então, obviamente, ouvimos muito Billie Holiday durante aquela época. Muito mesmo. Ela é de longe a minha cantora de jazz preferida. Que trágica dimensão em sua voz! Existe alguém mais legal do que ela? Eu nunca tinha me sentido assim antes. E eu me apaixonei de verdade.

  

 

SOPHIE MARCEAU

Essa é especialmente para vocês, franceses. Eu era completamente apaixonado por Sophie. Mas quem não era? Imagino que na França todo mundo viu “La Boum”, mas na Alemanha não era tão conhecido. Não sei bem porque, mas eu a tinha em vídeo que eu assistia secretamente com os meus amigos e tentávamos dançar “slows” (música lenta). Levamos alguns anos antes de praticarmos de verdade. Recebíamos crianças francesas na nossa escola e os meninos “davam em cima” de meninas que nós não ousávamos nem olhar. Os meninos franceses sempre estavam tão a frente de nós. Eu os odiava. De qualquer forma, ainda amo essa música. Ah, os fantasmas da adolescência.

  

 

TIA DOT / NANA

Além da minha esposa, são as duas mulheres mais incríveis que já conheci. Minha vó (Nota do autor: Nana) vivia com um casal de idosos, a tia Dot e o tio Bill e, quando nós os visitávamos em Liverpool, riamos o dia inteiro. Eles foram a maior fonte de alegria da minha infância. Eles também tocavam muito bem piano e passávamos horas cantando com eles na sala. Eu queria muito tocar daquele jeito, até hoje eu tento. Eu gostaria que eles tivessem vivido para sempre. Infelizmente não há nada sobre eles no YouTube. Mas aqui está toda a gangue, com meu irmão, minha irmã e minha mãe na famosa sala de estar.

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FONTE: ChEEK MAGAZINE

O Franz Ferdinand quase não fez um quarto álbum, admite Alex Kapranos

8 de dezembro de 2013 às 12:42 por Simone


Alex fala para o The Herald Scotland | Tradução e agradecimentos: Daniel Póvoa

alexglasgowA questão sobre o novo álbum, eu conto ao vocalista do Franz Ferdinand enquanto nos sentamos em um café em Glasgow numa quarta-feira à tarde, é que ele soa tão – como posso dizer?

– tão Franz Ferdinandesco. Alex Kapranos sorri debaixo de sua franja. “Isso faz todo o sentido. Fico realmente feliz por você dizer isso, já que era um objetivo.”

 Alguns minutos antes, eu assistia Kapranos entrar a passos largos no café, quadris tão magros quanto de uma garota, até hoje, com mais de 10 anos de existência do Franz Ferdinand, a exata aparência que você espera de seus pop stars. E nem tão diferente da única outra vez que o encontrei, quase uma década atrás no backstage do Reading Festival no ápice do primeiro surto de fama da banda. Desde então o Franz Ferdinand rodou o mundo, lançou um segundo e então um terceiro álbum, conheceu seus heróis, fez coisas demais (turnês, trabalho, etc), seguiu o seu próprio caminho e agora se reuniu novamente para fazer o quarto álbum – Right Thoughts, Right Words, Right Action – que acaba sendo uma afirmação de intenção bem como de noções básicas. É um álbum vivo e urgente, como já estabelecemos, é muito Franz Ferdinand.

Kapranos sobe as escadas, cumprimenta pessoas, se senta e conversa: sobre o passado, o presente, sobre o escritor irlandês William Trevor (uma das influências nas letras do novo álbum – a música Brief Encounters surgiu porque Kapranos andou lendo seus contos e pensou: “É, eu quero escrever algo sobre os grandes eventos de gente comum”) e, sim, sobre o Franz Ferdinandismo da banda.

“Uma coisa que eu ocasionalmente notei em bandas,” Kapranos diz enquanto toma sua sopa, “quando elas vão além de seu segundo álbum, é quase como se uma paranoia ou uma neurose passasse por suas cabeças: ‘Caramba, a gente já faz isso há um tempo. Talvez precisamos fazer algo novo. Talvez precisamos nos reinventar.’ E meio que está certo. Você precisa fazer algo novo. Você precisa se manter criativo. Você precisa tentar coisas novas. E esse pode ser o caminho para produzir um disco, para escrever canções. Mas você não pode reinventar a sua personalidade.

“É algo que eu notei quando fazemos covers. Sempre que tocamos um cover, seja de um música dos Beatles, do Beck ou da Britney Spears, ainda parece com Franz Ferdinand. São só quatro pessoas. São as personalidades.”

