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Feliz aniversário Alex!

20 de março de 2014 às 21:53 por Simone


 

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O Franz Ferdinand quase não fez um quarto álbum, admite Alex Kapranos

8 de dezembro de 2013 às 12:42 por Simone


Alex fala para o The Herald Scotland | Tradução e agradecimentos: Daniel Póvoa

alexglasgowA questão sobre o novo álbum, eu conto ao vocalista do Franz Ferdinand enquanto nos sentamos em um café em Glasgow numa quarta-feira à tarde, é que ele soa tão – como posso dizer?

- tão Franz Ferdinandesco. Alex Kapranos sorri debaixo de sua franja. “Isso faz todo o sentido. Fico realmente feliz por você dizer isso, já que era um objetivo.”

 Alguns minutos antes, eu assistia Kapranos entrar a passos largos no café, quadris tão magros quanto de uma garota, até hoje, com mais de 10 anos de existência do Franz Ferdinand, a exata aparência que você espera de seus pop stars. E nem tão diferente da única outra vez que o encontrei, quase uma década atrás no backstage do Reading Festival no ápice do primeiro surto de fama da banda. Desde então o Franz Ferdinand rodou o mundo, lançou um segundo e então um terceiro álbum, conheceu seus heróis, fez coisas demais (turnês, trabalho, etc), seguiu o seu próprio caminho e agora se reuniu novamente para fazer o quarto álbum – Right Thoughts, Right Words, Right Action – que acaba sendo uma afirmação de intenção bem como de noções básicas. É um álbum vivo e urgente, como já estabelecemos, é muito Franz Ferdinand.

Kapranos sobe as escadas, cumprimenta pessoas, se senta e conversa: sobre o passado, o presente, sobre o escritor irlandês William Trevor (uma das influências nas letras do novo álbum – a música Brief Encounters surgiu porque Kapranos andou lendo seus contos e pensou: “É, eu quero escrever algo sobre os grandes eventos de gente comum”) e, sim, sobre o Franz Ferdinandismo da banda.

“Uma coisa que eu ocasionalmente notei em bandas,” Kapranos diz enquanto toma sua sopa, “quando elas vão além de seu segundo álbum, é quase como se uma paranoia ou uma neurose passasse por suas cabeças: ‘Caramba, a gente já faz isso há um tempo. Talvez precisamos fazer algo novo. Talvez precisamos nos reinventar.’ E meio que está certo. Você precisa fazer algo novo. Você precisa se manter criativo. Você precisa tentar coisas novas. E esse pode ser o caminho para produzir um disco, para escrever canções. Mas você não pode reinventar a sua personalidade.

“É algo que eu notei quando fazemos covers. Sempre que tocamos um cover, seja de um música dos Beatles, do Beck ou da Britney Spears, ainda parece com Franz Ferdinand. São só quatro pessoas. São as personalidades.”

E ainda assim, são quatro anos desde o último álbum. As coisas mudaram. A banda agora vive em Glasgow, Dumfries (no caso de Kapranos) e Londres. Filhos nasceram. “Então quando Nick e eu estamos compondo, seu filhinho está correndo por todos os cantos,” Kapranos admite. “Mas ainda compomos do mesmo jeito. Talvez ele queira sair em turnê de uma forma diferente da que costumava. Provavelmente não… na verdade, eu retiro o que disse. Eu ia dizer que ele não festeja mais como fazia, mas possivelmente ele não festeja como antes com tanta frequência. Mas você deveria perguntar isso ao Nick.”

Em pouco tempo o Franz Ferdinand cresceu. Um pouco que seja.

Questões levantadas pelo entrevistador a Alex Kapranos a respeito das letras do novo álbum.

1. “Please belive everybody steals” (Por favor acredite, todo mundo rouba) (de Fresh Strawberries)  N.T.: na verdade é “Thieves believe everybody steals” (Ladrões acreditam que todos roubam)

Qual foi a última coisa que você roubou?

“Ah, sabe. Eu tive uma sessão de fotos no Japão há três semanas e tinha esse par de meias sensacional da Paul Smith e acabei ficando para mim. Não estou certo se foi propriamente um roubo porque não estou certo de que eles queriam as meias de volta após elas estarem nos meus pés. Mas, sim, eu ainda as tenho.”

2. “So come home, practically all is nearly forgiven” (de Right Action) (Volte para casa, praticamente tudo está quase perdoado)

Quem você quase perdoou?

“Alguns amigos. Isso é tudo que eu digo. Eu estava conversando outro dia com um amigo sobre a natureza do perdão e como o principal ponto do perdão é o quão libertador ele é e o quão leve você se sente depois que para de carregar todo aquele ressentimento. É um peso terrível e consome as pessoas.”

Vamos falar sobre conversar. A outra questão sobre o novo álbum, Alex Kapranos me conta, eventualmente, é o quão sortudos somos por ele existir. A verdade é que o novo disco só aconteceu porque Kapranos se encontrou com o baixista Bob Hardy dois anos atrás. “Sentimos como se não nos falássemos há muitos anos. Não conversávamos de fato desde que estávamos em turnê e até mesmo quando estávamos em turnê. Nós não chegamos a brigar, mas já não conversávamos uns com os outros tanto quanto o fazíamos há dez anos.”

Foi a diretora Diane Martel, que já trabalhou com a banda, que arranjou o encontro. “A gente conversava independentemente com Diane e eu dizia ‘Ah, eu não sei o que fazer em relação à banda. Nem sei se faz sentido gravar um novo álbum. Eu nunca falo mesmo com Bob.’ E ela disse ‘Você é tão ridículo. Você só precisa conversar com ele.’

“Realmente foi o incentivo da Diane que nos reuniu e simplesmente conversamos uns com os outros. Nós fomos a Orkney já que nenhum de nós nunca esteve lá, então era um território neutro. A gente andou dias por Orkney, conversando e conversando e conversando sobre tudo o que aconteceu nesses dez anos, as coisas boas e más, e como nós nos sentíamos agora como pessoas e como gostaríamos que a banda fosse. Toda essa conversa foi muito boa.”

Voltando um pouco, eu digo. Você está querendo me dizer que existia a possibilidade desse álbum nunca ter sido feito? Tem uma pausa, uma longa pausa, antes dele começar a falar de novo.

“Eu fui lá com a intenção de dizer que a gente não gravaria outro álbum. Eu queria falar primeiro com o Bob, porque foram as nossas conversas lá no começo que deram o início a tudo. Foi só depois de todo o diálogo que percebemos o quão triviais eram os motivos para não fazermos um novo álbum. Uma vez que você conversa e ouve o som do que pode fazer um disco muito bom, então isso te deixa empolgado e te faz querer gravar esse álbum.”

Mais questões levantadas pelo entrevistador a Alex Kapranos a respeito (acha ele) das letras do novo álbum.

3. “I’m in love with my nemesis” (de Treason! Animals.) (Estou apaixonado pelo meu nêmesis)

Você já se apaixonou pelo seu nêmesis?

“Umm… próxima pergunta.”

4. “You randy bastard” (de Evil Eye) (N.T.: a letra está errada, como será explicado). Quem é um canalha excitado?

Kapranos (confuso): “Um canalha excitado?”

É o que diz o verso, não?

“Ah não, não é. Eu amo isso. É ‘Vermelho, seu maldito’.” (Red, ya bastard)

Talvez eu esteja me projetando.

“Talvez você mesmo tenha respondido a pergunta. Possivelmente o canalha excitado não esteja tão longe.”

5. “Don’t play pop music” (from Goodbye Lovers and Friends)

Que música você quer que toque em seu funeral?

“Não tenho certeza. Algo bem delicado. Eu preferiria música clássica à música pop. É algo pessoal. Talvez Chopin ou algo assim. Alguma coisa que não vá atrapalhar. Eu estive em funerais onde me sentia como se uma última playlist me estivesse sendo imposta pelo péssimo gosto musical da pessoa que eu realmente ainda gosto enquanto ela vai desaparecendo num buraco na terra. Eu não vejo um funeral como uma oportunidade de impor meu gosto a ninguém.

“Dito isso, eu imagino algo como One Is The Loneliest Number…” (N.T.: canção de Harry Nilsson)

Optar por Take Me Out seria meio macabro, eu suponho.

“Sim, sim, sim. Definitivamente não quero escutar minha própria música.”

Já fazem 10 anos desde que o Franz Ferdinand forçou seu caminho na cena pop com o seu incrível single Take Me Out. Kapranos recorda daquele momento, “é a sensação de ser esmagado.”

“Foi meio que como se a gente tivesse invadido uma festa e estivesse bebendo tudo o que conseguisse. A gente aproveitou, claro que aproveitou. Mas foi intenso.”

Uma década depois, ele acha que a banda está mais próxima de como se sentiam em 2003, antes de tudo ganhar grandes proporções. “Eu me sinto mais próximo daquela época porque nós nos isolamos de tudo o que nos cercava. Muito embora essa festa insana que nós entramos fosse muito divertida, eu não quero passar o resto da minha vida nela o tempo todo. Eu gosto da companhia dos meus amigos na banda e eu não tenho esse desejo de fazer o tipo celebridade toda hora. O que mais importa pra mim é fazer música com esses caras.”

Então o que aprendemos?

Que Alex Kapranos, acima de tudo, ainda é muito Franz Ferdinandesco.

FONTE: The Herald Scotland

“Estou orgulhoso por ainda estarmos juntos”, diz frontman do Franz Ferdinand

3 de novembro de 2013 às 17:22 por Simone


Alex Kapranos fala sobre o quase término da banda e o novo álbum

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por SIMON VOZICK-LEVINSON
3 de Nov. de 2013

O Franz Ferdinand voltou: depois de um intervalo de quatro anos, o grupo escocês passou um mês em turnê pelos Estados Unidos com seu último álbum, Right Thoughts, Right Words, Right Action. Cada noite é uma celebração de uma década de carreira da banda, que varia músicas novas com hits antigos, como “Take me Out”, de 2004, e “This Fire”. “Nós estamos curtindo muito mesmo”, diz o frontman Alex Kapranos, relaxando no backstage antes de tocar no Hammerstein Ballroom, em Nova York. “Sinto como se estivéssemos nos conectando com a nação norte-americana de novo.”