E ainda assim, são quatro anos desde o último álbum. As coisas mudaram. A banda agora vive em Glasgow, Dumfries (no caso de Kapranos) e Londres. Filhos nasceram. “Então quando Nick e eu estamos compondo, seu filhinho está correndo por todos os cantos,” Kapranos admite. “Mas ainda compomos do mesmo jeito. Talvez ele queira sair em turnê de uma forma diferente da que costumava. Provavelmente não… na verdade, eu retiro o que disse. Eu ia dizer que ele não festeja mais como fazia, mas possivelmente ele não festeja como antes com tanta frequência. Mas você deveria perguntar isso ao Nick.”

Em pouco tempo o Franz Ferdinand cresceu. Um pouco que seja.

Questões levantadas pelo entrevistador a Alex Kapranos a respeito das letras do novo álbum.

1. “Please belive everybody steals” (Por favor acredite, todo mundo rouba) (de Fresh Strawberries)  N.T.: na verdade é “Thieves believe everybody steals” (Ladrões acreditam que todos roubam)

Qual foi a última coisa que você roubou?

“Ah, sabe. Eu tive uma sessão de fotos no Japão há três semanas e tinha esse par de meias sensacional da Paul Smith e acabei ficando para mim. Não estou certo se foi propriamente um roubo porque não estou certo de que eles queriam as meias de volta após elas estarem nos meus pés. Mas, sim, eu ainda as tenho.”

2. “So come home, practically all is nearly forgiven” (de Right Action) (Volte para casa, praticamente tudo está quase perdoado)

Quem você quase perdoou?

“Alguns amigos. Isso é tudo que eu digo. Eu estava conversando outro dia com um amigo sobre a natureza do perdão e como o principal ponto do perdão é o quão libertador ele é e o quão leve você se sente depois que para de carregar todo aquele ressentimento. É um peso terrível e consome as pessoas.”

Vamos falar sobre conversar. A outra questão sobre o novo álbum, Alex Kapranos me conta, eventualmente, é o quão sortudos somos por ele existir. A verdade é que o novo disco só aconteceu porque Kapranos se encontrou com o baixista Bob Hardy dois anos atrás. “Sentimos como se não nos falássemos há muitos anos. Não conversávamos de fato desde que estávamos em turnê e até mesmo quando estávamos em turnê. Nós não chegamos a brigar, mas já não conversávamos uns com os outros tanto quanto o fazíamos há dez anos.”

Foi a diretora Diane Martel, que já trabalhou com a banda, que arranjou o encontro. “A gente conversava independentemente com Diane e eu dizia ‘Ah, eu não sei o que fazer em relação à banda. Nem sei se faz sentido gravar um novo álbum. Eu nunca falo mesmo com Bob.’ E ela disse ‘Você é tão ridículo. Você só precisa conversar com ele.’

“Realmente foi o incentivo da Diane que nos reuniu e simplesmente conversamos uns com os outros. Nós fomos a Orkney já que nenhum de nós nunca esteve lá, então era um território neutro. A gente andou dias por Orkney, conversando e conversando e conversando sobre tudo o que aconteceu nesses dez anos, as coisas boas e más, e como nós nos sentíamos agora como pessoas e como gostaríamos que a banda fosse. Toda essa conversa foi muito boa.”

Voltando um pouco, eu digo. Você está querendo me dizer que existia a possibilidade desse álbum nunca ter sido feito? Tem uma pausa, uma longa pausa, antes dele começar a falar de novo.

“Eu fui lá com a intenção de dizer que a gente não gravaria outro álbum. Eu queria falar primeiro com o Bob, porque foram as nossas conversas lá no começo que deram o início a tudo. Foi só depois de todo o diálogo que percebemos o quão triviais eram os motivos para não fazermos um novo álbum. Uma vez que você conversa e ouve o som do que pode fazer um disco muito bom, então isso te deixa empolgado e te faz querer gravar esse álbum.”

Mais questões levantadas pelo entrevistador a Alex Kapranos a respeito (acha ele) das letras do novo álbum.

3. “I’m in love with my nemesis” (de Treason! Animals.) (Estou apaixonado pelo meu nêmesis)

Você já se apaixonou pelo seu nêmesis?

“Umm… próxima pergunta.”

4. “You randy bastard” (de Evil Eye) (N.T.: a letra está errada, como será explicado). Quem é um canalha excitado?

Kapranos (confuso): “Um canalha excitado?”

É o que diz o verso, não?

“Ah não, não é. Eu amo isso. É ‘Vermelho, seu maldito’.” (Red, ya bastard)

Talvez eu esteja me projetando.

“Talvez você mesmo tenha respondido a pergunta. Possivelmente o canalha excitado não esteja tão longe.”

5. “Don’t play pop music” (from Goodbye Lovers and Friends)

Que música você quer que toque em seu funeral?

“Não tenho certeza. Algo bem delicado. Eu preferiria música clássica à música pop. É algo pessoal. Talvez Chopin ou algo assim. Alguma coisa que não vá atrapalhar. Eu estive em funerais onde me sentia como se uma última playlist me estivesse sendo imposta pelo péssimo gosto musical da pessoa que eu realmente ainda gosto enquanto ela vai desaparecendo num buraco na terra. Eu não vejo um funeral como uma oportunidade de impor meu gosto a ninguém.

“Dito isso, eu imagino algo como One Is The Loneliest Number…” (N.T.: canção de Harry Nilsson)

Optar por Take Me Out seria meio macabro, eu suponho.

“Sim, sim, sim. Definitivamente não quero escutar minha própria música.”

Já fazem 10 anos desde que o Franz Ferdinand forçou seu caminho na cena pop com o seu incrível single Take Me Out. Kapranos recorda daquele momento, “é a sensação de ser esmagado.”

“Foi meio que como se a gente tivesse invadido uma festa e estivesse bebendo tudo o que conseguisse. A gente aproveitou, claro que aproveitou. Mas foi intenso.”

Uma década depois, ele acha que a banda está mais próxima de como se sentiam em 2003, antes de tudo ganhar grandes proporções. “Eu me sinto mais próximo daquela época porque nós nos isolamos de tudo o que nos cercava. Muito embora essa festa insana que nós entramos fosse muito divertida, eu não quero passar o resto da minha vida nela o tempo todo. Eu gosto da companhia dos meus amigos na banda e eu não tenho esse desejo de fazer o tipo celebridade toda hora. O que mais importa pra mim é fazer música com esses caras.”

Então o que aprendemos?

Que Alex Kapranos, acima de tudo, ainda é muito Franz Ferdinandesco.

FONTE: The Herald Scotland

“Estou orgulhoso por ainda estarmos juntos”, diz frontman do Franz Ferdinand

3 de novembro de 2013 às 17:22 por Simone


Alex Kapranos fala sobre o quase término da banda e o novo álbum

NYOctober2013alex

por SIMON VOZICK-LEVINSON
3 de Nov. de 2013

O Franz Ferdinand voltou: depois de um intervalo de quatro anos, o grupo escocês passou um mês em turnê pelos Estados Unidos com seu último álbum, Right Thoughts, Right Words, Right Action. Cada noite é uma celebração de uma década de carreira da banda, que varia músicas novas com hits antigos, como “Take me Out”, de 2004, e “This Fire”. “Nós estamos curtindo muito mesmo”, diz o frontman Alex Kapranos, relaxando no backstage antes de tocar no Hammerstein Ballroom, em Nova York. “Sinto como se estivéssemos nos conectando com a nação norte-americana de novo.”

Kapranos, 41, passou a tarde antes do show mergulhado em um bom livro. “Estou lendo uma coletânea de contos de um cara chamado Etgar Keret, um escritor israelense”, ele diz. “Se chama The Bus Driver Who Wanted to Be God. Então fui até o Central Park e li meu livro. Que coisa boa poder fazer isso quando se é um cara de Glasgow que toca numa banda de rock!”

Nós falamos sobre o início da banda, por que eles quase terminaram antes do novo álbum e mais. Leia uma transcrição levemente editada da conversa com a Rolling Stone EUA.

Do que você lembra da primeira vez que fez uma turnê pelos Estados Unidos?
Nossa primeira viagem foi para Nova York. Foi há quase dez anos, depois que o primeiro disco saiu. Nós tocamos no Pianos primeiro, então tocamos em um lugar em que eles tinham uma menina vestida de sereia nadando em um tanque. Acho que fechou um mês depois de termos tocado lá. E daí tocamos no Mercury Lounge. Eu lembro particularmente de Pianos. Existia alguma legislação que Giuliani fez que não permitia mais de três pessoas dançando ao mesmo tempo [sem uma licença de cabaré]. Para uma banda que supostamente tocava música para as pessoas dançarem, pareceu um pouco absurdo. Então eu lembro de dizer depois de cada música, “Obrigado por não dançarem”! [Risos]

Você lembra de ter pensado na época se a banda ainda estaria junta em 2013?
Não faço a menor ideia. Não há como prever como você vai se dar com as outras pessoas, sabe? Quer dizer, estou muito orgulhoso por ainda estarmos juntos e por ainda sermos amigos, acima de qualquer outra coisa. Eu acho que permanecermos amigos é uma conquista maior do que continuarmos gravando discos.