Kapranos, 41, passou a tarde antes do show mergulhado em um bom livro. “Estou lendo uma coletânea de contos de um cara chamado Etgar Keret, um escritor israelense”, ele diz. “Se chama The Bus Driver Who Wanted to Be God. Então fui até o Central Park e li meu livro. Que coisa boa poder fazer isso quando se é um cara de Glasgow que toca numa banda de rock!”

Nós falamos sobre o início da banda, por que eles quase terminaram antes do novo álbum e mais. Leia uma transcrição levemente editada da conversa com a Rolling Stone EUA.

Do que você lembra da primeira vez que fez uma turnê pelos Estados Unidos?
Nossa primeira viagem foi para Nova York. Foi há quase dez anos, depois que o primeiro disco saiu. Nós tocamos no Pianos primeiro, então tocamos em um lugar em que eles tinham uma menina vestida de sereia nadando em um tanque. Acho que fechou um mês depois de termos tocado lá. E daí tocamos no Mercury Lounge. Eu lembro particularmente de Pianos. Existia alguma legislação que Giuliani fez que não permitia mais de três pessoas dançando ao mesmo tempo [sem uma licença de cabaré]. Para uma banda que supostamente tocava música para as pessoas dançarem, pareceu um pouco absurdo. Então eu lembro de dizer depois de cada música, “Obrigado por não dançarem”! [Risos]

Você lembra de ter pensado na época se a banda ainda estaria junta em 2013?
Não faço a menor ideia. Não há como prever como você vai se dar com as outras pessoas, sabe? Quer dizer, estou muito orgulhoso por ainda estarmos juntos e por ainda sermos amigos, acima de qualquer outra coisa. Eu acho que permanecermos amigos é uma conquista maior do que continuarmos gravando discos.

Você afirmou não ter certeza se queria continuar com a banda depois do último álbum [Tonight de 2009]
É. Eu só queria manter a banda se continuássemos amigos e nos déssemos bem e fazer música fosse prazeroso. Então eu me encontrei com Bob [Hardy, o baixista do Franz Ferdinand] e conversamos sobre o assunto. Era mais o relacionamento meu com Bob que precisava ser trabalhado. E fomos Bob e eu que formamos a banda, em primeiro lugar, então precisava funcionar.

Por que vocês se afastaram?
Não há um grande mistério por trás. Nós apenas paramos de falar um com o outro da maneira que convinha. Sabe, eu entrevistei [o guitarrista] Wilko Johnson recentemente e o que ficou comigo da experiência foi como ele se arrependeu de não ter feito as pazes com Lee Brilleaux, cantor do Dr. Feelgood. Foi exatamente a mesma coisa. Eles pararam de se falar, e esses ressentimentos idiotas acabaram separando uma das melhores bandas da Inglaterra. Eu queria ter certeza de que isso não aconteceria conosco.

Como vocês acabaram fazendo um novo álbum?
Escrevemos como se estivéssemos compondo um set de EP ou de singles – escrevemos três ou quatro faixas, tocávamos em um show ao vivo e depois gravávamos rapidamente. O princípio era não ir pro estúdio até termos as músicas. Eu gosto da ideia de uma boa música. Eu sei que soa burro e estúpido e óbvio, mas as pessoas se esquecem disso. Tipo, fizemos uma cover da faixa “Oblivion”, da Grimes, numa rádio francesa recentemente. Essa música é ótima. Mas eu li algumas coisas sem noção falando da música como se ela fosse revolucionária. Em termos de sonoridade, ela é ótima e original – mas a essência da popularidade da música é o fato de ela ser ótima! Liricamente, é poderosa e tem uma melodia linda que é simples. Por isso que quisemos fazer a versão.

Escrever é fácil para você?
É algo que curto, então não é um dever. Tem, geralmente, duas fases. Uma é a fase sem esforço, quando a ideia simplesmente vem. Então tem a parte de editar e talhar. Eu lembro de ler sobre Raymond Carver e como ele trabalhava com o seu editor [Gordon Lish]. Tem duas versões de What We Talk About When We Talk About Love, a versão editada e a versão original. Pessoalmente, prefiro a editada. Tem uma aridez e uma magreza no texto que eu realmente amo, e eu acho que é isso que você encontra em uma boa música pop. É um apelo que me atinge. Tem um prazer quase masoquista em cortar parte de algo que você criou.

Um dos trechos de letra mais marcantes do novo álbum é “Não toque música pop, você sabe que eu odeio música pop”. Você realmente odeia?
Tem a ver com o contexto mais do que com qualquer outra coisa. Brinca com a ideia de ser um narrador duvidoso. Eu não sei porque existe o pressuposto de que o cantor e a eu-lírico são a mesma coisa. Você não acha que a Agatha Christie é assassina, sabe? Mas quando eu escrevi, tinha ido há dois funerais, e lido a respeito do funeral do [presidente francês François] Mitterand e sobre como sua esposa e sua amante e filha da amante estavam lá ao mesmo tempo. Que oportunidade maravilhosa se dirigir a essas pessoas! A primeira coisa que pensei foi, “Ah, certo, enquanto eu estiver desaparecendo em um buraco, não toque música pop”. Estou sendo irreverente. Mas geralmente funerais – especialmente em funerais de pessoas jovens – se tornam oportunidades de impor música ruim para os amigos pela última vez.

Então o que você gostaria que tocasse no seu funeral?
A marcha fúnebre de Chopin é bem incrível. Eu não sei. Eu não pensei muito no assunto.

Desculpe, foi uma pergunta meio mórbida.
Não, não. Esse é o lance. Eu não me importo de falar desse assunto. Eu acho que é uma doença da sociedade moderna, não ser capaz de falar sobre a morte. Sabe, minha avó morreu em janeiro, na Grécia, e ela teve um funeral tradicional ortodoxo grego, com o caixão aberto, e lógico que foi um momento traumático e horrível. Mas tem algo que eu realmente gosto sobre a natureza do funeral em si – foi um encerramento completo. Você percebe que é o final.

Agora que vocês alcançaram a marca dos dez anos, você acha que estará de volta para uma turnê em 2023?
Quem sabe? Eu tenho certeza de que estarei fazendo música, de uma forma ou de outra, porque eu sempre fiz – se eu ainda estiver por aí, sabe? Essa é outra coisa que você não consegue prever. Então, é. Se ainda estiver aqui, pode ser que sim.

 

FONTE: Rolling Stone Brasil (Rolling Stone EUA) / Foto: Sacha Lecca

Franz Reunido | Q entrevista: Franz Ferdinand – 2ª parte da matéria, Revista Q 10/2013 [Traduzida]

31 de outubro de 2013 às 4:05 por Simone


Continuação da entrevista do Franz para a revista Q. A primeira parte você pode ler AQUI.

Tradução e agradecimentos: Cristina Renó

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Incapazes de imaginar um futuro para a banda, eles passaram um ano separados. Hardy voltou a pintar. O realista Thomson, que voltou da América do Sul com artrite reativa e um cisto facial, trabalhou de DJ, tocou com o grupo de art-rock Correcto e fez ‘coisas de pai’. “Depois do primeiro álbum nós sentíamos que estávamos numa esteira e não conseguíamos sair dela”, ele diz enquanto come um hambúrguer com Blood Mary. “Eu descobri que era muito embaraçoso ser um astro do rock. Meus amigos em Glasgow têm flats de um quarto e empregos que pagam mal então acho que eu fiquei com vergonha por causa disto. Chegou a um ponto que eu estava resolvido que eu ia desistir de tudo e arranjar um emprego decente, eu pensava em abrir uma loja, mas eu sou muito ruim para lidar com dinheiro.”

Kapranos produziu os álbuns da banda indie Citizen! e do guitarrista escocês RM Hubbert, restaurou algumas amizades antigas que tinham murchado por causa da negligência e aprendeu a fabricar cidra em sua casa, em Dumfriesshire: “Eu tenho a tendência de ficar obcecado com algo até eu sentir que sei como fazê-lo.” McCarthy se tornou pai e trabalhou com outros projetos musicais, incluindo o Box Codax, seu projeto paralelo com a esposa austríaca Manuela Gernedel, apenas para perceber quanto ele sentia falta do Franz. “Os outros projetos eram fascinantes, mas eu percebi que temos algo realmente especial. As outras bandas nunca foram assim.”

Mas o intervalo não fez nada para aliviar a melancolia de Kapranos, então ele convidou Hardy para ir a Orkney (“território neutro”) para contar as más noticias. Pouco antes da viagem, ele falou com Diane Martel, a veterana diretora de vídeo, cujos créditos incluem Do You Want To, do Franz, e o notório Blurred Lines, de Robin Thicke. “A Diane ficava “Ah, não seja ridículo! Vocês todos estão sendo imaturos!” E ela estava totalmente certa. Se não fosse por Diane eu provavelmente não teria sido forte o suficiente para estimar a amizade que eu tinha que fez da banda algo bom. Foi preciso uma mulher muito astuta do Brooklyn para ser o catalisador. Bob e eu estávamos falando muito mais com a Diane do que um com o outro.” Ele suspira. “Bob não queria falar [com a imprensa] sobre isso e ele provavelmente estava certo. Eu provavelmente vou me arrepender de ter contado isto.”

Hardy tenta evitar entrevistas, mas ele provavelmente é o membro mais intrigante do Franz: o purista estético, o estudante de arte que nunca teve a intenção de estar numa banda e ainda assim é fundamental para a sobrevivência de uma. Para o Letterman, ele veste uma camiseta onde se lê: “No Noise Quiet Life” (Sem barulho vida quieta). Com relação à ‘right words’ (palavras certas), Buda aconselha seus seguidores “a se abster de tagarelice inútil que falte propósito ou profundidade”. Buda teria gostado de Hardy.

Ele foi para Orkney para convencer Kapranos a ficar?

“Meu deus, não! Eu não estava incomodado. Eu não fui para salvar a banda. Eu fui para salvar nossa amizade. A última coisa que eu queria era convencer alguém a fazer um álbum que não quisesse fazer.”

Se o Franz tivesse acabado, ele teria desistido da música e voltado à arte visual. Ele tinha até planejado transformar seu baixo em uma mesa de centro como um gesto simbólico. Kapranos não tem certeza do que teria feito. “Às vezes acho que a vida de um artista solo é solitária,” ele diz pensativamente. “É mais divertido estar num bando.”

Uma úmida noite de terça feira no Brooklyn. Dentro do Glasslands, um armazém convertido com capacidade para 275 pessoas em Williamsburg, Thomson está de DJ enquanto rostos do Brooklyn, incluindo Har Mar Superstar e o guitarrista do Yeah Yeah Yeahs, Nick Zinner, estão no bar.

Foi vendido como um DJ set e uma audição do álbum, mas assim que acaba, o Franz Ferdinand se materializa no pequeno palco no canto da sala e ataca com uma divertidamente intensa set de 13 músicas. Rodeando Kapranos como um nó apertado, a banda parece um bando novamente.

Logo após, no backstage, sem camisa e brilhando de suor, o vocalista parece satisfeito. “De uma maneira, eu prefiro esse tipo de show,” ele diz. “Festivais são divertidos, mas você se sente deslocado. Eu gosto de me sentir próximo dos outros caras.”

Fazer o novo LP foi uma oportunidade para evitar os erros dos últimos dois. “Voltou a ser mais como era no começo, antes de saberem que estávamos numa banda,” diz Thomson. Todas as músicas foram compostas antes, testadas ao vivo e gravadas em curtas sessões com vários produtores, incluindo Alexis Taylor e Joe Goddard, do Hot Chip, e com Björn Yttling do Peter, Björn & John. As músicas são criaturas tão velozes e energéticas que você pode não notar que elas estão se contorcendo de pânico existencial, autocrítica e arrependimento. Na confessional Stand On The Horizon, Kapranos canta “I’m the cruellest man you have known”  (sou o homem mais cruel que você conheceu). Fresh Strawberries disfarça astuciosamente seu pessimismo (We will soon be rotten/we will all be forgotten – Nós em breve apodreceremos/todos nós seremos esquecidos), com ensolaradas harmonias no estilo Big Star.

É notório que o recente encontro da banda com a morte [da banda] não foi a única coisa perturbando Kapranos nos últimos anos. Ele menciona ter chegado ao título do álbum enquanto procurava por respostas para ajudar com ‘umas coisas que eu estava passando’, mas educadamente se recusa a elaborar.

Mas era algum tipo de crise pessoal?
“Muitas coisas, sim, é.”

Kapranos parece envergonhado com a previsibilidade dos erros quase fatais do Franz Ferdinand. Ele leu o suficiente sobre bandas para saber que não se faz turnê por muito tempo sem uma pausa, você não vai para o estúdio sem nenhuma música e você não para de conversar. Mas o Franz cometeu todos eles do mesmo jeito. “Qual que é a do homem britânico, que é incapaz de se comunicar?” ele diz. “É engraçado que o ponto da banda é comunicar ideias e emoções. Talvez por isso fomos levados a formar a banda, pois não conseguimos nos comunicar em nossas vidas. Esses homens inarticulados emocionalmente fazendo música.”

A Q relembra Kapranos que, ano passado, um fã no Twitter pediu conselhos sobre estar numa banda. Ele respondeu: “Nunca faça cover de Oasis. Nunca esqueça seus amigos. Sempre se divirta.”.

“Eu devo ter falado isso porque chegou a um ponto em que eu me esqueci de fazer todas essas coisas.” Kapranos diz pesarosamente. “Bom, isto não é verdade. Eu nunca fiz cover de Oasis.”

FONTE: Q Magazine – outubro 2013

Franz Reunido | Q entrevista: Franz Ferdinand – 1ª parte da matéria, Revista Q 10/2013 [Traduzida]

20 de outubro de 2013 às 15:18 por Simone


Traduzimos mais uma entrevista com o Franz, agora na revista Q.
Primeira de duas partes. A segunda estará no site em breve.

Tradução e agradecimentos: Cristina Renó

HÁ DOIS VERÕES, ALEX KAPRANOS CONVOCOU UMA REUNIÃO PARA RESOLVER A CRISE DO FRANZ FERDINAND: ELE QUERIA SEPARAR A BANDA. AGORA, ELES ENTREGAM SEU MAIS FORTE LP ATÉ A DATA. A Q VIAJA PARA NOVA YORK PARA DESCOBRIR O QUE ACONTECEU.

POR DORIAN LYNSKEY

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É uma tarde de segunda-feira nos consagrados, porém gastos, corredores do Ed Sullivan Theatre em Nova York, o lar do Late Show With David Letterman. O Franz Ferdinand está aqui para iniciar uma blitz de uma semana promocional para seu quarto álbum Right Thoughts, Right Words, Right Action. Apesar de sua duradoura propensão a camisas elegantes e calças justas, o vocalista Alex Kapranos, o guitarrista Nick McCarthy, o baixista Bob Hardy e o baterista Paul Thomson estão longe de serem os convidados mais glamourosos desta noite. Cate Blanchet passa, proibitivamente elegante e serena, como um fabuloso híbrido de humano e cisne. “Ela é aquela do Titanic?”, pergunta Kapranos, equivocadamente.

Esta é a quarta apresentação do Franz Ferdinand no Letterman. “A primeira vez que tocamos aqui, ele chegou e disse ‘Bem-vindos ao nosso país’”, relembra Kapranos. “Era como se ele estivesse falando com marcianos”.  Ele cutuca o forro do teto no camarim para encontrar uma cápsula do tempo que a banda escondeu lá em cima, mas o forro foi vedado desde então, tornando esse fragmento do passado irrecuperável.

Isto foi em 2004, quando o Franz Ferdinand era a banda mais afiada e inteligente do rock britânico em anos: a resposta espirituosa dos britânicos à The Strokes, herdeiros da Roxy Music, Orange Juice e Pulp; cérebro art-rock com quadris de disco. Seu autointitulado álbum de estréia vendeu 3,6 milhões de cópias no mundo inteiro e venceu o Mercury Prize. Nos Estados Unidos, o Franz obteve sucesso onde o Britpop fracassou: o LP ganhou disco de platina e seu hino não convencional Take Me Out bateu Jay-Z e Usher chegando ao topo da prestigiada enquete anual de críticos, a Village Voice.

Foi um primeiro ano tão perfeito quanto qualquer banda poderia desejar, mas a perfeição é difícil de manter. Enquanto seu segundo álbum You Could Have It So Much Better apareceu apenas 18 meses depois, o pouco convincente Tonight: Franz Ferdinand não surgiu até 2009, altura em que o boom das bandas britânicas com guitarras que eles haviam encabeçado já estava implodindo. Aparentemente, eles pareciam nadar contra a maré. Internamente, como a Q descobrirá, eles estavam se afogando.

Desde o título, Right Thoughts, Right Words, Right Action, indica um retorno a seu foco e precisão inicial. Kapranos é modesto à respeito da origem do título, mas parece ser uma paráfrase cheia de vida de três passos do Nobre Caminho Óctuplo para o Nirvana, de Buda. Não é um mau lugar para buscar conselhos.

De pernas cruzadas num sofá em sua suíte de hotel no Lower East Side na manhã seguinte, Kapranos é tanto educado quanto reservado, uma combinação que significa que ele continua evitando perguntas e se desculpando por ser evasivo. Ainda inacreditavelmente esbelto e elegante aos 41 anos, o homem que parecia tão suave e dominante no Letterman é um entrevistado agitado, fechando os olhos repetidamente, despenteando seu cabelo e colocando a cabeça entre as mãos. “No palco sou um exibido, mas na vida normal sou exatamente o oposto”, ele diz. “Eu não sou o tipo de pessoa que gosta de chamar atenção para si mesma.”

Nos dois últimos LPs, no entanto, ele sentiu que sua reticência sabotou suas composições – “Você está ocultando essas letras pessoais em distrações e referências obtusas para fazê-las confissões tão incompreensíveis quanto elas podem ser” – então ele está tentando, contra seus instintos naturais, ser sincero. Enquanto ele explica como o álbum começou com uma reunião com Bob Hardy na ilha de Orkney há dois verões, Q tem a sensação de que ele está omitindo alguma coisa. Ele alguma vez perdeu a fé na banda?

Ele torce o rosto e ri nervosamente. “Vou ser diplomático ou vou ser honesto?”

Honesto, por favor.

“Eu fui até Orkney dizer ao Bob que eu queria acabar com a banda.”

Antes do Franz Ferdinand ser uma banda, era uma ideia fantástica para uma banda. Quando Kapranos e Hardy estavam trabalhando juntos na cozinha de um restaurante em Fort William em 2000, eles ficavam se queixando sobre as músicas da Radio 1 e então, ao final do turno, conversavam sobre os discos que eles realmente amavam e o tipo de banda que eles gostariam de ver: uma que encontrasse o olhar do público, que expressasse emoções intensas, combinasse a urgência do pop com a vitalidade experimental e se vestisse para matar. ”Nós conversamos sobre toda essa merda antes mesmo de ter feito um álbum”, diz Kapranos. “Estas aspirações sobre o que faz uma banda ser ótima ao invés de apenas um bando de caras tocando música juntos.”