Você afirmou não ter certeza se queria continuar com a banda depois do último álbum [Tonight de 2009]
É. Eu só queria manter a banda se continuássemos amigos e nos déssemos bem e fazer música fosse prazeroso. Então eu me encontrei com Bob [Hardy, o baixista do Franz Ferdinand] e conversamos sobre o assunto. Era mais o relacionamento meu com Bob que precisava ser trabalhado. E fomos Bob e eu que formamos a banda, em primeiro lugar, então precisava funcionar.

Por que vocês se afastaram?
Não há um grande mistério por trás. Nós apenas paramos de falar um com o outro da maneira que convinha. Sabe, eu entrevistei [o guitarrista] Wilko Johnson recentemente e o que ficou comigo da experiência foi como ele se arrependeu de não ter feito as pazes com Lee Brilleaux, cantor do Dr. Feelgood. Foi exatamente a mesma coisa. Eles pararam de se falar, e esses ressentimentos idiotas acabaram separando uma das melhores bandas da Inglaterra. Eu queria ter certeza de que isso não aconteceria conosco.

Como vocês acabaram fazendo um novo álbum?
Escrevemos como se estivéssemos compondo um set de EP ou de singles – escrevemos três ou quatro faixas, tocávamos em um show ao vivo e depois gravávamos rapidamente. O princípio era não ir pro estúdio até termos as músicas. Eu gosto da ideia de uma boa música. Eu sei que soa burro e estúpido e óbvio, mas as pessoas se esquecem disso. Tipo, fizemos uma cover da faixa “Oblivion”, da Grimes, numa rádio francesa recentemente. Essa música é ótima. Mas eu li algumas coisas sem noção falando da música como se ela fosse revolucionária. Em termos de sonoridade, ela é ótima e original – mas a essência da popularidade da música é o fato de ela ser ótima! Liricamente, é poderosa e tem uma melodia linda que é simples. Por isso que quisemos fazer a versão.

Escrever é fácil para você?
É algo que curto, então não é um dever. Tem, geralmente, duas fases. Uma é a fase sem esforço, quando a ideia simplesmente vem. Então tem a parte de editar e talhar. Eu lembro de ler sobre Raymond Carver e como ele trabalhava com o seu editor [Gordon Lish]. Tem duas versões de What We Talk About When We Talk About Love, a versão editada e a versão original. Pessoalmente, prefiro a editada. Tem uma aridez e uma magreza no texto que eu realmente amo, e eu acho que é isso que você encontra em uma boa música pop. É um apelo que me atinge. Tem um prazer quase masoquista em cortar parte de algo que você criou.

Um dos trechos de letra mais marcantes do novo álbum é “Não toque música pop, você sabe que eu odeio música pop”. Você realmente odeia?
Tem a ver com o contexto mais do que com qualquer outra coisa. Brinca com a ideia de ser um narrador duvidoso. Eu não sei porque existe o pressuposto de que o cantor e a eu-lírico são a mesma coisa. Você não acha que a Agatha Christie é assassina, sabe? Mas quando eu escrevi, tinha ido há dois funerais, e lido a respeito do funeral do [presidente francês François] Mitterand e sobre como sua esposa e sua amante e filha da amante estavam lá ao mesmo tempo. Que oportunidade maravilhosa se dirigir a essas pessoas! A primeira coisa que pensei foi, “Ah, certo, enquanto eu estiver desaparecendo em um buraco, não toque música pop”. Estou sendo irreverente. Mas geralmente funerais – especialmente em funerais de pessoas jovens – se tornam oportunidades de impor música ruim para os amigos pela última vez.

Então o que você gostaria que tocasse no seu funeral?
A marcha fúnebre de Chopin é bem incrível. Eu não sei. Eu não pensei muito no assunto.

Desculpe, foi uma pergunta meio mórbida.
Não, não. Esse é o lance. Eu não me importo de falar desse assunto. Eu acho que é uma doença da sociedade moderna, não ser capaz de falar sobre a morte. Sabe, minha avó morreu em janeiro, na Grécia, e ela teve um funeral tradicional ortodoxo grego, com o caixão aberto, e lógico que foi um momento traumático e horrível. Mas tem algo que eu realmente gosto sobre a natureza do funeral em si – foi um encerramento completo. Você percebe que é o final.

Agora que vocês alcançaram a marca dos dez anos, você acha que estará de volta para uma turnê em 2023?
Quem sabe? Eu tenho certeza de que estarei fazendo música, de uma forma ou de outra, porque eu sempre fiz – se eu ainda estiver por aí, sabe? Essa é outra coisa que você não consegue prever. Então, é. Se ainda estiver aqui, pode ser que sim.

 

FONTE: Rolling Stone Brasil (Rolling Stone EUA) / Foto: Sacha Lecca

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