Kapranos tinha 28 anos e sentia que talvez fosse tarde demais. Quando adolescente em Glasgow, ele cresceu completamente apaixonado por prodígios condenados como Buddy Holly e o poeta da guerra Rupert Brooke. “Eu me lembro de completar 21 e ficar mal durante as semanas seguintes: ‘Tenho 21 anos e não fiz nada! ’”, ele conta, rindo de sua própria juventude.

Ele sentiu que tinha estragado suas chances de vez quando sua primeira banda de verdade, The Karelia, foi largada pela Roadrunner depois de um álbum decepcionante em 1997. “Nesta época eu estava com 27 e achei que tinha perdido a chance”, ele diz. “Se você está fazendo para ter algum sucesso você deve tê-lo feito po essa idade. Então eu mudei minha perspectiva. Nós estávamos fazendo (o Franz Ferdinand) puramente para nos divertir. Não havia desejo de obter sucesso. Nós achávamos que venderíamos 500 cópias do single, pois era isso que as bandas que conhecíamos vendiam.” Paul Thomson relembra, “Nosso empresário disse ‘Eu realmente vejo potencial do Pulp/Stone Roses’. Eu pensava ‘Cale a boca!’”.

O Franz Ferdinand se juntou, em 2002, de maneira pouco ortodoxa. Thomson, o único escocês nativo, era um baterista que queria ser guitarrista. McCarthy (que, como Thomson, Kapranos havia conhecido em uma festa) tinha estudado piano e contrabaixo no Conservatório de Munique, mas nunca tinha tocado guitarra antes. Hardy, um ‘não-músico’ que estava estudando na Glasgow School of Art, concordou sob coação a aprender tocar baixo. “Foi tudo na base da intuição por dois anos”, ele diz, fazendo uma careta. “Foi aterrorizante. Eu não sabia os nomes das notas então, se eu me perdesse, estava ferrado!”

Ele achou que teria mais tempo para aprender, mas a ascensão do Franz foi rápida e vertiginosa. Para sua grande surpresa, eles acabaram sendo a banda que as pessoas estavam esperando. Kapranos recorda, inicialmente, como um alegre reconhecimento . “Tudo parecia certo, pois tudo veio de nós: cada música, cada parte do design das capas, cada ideia para os vídeos. Isso foi ficando mais difícil.”

A alegria logo se transformou em frustração, pois havia tanta pressão e tão pouco tempo para escrever músicas novas. Kapranos e McCarthy, enlouquecidos pelo estresse, foram mesmo às vias de fato depois de um show em Paris no final de 2004. “Eu me lembro de pensar, ‘Vocês que se f*dam, eu vou fazer esse álbum [You Could Have It So Much Better, de 2005] o mais rápido que eu puder”, diz Kapranos. “Eu não me importo o quanto estou fisicamente esgotado. Vou fazer isso por que é o que o The Smiths, The Beatles e Bowie fizeram! Mas é claro que o The Smiths não fez uma turnê de nove semanas nos Estados Unidos. Isso tem um efeito extremamente prejudicial para a produção da banda. Você deveria estar criando essas coisas, não apenas executando-as.” Thomson diz que foi gravado “em um estado de pânico: se a gente sumir, as pessoas vão se esquecer de nós.”.

Ao mesmo tempo, Kapranos percebeu que ele não queria ser uma celebridade. Como a estrela do rock mais letrada e amigável para a Radio 4 desde Jarvis Cocker, ele foi bombardeado com tentadoras distrações. Ele aceitou uma coluna sobre comida para o The Guardian, mas desistiu quando começou a receber convites para apresentar programas de culinária na TV. Ele recuava com perguntas sobre seu relacionamento com Eleanor Friedberger, do Fiery Furnaces, que acabou em 2009. Ele se tornou ainda mais defensivo depois de sofrer com as atenções de um perseguidor.

Se o segundo álbum foi feito muito rápido, então o Tonight: Franz Ferdinand, de 2009, teve o problema oposto. Foi um processo longo e infeliz, cheio de falsos começos e fatigantes sessões de 14 horas. “Foi terrível”, diz Hardy. “Nós íamos para este espaço sem nenhuma música e começávamos a tocar, que é a coisa que menos prefiro fazer no mundo”. A gravação intensificou seus temores, iludindo sua entrada na carreira da músico. “Eu odeio sentar numa sala enquanto Alex e Nick conversam sobre escalas maiores e menores e seja lá o que mais. Era como estar numa sala com pessoas que falam outra língua e você só sabe o bê-á-bá.”.

Mas o álbum foi moleza, comparado com o ano em turnê, que finalmente terminou na América do Sul, em abril de 2010. “Se há algum ressentimento em relação a alguém, isso pode ser bom no palco. Há uma faísca,” diz o esguio e forte, otimista McCarthy. “Mas já no final da turnê eu estava no palco, havia milhares de pessoas me assistindo e eu não estava sentindo nada. E quando acabamos a turnê, nos sentimos vazios. Não havia sobrado nada. Foi realmente um revés. Foi meio ano de quase-crise-de-meia-idade, só deitado na cama, sem fazer muito”.

“Nós simplesmente paramos de falar uns com os outros”, diz Hardy, que atribui parte da culpa ao excesso de bebida. “Foi uma bagunça”.

*** (continua…)

FONTE: Q Magazine – outubro 2013 / Foto: Andy Knowles

Franz na Third Man Record Booth

19 de outubro de 2013 às 14:09 por Simone


O Franz está em turnê pelos Estados Unidos e na passagem por Nashville a banda deu uma parada na Third Man Records (gravadora de Jack White).
Alex e Nick parecem que não resistiram e acabaram testando a Third Man Record Booth, uma cabine de 1947 totalmente restaurada e que foi lançada na Record Store Day de 2013. Essas cabines eram comuns na década de 40 mas acabaram caindo em desuso nos anos 60/70.

A cabine permite que você grave até 2 min do que quiser: mensagem, música ou um cartão postal em forma de áudio e em seguida ela produz um vinil personalizado com a gravação. Você pode levá-lo pra casa ou enviar para alguém especial. A máquina fica dentro da loja e é aberta ao público.

O que será que eles andaram gravando lá dentro? Algum palpite?

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Você pode ver fotos e um vídeo bem interessante de como funciona a máquina. Vários outros artistas também já experimentaram, incluisve o próprio Jack White – ouça aqui

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FONTE: Instagram thirdmanrecordsofficial / Third Man Records

“Só somos estrelas quando estamos no palco“ – Revista Visão 08/2013

16 de outubro de 2013 às 5:11 por Simone


Right Thoughts, Right Words, Right Action é o título do novo disco da banda escocesa. Que, ao que quarto álbum, traz de volta o rock dançável dos seus primeiros trabalhos. Um regresso que, afinal, talvez não o seja, explicam os músicos, numa conversa exclusiva com a VISÂO.

 

 

 

POR MIGUEL JUDAS, EM LONDRES

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Há já muito tempo que não se ouvia falar dos Franz Ferdinand. Recentemente, surgiram até rumores sobre a separação dos músicos da banda de Alex Kapranos, Nick McCarthy, Bob Hardy e Paul Thomson, nunca negada pelos próprios. Apesar das boas críticas, o último disco de originais, Tonight: Franz Ferdinand (2009), foi recebido com desconfiança pelos fãs, por se afastar da matriz de guitarras a alta velocidade que tornou o grupo numa das mais populares bandas rock da primeira década do século XXI. No universo pop-rock, quatro anos é uma eternidade. Agora que um novo álbum, Right Thoughts, Right Words, Right Action (Domino), está prestes a sair (é lançado na próxima segunda-feira, dia 26), a palavra <<regresso>> impõe-se como um bom início de conversa com o vocalista Alex Kapranos, 41 anos, e o baterista Paul Thomson, 36 anos. Escrevemos <<regresso>>?…

<<Demorámos 32 anos para gravar o primeiro álbum, portanto estes quatro nem me parecem assim tanto. E a ti Paul?>>, atira Kapranos. O baterista encolhe os ombros e, apesar do sorriso, passa ao contra-ataque: <<É por isto que os Boards of Canada [banda escocesa de indie rock] não falam com os jornalistas. A primeira pergunta que lhes fazem é sempre essa: ‘Porque demoraram tanto tempo?’>> A VISÃO insiste, mas a resposta não se faz esperar. <<Essa coisa dos regressos lembra aqueles cantores dos anos 60, que passavam algum tempo a fazer cinema e televisão e depois regressavam à música com um grande alarido. Mas regressar de onde? Parece-me uma expressão um pouco arcaica para ser usada a nosso respeito>>, afirma Alex Kapranos. <<Há muitas bandas que demoram algum tempo a editar discos novos, como é o caso dos Coldplay ou dos U2, e ninguém acha estranho. É algo que tem a ver com a longevidade dos grupos: se queremos ter uma carreira longa, com alguma relevância artística, não podemos lançar discos todos os anos, que foi o que aconteceu com os nossos dois primeiros trabalhos, porque, nessa altura, estávamos cheios de ideias e editar só um álbum não foi suficiente>>, acrescenta, rindo. O vocalista continua: <<Podíamos ter demorado menos e criar um álbum de merda. Foi uma opção nossa fazer o trabalho que queríamos, sem estarmos preocupados com o tempo.>>

A verdade é que outras bandas contemporâneas dos Franz Ferdinand, como os norte-americanos White Stripes ou The Strokes, que contribuíram igualmente para dar uma nova vida ao rock, nos primeiros anos do novo milênio, desapareceram, entretanto. E o silêncio a que os escoceses se remeteram, depois de editarem os álbuns Franz Ferdinand (2004), You Could Have It So Much Better (2005) e o referido Tonight: Franz Ferdinand (2009), também não ajudou, sublinhamos… <<Reconheço que isso possa ter causado alguma especulação quanto ao futuro da banda, mas se decidimos parar de falar com os jornalistas foi porque, simplesmente, não tínhamos nada para dizer. É a diferença entre ser músico e ser uma celebridade. Estamos aqui hoje porque temos um disco novo e queremos que os leitores da VISÃO desfrutem dele, não tem nada a ver com questões de ego ou de fama>>, justifica Alex.

O rótulo de estrela rock teima em não se colar à pele do frontman da banda: <<Só somos estrelas quando estamos no palco. Quando o concerto acaba, voltamos a ser pessoas normais. Eu era muito mais espalhafatoso quando tinha 20 anos, mas, felizmente, nessa altura, ninguém me conhecia. Ainda bem que só gravei o primeiro disco aos 32 anos, seria um tipo insuportável se o tivesse feito antes>>, declara Kapranos, que, antes de se dedicar ao rock, foi cozinheiro e professor universitário.

Um disco como antigamente

Right Thoughts, Right Words, Right Action começou a ser preparado em 2011, nos estúdios caseiros de Alex Kapranos e do guitarrista Nick McCarthy. <<No início, fizemos sete músicas seguidas, mas as outras surgiram espaçadamente. Não foi <<chegar, sentar e gravar>> as dez canções. Tratou-se de um trabalho muito longo, desde a composição à escolha final dos temas. Mas, acima de tudo, foi um processo divertido>>, conta Paul Thomson. <<Foi por essa razão que estivemos isolados durante tanto tempo. Ninguém sabia nada sobre o que estávamos a fazer, nem sequer a editora>>, corrobora Alex. Entendem agora a primeira pergunta do repórter? <<Claro que sim, até porque neste disco, fizemos tudo ao contrário.>>

Por exemplo, no modo como deram a conhecer aos fãs as novas músicas: sem aviso, em abril passado, durante um concerto nos EUA. No dia seguinte, estavam todas no Youtube e quem quisesse podia ouvir o disco completo. <<Mais transparente que isto é impossível. Ao contrário da maioria das bandas, que não revelam as músicas mas colocam informações diárias na internet para aguçar a curiosidade dos fãs, assumimos uma atitude muito mais honesta. Não me incomoda nada que as pessoas partilhem os nossos concertos, até porque nem sequer percebo muito bem como funciona a indústria musical>>, diz, entre risos, Kapranos. A fuga de informação permitiu perceber a reação do público: <<Foi muito bom sentir que as pessoas viam um disco novo dos Franz Ferdinand como uma boa notícia.>>.

O vocalista passa, subitamente, de entrevistado a entrevistador: <<Já ouviu o álbum? Qual a música de que gostou mais?>> Hum… talvez Love Illumination e Goodbye Lovers and Friends. <<E porquê?… Bem, porque sim… Boa resposta, vou usá-la nas entrevistas, Love Illumination tem, de facto, um grande riff de guitarra, e é muito divertida de tocar ao vivo>>, concorda Alex.

O postal misterioso

O título do novo disco não remete para uma posição política mas pode ser assim interpretado nos atuais tempos de crise, o que não incomoda os músicos, muito pelo contrário. <<Vivemos uma época de protestos na Europa, e é normal que possa ser lido assim>>, reconhece Kapranos. O músico assume estar, hoje, muito mais desperto para as questões sociais. <<Tenho família a viver na Grécia e acompanhei de perto as consequências da crise econômica que também está a afetar Portugal. O ressurgimento da extrema-direita, por exemplo, é um sinal de alarme que não podemos ignorar. Apesar de não ser necessariamente uma posição política, [o título] é uma frase e um sentimento que pode e deve ser aplicado nesse campo>>, conta.

A história por detrás de Right Thoughts, Right Words, Right Action tem tanto de prosaica como de misteriosa: <<O nome do disco surgiu depois de eu ter encontrado um postal numa feira da ladra, com uma frase escrita: ‘Regressa a casa, praticamente tudo está quase perdoado.’ Parece o início de um romance que deixa tudo em aberto e nos põe a pensar. Será que eu iria para casa? E o que é praticamente tudo?>>, explica Alex. Mas a história não se fica por aqui: o postal, enviado de França para uma morada em Londres, está endereçado a Karel Reisz, realizador de origem checa falecido em 2002, pioneiro do movimento Free Cinema inglês e autor de Saturday Night and Sunday Morning, um dos filmes favoritos de Kapranos. <<Foi uma coincidência muito bizarra, um daqueles momentos que nos faz refletir.>> A enigmática mensagem acabaria também por ser usada na letra da primeira faixa do disco, Right Action.

Com o novo álbum, a banda regressou à estrada. Para já, não há qualquer concerto agendado no nosso país, mas não será de estranhar que o quarteto volte em breve. <<Adoramos tocar em Portugal. A última vez foi o ano passado, num festival [Marés Vivas] no Porto. Eu fui, com a minha namorada, uma semana antes. Alugámos umas bicicletas e andámos a explorar a cidade. Come-se muito bem, no Porto. Adorei os restaurantes de peixe, em Matosinhos. Mas não vamos falar de comida, se não me calo>>, confessa o músico, que é autor do livro Snacks e Outros Sons, sobre as experiências gastronómicas da banda em digressão. Voltemos então ao palco, que, passados dez anos, continua a ser o território natural da banda. Porque é que tocar ao vivo será assim tão importante para os Franz Ferdinand? <<Bem, porque sim… >>

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Right Thoughts, Right Words, Right Action – Posto de escuta
A VISÃO ouviu o novo disco dos Franz Ferdinand. E gostou

Right Thoughts, Right Words, Right Action remete para os melhores tempos da banda, quando temas como Take Me Out, This Fire e Do You Want To invadiram as pistas das discotecas com um rock de guitarras que puxava à dança. Ao mesmo tempo, soa a novo, não se limitando às velhas fórmulas de sucesso. É composto por dez temas de ambientes musicais diversos mas imediatamente identificáveis com o <<som Franz Ferdinand>>. E esse é o melhor elogio que, agora, pode ser feito ao quarteto de Glasgow. <<Queríamos soar ao mesmo, mas de forma diferente>>, assume Alex Kapranos. <<Há sonoridades novas, porque é bom abrirmos os nossos horizontes, mas também é importante manter a essência do que somos.>>

 

FONTE: Revista VISÂO / Foto: Andy Knowles

De volta como um estrondo o Franz Ferdinand está focado – 2ª parte da matéria, Revista NME 21-09-13 [Traduzida]

29 de setembro de 2013 às 9:14 por Simone


O Franz Foi capa da revista NME de 21-09 com uma matéria onde a banda conta como esteve a ponto de se separar e deu a volta por cima. Deixamos aqui a segunda e última parte traduzida. A primeira parte pode ser lida aqui

Junto com a revista vem um CD com faixas escolhidas pela própria banda que você pode baixar AQUI

Tradução e agradecimentos: Cristina Renó

Franz Ferdinand NME 21-09-13

Por volta de Junho de 2011, o Franz Ferdinand estava praticamente acabado. A breve centelha de otimismo em Paul pós-Bowlie já havia se apagado. Bob tinha “ajeitado a minha vida como se já tivesse deixado [a banda]” e não conversava mais com Alex, que estava seriamente considerando por um fim na banda. Até mesmo Nick – que contesta a ideia de que o Franz tinha praticamente deixado de existir durante o início de 2011 – admite que ao final da turnê de ‘Tonight…’, “eu estava muito feliz em ir e poder fazer alguma outra coisa. Eu já não estava mais sentindo muita coisa no palco. Se você está tocando em frente a milhares de pessoas e não está sentindo nada, tem algo errado em alguma parte”.

“A gente geralmente brigava depois do show,” diz Alex, quando eu pergunto sobre o que era a típico discussão entre eles. “Mas todas as brigas são por motivos bestas, não são? Ninguém nunca briga porque se discorda da visão política de seus colegas de banda, ou por causa da atitude do governo do Reino Unido em relação à Siria”.

“Imagine ir à uma festa com três amigos e ficar trancado lá por três anos”, diz Bob sem muita emoção. “Foi mais ou menos isso o que aconteceu. Quem quer ir ao pub com os mesmos três caras todas as noites pelo resto de sua vida?”

Basta dizer, eles estavam cansados uns dos outros. O ímpeto de resolver as coisas veio afinal de Diane Martel, uma amiga da banda que tinha dirigido o vídeo de ‘Do You Want To’ (e também está por trás do vídeo de ‘Evil Eye’).

 “Bob e eu estávamos falando com Diane via e-mail numa época em que não estávamos nos falando”, explica Alex, “e eu perguntei a ela o que ele vinha fazendo naqueles dias. Ela disse ‘Por que você não me diz? Por que vocês não estão se falando?’ Então foi que tudo aconteceu e eu não sabia se queria manter a banda. Diane é uma brilhante, nativa do Brooklyn de fala franca e não existe frescura nela, então ela basicamente me disse ‘Que merda vocês estão fazendo? Se encontrem e resolvam’. Então nós fizemos.”

Com o impulso de Diane, Alex e Bob bateram em retirada para Orkney onde, no curso de alguns poucos dias, buscaram decidir o destino da banda, mas também ‘por o sangue de volta nas veias de nossa amizade’. Em mais de uma ocasião, Alex se refere ao tempo deles na ilha como “a cúpula de Orkney”. É uma frase que evoca imagens de estadistas em sobretudos sentados para compor uma nova ordem mundial a partir dos destroços da antiga e também põe em sua mente o verso final do single da banda de 2005 ‘Walk Away’: Alex smiles and Bob laughs, Paul pats Nick on the back (Alex sorri e Bob ri, Paul dá um tapinha nas costas do Nick). A realidade, no entanto, não era assim tão generosa.

 “Nós ficamos muito bêbados”, Bob dá de ombros. “Nós estávamos em um pub em uma pequena vila e finalmente as pessoas locais nos reconheceram, e então começaram a tocar nosso primeiro álbum na jukebox. Enquanto isso nós estávamos sentados num canto, completamento bêbados, indo,” (Começa a balbuciar) “E vou te contar outra coisa…”

Enquanto estava em Orkey, Alex percebeu que “se você aceitar que você pode enfiar a faca e cortar a garganta, então é você quem segura a faca, é você quem define a agenda e não tem nem um outro puto que pode fazê-lo para você. Eu tenho muito respeito pela nossa gravadora, por nossos fãs e nosso empresário, mas eu não estou dando a mínima para as expectativas de ninguém mais e essa é a sensação mais libertadora”.

Esta percepção foi o que os permitiu fazer ‘Right Thoughts…’. O Franz Ferdinand voltou com um brilhante, efervescente disco pop, mas também distorcido e atípico. Após encarar a mortalidade da banda em Orkney, diz ele, as composições de Alex tiveram uma virada para o metafísico. Ainda é música para fazer as garotas dançarem, é claro, mas ao longo de suas 10 faixas você também encontra um traço de superstição mediterrânea (‘Evil Eye’), questões de crença e corporalidade (‘Fresh Strawberries’) e até mesmo uma música de separação contada de trás para frente (‘The Universe Expanded’) que usa a teoria do ‘O Grande Colapso’ (Big Crunch) do físico americano Andrei Linde como um elegante, engenhoso dispositivo de enquadramento. Enquanto isso, ‘Goodbye Lovers & Friends’ é cantada da perspectiva de alguém testemunhando seu próprio funeral e fecha o disco com uma nota divertida e deliberadamente ambígua “You can laugh as if we’re still together, but this really is the end” (Você pode rir como se ainda estivéssemos juntos, mas isso é realmente o fim).

 

CONSELHEIRA

A diretora Diane Martel fazendo o Franz se falar novamente.

Como você se tornou amiga da banda, em primeiro lugar?

Eu fui contratada para dirigir o vídeo de ‘Do You Want To’, e os conheci em Nova York durante as filmagens. Todos nós nos tornamos muito bons amigos depois disso: esses caras são meu amigos músicos preferidos.

Alex diz que foi você quem o convenceu a resolver as coisas com o Bob. Você se lembra como foi esta conversa?

Sim, foi basicamente o que eu fiz. Eu não me lembro exatamente como foi, mas eu me lembro de dizer para o Alex: ‘Você precisa ligar para o Bob. Você o ama como a um irmão.”.

Eles conversaram com você sobre por que as coisas se deterioraram tanto entre eles?

É difícil ficar tão próximo às pessoas por anos e anos numa situação profissional. A desconexão pela qual eles estavam passando naquela época era uma coisa normal,

Como é a sensação de ser parcialmente responsável por ter feito o Franz se reencontrar?

(Risos) Por favor, anote que eu ri disso! Eu não sou responsável por nada. Eles são uma banda importante e devem ficar juntos.

Nos fale um pouco sobre o video de ‘Evil Eye’.

É nojento! Paul está banhado em vômito, Nick tem seu olho arrancado… basicamente, é um obsceno banho de sangue. Foi feito como uma tirada engraçada de filmes de terror gore e splatter dos anos 70 (Gore e splatter são dois gêneros de filme de terror onde a escatologia é exagerada, com cenas de sangue em excesso, órgãos expostos e mutilações).

E como foi trabalhar com eles novamente? Tudo parecia estar de volta ao normal?

Sim, mas não havia nada de errado, em primeiro lugar. Tem de haver um pouco de desacordo. Bob e Alex tiveram uma briguinha e tudo o que eu fiz foi ajudar a colocar um Band Aid nisso.

 

Alex Kapranos sempre foi uma mistura curiosa de ceticismo e de superstição. Quando era criança, ele lembra de sua avó grega regularmente prevendo calamidades e desastres do fundo de sua xícara de café, mas ele também era fascinado pela rejeição inabalável de seu avô por toda a teologia. Quando estava na casa dos 20, isto o levou a estudar brevemente teologia na Universidade de Aberdeen, embora fosse mais curiosidade histórica do que convicção religiosa. Hoje, ele diz, “só porque religião não é parte de minha vida, isso não significa que eu ainda não tenha perguntas ou o desejo de encontrar as respostas. Há um conflito em minha alma entre a rejeição lógica da superstição e o desejo sincero de ter uma explicação para tudo. Então isso é um tema no álbum, essa ideia do ‘manual’ – não seria ótimo ter um conjunto de instruções para te guiar pela vida? Passei grande parte da minha vida procurando estes manuais na religião, na literatura, em filmes – Eu até mesmo virei para cantores de bandas.. E não há manual. Mas isso não quer dizer que você vai parar de procurar por ele.”.

Então como você descreveria a si mesmo – ateu, agnostico ou crente?

“Sabe, eu passei por essa situação interessante a cerca de dois anos atrás. Eu tuitei algo sobre como eu não tenho a fé necessária para ser um verdadeiro ateu e eu fui esmagado por ataques de ateus fundamentalistas, que eu nem sabia que existiam. Eu achei tanto decepcionante quanto revigorante perceber que babacas fanáticos não existem apenas no mundo da religião”.

Ao longo dos próximos dois dias, Alex encontra um outro grupo de fanáticos: Franz Ferdanatics. No andar de cima, no Brixton Electric, chegou um pacote no camarim deles de um fã europeu: bonequinhos de argila de 12 polegadas feitos meticulosamente à semelhança de cada membro da banda, tão precisos que tem até mesmo as mesmas roupas que Alex usa no palco. Lá em baixo, se alguém ainda estava em dúvida sobre o quanto sentiram falta do Franz Ferdinand, eles só precisam presenciar o local inflamar pela abertura do Nick, com as punhaladas angulares de guitarra em ‘This Fire’.

Na afterparty, estão presentes tanto Arni do The Vaccines como Peter Meyhew, do Palma Violets e Roxanne Clifford, do Veronica Falls, uma amiga da banda desde os dias quando eles faziam shows em quartos de amigos em comum. Nick está dançando Blondie embriagado, mas eu não vou até o Alex até a chamada do ônibus da 1am, quando ele me promete que nós “conversaremos direito” depois do show da noite seguinte, no QMU em Glasgow.

Em todo caso, este show é ainda mais selvagem. No entanto, quando eu entro no camarim depois, sou surpreendido ao encontrar a banda sozinha, se enchendo de curry para viagem. Um a um, Nick, Bob e Paul se retiram para o bar para encontrar amigos e familiares. Finalmente somos só Alex e eu, bebendo coquetéis de tequila. Quando eu pergunto onde ele acha que o Franz Ferdinand se encaixa no grande esquema das coisas do pop, ele se recosta, mais uma vez, na metáfora. “Eu me sinto da mesma maneira que sempre me senti”, ele diz, “que há um fragmento no topo que significa tudo para mim e tem o mais direto e poderoso efeito em minha vida. E há igualmente um pequeno fragmento inferior, que é repelente e faz com que eu me sinta doente. Tudo que está no meio me faz sentir o mesmo que se sente pelas construções pelas quais você passa no ônibus a caminho do trabalho: você não os nota, mas estão lá. É assim que eu sinto em relação à música pop: a maioria apenas está lá e eu não dou a mínima com relação a isso”.

O álbum novo acaba com uma nota fúnebre – ‘Goodbye Lovers & Friends – então eu decido terminar nossa entrevista da mesma maneira. Se o Franz Ferdinand chegasse ao fim, como você gostaria que fosse o epitáfio?

“Eu começarei a pensar em nosso epitáfio quando eu souber que precisamos de um”, ele responde. “E, é claro, vamos precisar de um algum dia, mas não está à vista nesse momento. Eu me sinto revigorado. Como banda, estamos mais vivos do que nunca. Talvez isto venha do que se considera estar vivo…”

… mas por batatas e liberdade você poderia morrer (but for chips and for freedom you could die)? “Há! Algo assim, sim…”

A data é 20 de Agosto de 2013.
Pensamentos: focados. Palavras: provocadoras. Ações: DE VOLTA.

 

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As numerosas capas do Franz Ferdinand relembradas

10 de janeiro de 2004
Um Franz extremamente jovem proporciona a Barry Nicolson uma tour pelo Chateau em ruínas.

01 de maio de 2004
“A Franzmania varre a nação!” Um concerto excede a capacidade, então o Franz atua no estacionamento.

22 de maio de 2004
O Franz encontra Morrissey na edição de Heróis. “Eles têm ‘isso’”, declara Moz.

14 de agosto de 2004
Uma interrogação do Fandom revela o gosto por Nik Naks sabor Rib’n’Saucy e a treta com Eminem.

8 de janeiro de 2005
O Franz edita a NME! Fandom de celebridades incluindo Kanye, e o guia para o pop alemão de Nick.

30 de julho de 2005
O Franz conta que quase de separaram uma vez, quando Alex e Paul usaram o mesmo pulôver. Sinceramente.

30 de janeiro de 2009
Aparentando seriedade na capa, o Franz conta tudo acerca de seu difícil, eletrônico terceiro álbum.

 

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FONTE: NME Magazine 21-09-2013

De volta como um estrondo o Franz Ferdinand está focado – 1ª parte da matéria, Revista NME 21-09-13 [Traduzida]

25 de setembro de 2013 às 4:03 por Simone


O Franz Foi capa da revista NME de 21-09 com uma matéria onde a banda conta como esteve a ponto de se separar e deu a volta por cima. Se emocionem com a 1ª parte traduzida, a 2ª parte postamos já já!

Junto com a revista vem um CD com faixas escolhidas pela própria banda que você pode baixar AQUI

Tradução e agradecimentos: Cristina Renó

“Vou começar a pensar em nosso epitáfio quando eu souber que precisamos de um”

 

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Há três anos eles estavam esgotados e mal se falavam. Mas após uma pequena reunião de cúpula em Orkney, o Franz Ferdinand secretamente gravou seu excelente quarto álbum. Eles contam à Barry Nicolson que as coisas estão definitivamente dando certo. Fotos: ED Miles

11 de Dezembro de 2010
Pensamentos: sombrios. Palavras: poucas. Ações: contratuais.

O Franz Ferdinand está no backstage do ATP Bowlie 2 Weekender em Camber Sands, cumprindo a última das obrigações de uma gigantesca turnê mundial de 2 anos e 184 datas divulgando seu terceiro álbum, ‘Tonight…’. Este show, marcado em tempos mais felizes como um favor aos amigos do Belle & Sebastian, é o primeiro desde o fim ‘oficial’ da turnê, um mês antes. Durante aquele tempo, os membros da banda mal mantiveram contato uns com os outros, e há um consenso crescente – não mencionado, mas implicitamente entendido – de que as cortinas estão se fechando na carreira de Franz Ferdinand. Quando Bob Hardy entra no camarim vestindo um uniforme escolar, Paul Thomson sabe que acabou.

“Bob havia perdido uma aposta cinco ou seis anos antes”, o baterista explica, “e a pena era que ele tinha que usar o uniforme escolar do video de ‘Matinée’ no palco. Então quando ele entrou no camarim vestindo aquilo, eu fiquei ‘O que?!’. Parte dele deve ter pensado, ‘Bom, esse é o nosso último show, é melhor eu pagar aquela aposta.’”

Não que Paul estivesse particularmente aborrecido. “Cada um seguiu seu caminho depois da turnê do terceiro album e nem chegamos a discutir a possibilidade de fazer outro”, ele diz. “Nós nos reunimos para o Bowlie Weekender pois já tínhamos concordado com aquilo muito tempo antes, mas eu achei que seria nosso último show como banda. Então nós tivemos essa incrível e calorosa recepção no palco – as pessoas pareciam realmente dispostas a nos ouvir tocar novamente. Durante o curso daquele show eu me lembro de pensar comigo mesmo ‘Sabe, talvez devessemos tentar e gravar outro álbum. Eu realmente gosto bastante desses caras…”.

18 de Agosto de 2013
Pensamentos: meditativos. Palavras: consideradas. Ações: mastigantes.

Estou sentado do lado de fora de um restaurante mexicano perto da Regent Street, em Glasgow, onde Paul e o guitarrista Nick McCarthy estão famintos devorando burritos. Tem dez anos – quase o mesmo dia – que eu entrevistei o Franz Ferdinand pela primeira vez, dirigindo por Glasgow num acabado Mercedes, propriedade de Alex Kapranos, que ele havia comprado por £90 um ano antes e que eu ainda vi ocasionalmente rodando na Alexandra Parade muito tempo depois de ‘Take Me Out’ os ter mandado para a estratosfera. Naquele dia, a banda me mostrou alguns lugares que finalmente entrariam na tradição indie de Glasgow: A Mono, café/casa de shows/loja de discos cujo 10º aniversário a banda comemorou no ano passado com um show surpresa; a delegacia abandonada em Bridgeton – conhecida como The Gaol – que fez as vezes de espaço para ensaios; e o Chateau, o dilapidado prédio invadido por artistas onde muitos de seus primeiros shows aconteceram.

A Mono continua a prosperar, mas o Chateau foi abandonado alguns anos depois quando uma das escadas finalmente ruiu e seus ocupantes remanescentes acharam melhor sair de lá. O The Gaol também está permanentemente vazio, suas molduras outrora ornamentadas racharam e se encheram de ervas daninhas, como uma cena de The World Without Us, de Alan Weisman. Como aqueles prédios – sem mencionar as outras bandas que emergiram da cena art-school de Glasgow no início dos anos 2000 – o Franz Ferdinand poderia facilmente ter se tornado assunto do passado, mas não menos importante, como Paul me diz “Nós não sentíamos que tínhamos que mudar ou fazer outro disco. Depois do terceiro disco sair, foram tempos muito sombrios. Nós estávamos infelizes e deprimidos. Tínhamos nos tornado pessoas egoístas e só pensávamos em nós mesmos. Nós ignorávamos os problemas um dos outros. Em alguns casos, ignorávamos uns aos outros, ponto”.

E ainda assim, eles fizeram outro álbum. Agora você já ouviu ‘Right Thoughts, Right Words, Right Action’, o primeiro álbum do Franz Ferdinand em mais de quatro anos, e seu melhor e mais consistente esforço desde o autointitulado debut de 2004. Gravado entre o Sausage Studios, do Nick, em Londres, e o estúdio caseiro de Alex, nas fronteiras da Escócia, ‘Right Thoughts…’ é quase triunfo: uma oportuna lembrança de como o Brit pop fica muito melhor quando esta banda está lançando olhares lascivos de seus cantos escuros. Franz Ferdinand está de volta e, desta vez, ninguém nem percebeu que vinham.

Mas então, esse sempre foi o plano. ‘Right Thoughts…’ é a primeira vez em quase uma década que o Franz Ferdinand grava um álbum sem que as pessoas ficassem olhando por cima de seus ombros, investigando cada passo e tirando suas próprias (e prematuras) conclusões. Voltando em 2005, eu fui uma dessas pessoas: eu passei uma semana no estúdio em Manhattan onde eles estavam aplicando os toques finais e frenéticos no ‘You Could Have It So Much Better’, interrogando-os sobre um álbum que ainda nem existia, fazendo anotações de tudo o que eu via e escrevendo sobre músicas que nem sequer entraram na tracklist final. No final das contas, no entanto, as gravações de ‘Tonight…’ foram uma experiência ainda mais intrusiva e desconfortável.

“Nós tínhamos superfãs na América do Sul ficando irados pois não montávamos webcams para que eles monitorassem todos os nossos passos”, lamenta Paul. “Então nós filmávamos nossos pés falando alguma coisa sobre nosso estado criativo naquele dia, antes de levar a música para algum outro lugar e deixar as pessoas desapontadas quando não soava como Xenomania produzindo Baaba Maal, tocada por quatro caras de Glasgow. Desta vez, não fizemos nenhuma entrevista até que realmente tivéssemos algo sobre o que falar”.

Hoje, não faltam coisas sobre o que falar. Estou entrevistando o Franz Ferdinand em pares, ao invés de em grupo, pois quero me certificar de que Bob, Nick e Paul tenham sua vez de falar. Com o Alex, eu sei que não preciso me preocupar. Alex sempre foi um entrevistado loquaz – literalmente ‘a voz da banda’, como ele diz – e em um ambiente de grupo, os outros parecem se contentar em deixá-lo falar. Você pode entender porque: o homem tem um dom malévolo com metáforas. Em minutos sentado num bar de hotel com ele, perto de Broadcasting House, ele está fazendo analogias sobre como ele queria que ‘Right Thoughts…’ soasse como ‘encontrar um velho amigo e ter uma boa conversa sobre algo que vocês nunca falaram antes’.

Ele considera a diferença entre gravar este álbum em segredo e o último sob controle como ‘ser ótimo fazendo embaixadinhas sozinho mas, assim que seus amigos olham, você não consegue fazer nem a sequência de duas’. Finalmente – e mais ambiciosamente – ele compara o processo de composição, arranjo e gravação de ‘Right Thoughts…’ ao Usain Bolt correndo os 100m: “Pense em quantos anos de preparação ele passou, desde quando era uma criança e percebeu pela primeira vez que ele podia fazer isso, então as semanas e meses e anos de preparação… e qual a execução? Uma corrida de 10 segundos. Mas que espetaculares 10 segundos são esses”.

‘Right Thoughts…’ é, na realidade, um sombreado de 35 minutos de duração, mas o ritmo em que ele se agita é implacável demais para esta metáfora se aplicar. Eu sinto que a banda está cansada – e talvez um pouco na defensiva – sobre ser perguntada por que eles levaram tanto tempo para gravar um álbum nos dias de hoje, particularmente porque, como coloca Paul, “Nós não estávamos conscientes de haver qualquer pressa para gravar este álbum”. Ainda assim, eles nunca foram exatamente pretenciosos: Alex tinha 32 quando o Franz encontrou o sucesso e agora está na faixa dos 40. Nick e Paul, com 38 e 36 respectivamente, não estão muito atrás. Eles se preocupam em não conseguir fazer o suficiente?

“Esse disco precisou levar o tempo que levou para ficar pronto”, insiste Bob. “Se acabássemos a turnê e disséssemos ‘OK, vamos tirar três semanas de descanso e então nos reunir no practice pad [instrumento] para começar a trabalhar no próximo’, simplesmente não teria acontecido. Os membros [da banda] teriam acabado mortos.”.

Enquanto isso, Alex culpa “a cultura da turnê inacabável que surgiu nas últimas duas décadas. Eu vejo isso em todos os nossos companheiros, todos os nossos contemporâneos – eles fazem turnês demais. Hoje em dia, uma banda faz um álbum e sai em turnê por 18 meses. O The Smiths faziam uma turnê de algumas semanas por vez e então voltavam e faziam outro álbum, e eles só conseguiam fazer isso pois não estavam exaustos! Eu não estou dizendo que odeio fazer turnê, mas se você fizer por muito tempo… meu deus, você fica esgotado ao final dela!”. *** (contina…)

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FONTE: NME Magazine 21-09-2013

Franz Ferdinand lança CD e explica senso de humor ‘incompreendido’

22 de agosto de 2013 às 2:48 por Simone


Cantor se compara a gato e diz preferir os que ‘caçam ratos e fazem sexo’. ‘Right thoughts, right words, right action’ é quarto disco da banda escocesa.
Por Fabiana de Carvalho – 19/08/2013

DIVULGAÇÃO

No próximo dia 26, o Franz Ferdinand lança “Right thoughts, right words, right action”, seu quarto disco. Com mais de dez anos de carreira, a banda escocesa, criada por Alex Kapranos (vocal e guitarra), Bob Hardy (baixo), Nick McCarthy (guitarra e teclados) e Paul Thomson (bateria), se mantém fiel ao rock dançante que a consagrou, como comprovam as duas primeiras músicas a serem lançadas como single e a ganharem clipes, “ Right action ” e “ Love illumination ”.

Sem contestar a imagem festiva normalmente associada ao som que produz, o vocalista Alex Kapranos confirma, em entrevista por telefone ao G1 , que o novo disco é “muito animado, otimista”, mas faz questão de ressaltar que há muito mais que isso no Franz Ferdinand . “Somos criaturas complexas, não temos uma única emoção dominante… O contraste de emoções é algo que sempre tento trazer para as músicas”, explica, antes de mencionar a primeira faixa do álbum, “Right action”.

Kapranos fala sobre o novo CD, seu senso de humor “incompreendido”, e a importância de nunca se afastar dos palcos, até durante as gravações de um disco. O vocalista explica por que evitou conversar com jornalistas antes do lançamento e ressalta a importância do Brasil, onde já esteve cinco vezes, na história da banda.

G1 – Vocês demoraram quatro anos para lançar disco. Existe motivo específico para intervalo tão longo? E o que fizeram durante todo este tempo?
Alex Kapranos – Eu queria fazer outras coisas, absorver um pouco de vida e ter mais experiências, desenhar e ter espaço para contemplação e para ter ideias. Na verdade, acho que levou um ano e meio entre eu me encontrar com Bob [Hardy, baixista] para falar sobre o disco e chegarmos à mixagem final. Não houve nada deliberado por trás disso, pareceu o tempo certo. A única coisa que senti é que não deveria ter pressa, não tínhamos que ser forçados a algo porque tínhamos que cumprir um cronograma, mas sim apenas porque queríamos fazer um bom álbum. Isso é o mais legal.

G1 – Mas vocês continuaram fazendo shows. Isso fez com que o processo de gravação fosse lento ou influenciou no resultado de alguma forma?
Alex Kapranos – Para mim, era importante tocar ao vivo, porque quando as bandas vão para o estúdio e só passam seu tempo lá… Isso é algo que não pode acontecer, especialmente quando elas estão nesse ciclo de turnês, no qual você faz extensas turnês e depois fica um período longo sem tocar ao vivo, em que passa o tempo todo no estúdio. Se você está no estúdio sozinho você se torna suave, você não toca do mesmo jeito, não tem a adrenalina que existe quando toca para um público, não tem o senso de proximidade instintiva que tem com uma plateia. E eu queria evitar isso.

É como um gato que só fica em casa e não pode ser comparado com aqueles que saem à noite e se misturam com os outros gatos, os que brigam, caçam ratos e fazem sexo. Eles têm sagacidade, têm garras afiadas, e era isso que eu queria fazer com a banda, me assegurar que ainda temos o poder que você só tem quando toca ao vivo. Manter nossas garras afiadas. Mas, ao mesmo tempo, entre esses shows nós voltávamos ao estúdio e eu queria manter os períodos que passávamos lá os mais curtos possíveis. Então só ficávamos ali por mais ou menos uma semana. Duas semanas foi o máximo que passamos em um estúdio. E dessa forma você consegue ter muito tempo de preparação, no qual fala sobre suas ideias, faz os arranjos das músicas e entende a melodia… Mas, se você adotar esse esquema de períodos curtos, as performances têm uma vitalidade e uma espontaneidade que fazem com que escutar o disco seja mais agradável.

G1 – Na época do lançamento do disco anterior (“Tonight: Franz Ferdinand”, de 2009), vocês lamentaram o excesso de expectativa do público e mesmo da imprensa, chegando a comentar que a experiência de “descobrir” o álbum havia sido prejudicada. Vocês temem que isso possa acontecer novamente? É por isso que não falaram muito sobre o novo trabalho até agora?
Alex Kapranos – Não, não. Estou feliz por falar do disco agora e por responder quaisquer perguntas que você possa ter (risos). O que senti foi que, antes de lançarmos o álbum anterior, circularam várias histórias, inclusive de que estávamos sendo influenciados por música africana ou coisas do tipo, e penso que elas influenciaram as expectativas. Mas ninguém deveria ter qualquer expectativa quando ouve música, as pessoas deveriam estar livres de preconceito e ter um senso de frescor, um sentimento de expectativa sem influências, entende? Aceite o que vier. Mas eu realmente não quis dar entrevistas antes de acabarmos este novo disco, só que por outro motivo. Foi porque se você fala sobre a coisa na qual está trabalhando, enquanto ainda está trabalhando nela, isso tem um efeito sobre o resultado.

G1 – O que acontece?
Você se torna muito consciente e começa a pensar de forma analítica. As outras pessoas te influenciam, mas, principalmente, você mesmo se influencia, porque pensa demais no trabalho que está fazendo, em vez de simplesmente fazê-lo. Você deveria estar apenas fazendo e não pensando no processo. Se você está no palco, por exemplo, e fica pensando na sua performance, ela pode ser terrível, você tem que apenas tocar. É como quando você é criança e está aprendendo a andar de bicicleta, se ficar pensando em como vai se equilibrar sobre aquelas duas rodas, acaba caindo. Não acho que, como músico, eu deva ser um crítico. Deveria ser um criador. São dois papéis bem diferentes e tenho que usar minha capacidade crítica depois de criar, tenho que parar e analisar o que é poderoso ou não, cortar o que não serve, mas, enquanto estou criando, preciso ser puro e sem influências, sem qualquer consciência excessiva sobre mim mesmo.

G1 – Vocês estão no quarto disco e já têm mais de dez anos de carreira. Ao longo desse tempo, a banda construiu uma identidade, no sentido de que é possível reconhecer uma música do Franz Ferdinand, mesmo que ela não se pareça com as anteriores. Existe uma preocupação com o limite entre essa identidade e a repetição?
Alex Kapranos – Não, não existe. É provável que no passado eu tenha me preocupado com isso, mas agora percebi que ter uma personalidade marcante é ótimo. E você nunca deve tentar disfarçar sua personalidade. Amo bandas e artistas que você consegue reconhecer imediatamente. E estou falando de todo mundo, como os Beatles. Se eu colocar um disco deles de 1969 e depois um de 1964, eles podem soar diferentes um do outro, mas eu sei que aqueles são os Beatles. O mesmo com David Bowie. Se eu ouvir “Space oddity” ou “Ashes to ashes”, são músicas diferentes, mas eu sei que aquilo é Bowie. Instantaneamente. E você pode experimentar diferentes formas de compor, diferentes sons e estilos de letras, mas nunca deve ter medo da sua personalidade. É engraçado, dia desses eu estava ouvindo Kraftwerk no carro com um amigo, estávamos dirigindo por Los Angeles e ouvindo “Radio activity”, e o Kraftwerk tem um som tão distintivo, a personalidade deles está em todos os discos, “Radio activity”, para mim, soa como um disco tão diferente de “Tour de France”, mas é definitivamente o Kraftwerk que está ali fazendo aqueles discos. Eu amo essas bandas por sua personalidade forte, e acho que você pode ter uma profundidade de ideias e uma personalidade profunda e elas não precisam entrar em contradição.

G1 – E você acredita que o Franz Ferdinand é realmente um exemplo disso? Está satisfeito com o que a banda alcançou nesse sentido?
Alex Kapranos – Bem, eu não sou um crítico, então isso é você quem deve decidir (risos).

G1 – Grande parte dessa identidade normalmente associada ao Franz Ferdinand inclui um cenário de otimismo, alegria, festas… Mas você disse que o novo disco lidava com “uma cínica busca pelo otimismo”. O que isso significa? E você acha que seu senso de humor é mal compreendido?
Alex Kapranos – Ah, sim. O ser humano é uma coisa engraçada, não é? Sim, sim, talvez, às vezes, meu senso de humor seja um pouco incompreendido. Ou o tempo todo (risos). Eu realmente sinto que este disco, em particular, é muito animado, é um disco otimista. Mas, você sabe, somos criaturas complexas, não temos uma única emoção dominante de cada vez, eu diria que nenhum de nós é puramente otimista ou pessimista. Acho que o lado racional do meu cinismo aprecia o poder positivo do otimismo… Essa frase faz sentido? (risos) O contraste de emoções é algo que sempre tento trazer para as músicas, adoro a ideia de que você tem emoções contrastantes simultaneamente, e é por isso que adoro a mensagem que encontrei em um cartão postal e que se tornou a frase de abertura do disco, as palavras (da letra de “Right action”) “come home, practically al lis nearly forgiven”, isso soa como uma mensagem muito acolhedora, sabe, “venha para casa”, mas na verdade é bem condicional, “quase perdoado”, “praticamente tudo”, e é assim que a maioria dos encontros é, por exemplo, na vida. Você nunca tem um único sentimento, uma emoção totalmente pura, e é quando essas emoções se chocam que as situações se tornam interessantes.

G1 – Vocês já vieram ao Brasil seis vezes e tocaram para públicos maiores a cada uma delas. Como você define essa relação da banda com os fãs brasileiros? E o que espera para a próxima vez?
Alex Kapranos – Ah, eu realmente não sei, não consigo prever essas coisas. Também não acompanho muito o lado comercial dos negócios, simplesmente aproveito as coisas à medida que elas vão acontecendo. Então vamos ver o que acontece. Mas sinto que nossa relação com o Brasil, e com a América Latina de uma forma geral, corre paralela ao que acontece conosco no resto do mundo. Neste verão estaremos em turnê pelos grandes festivais europeus e depois vamos para os Estados Unidos… Mas é bom ir a lugares diferentes e sinto que o Brasil é um dos elementos importantes na vida da banda. Temos essas vidas e esses lugares diferentes espalhados pelo mundo e o Brasil é um deles. Nossa relação com o Brasil funciona porque fomos até aí bem cedo, logo no segundo álbum. Muitas bandas têm a oportunidade de ir até a América do Sul quando já tem uma carreira mais longa e nós tivemos sorte em podermos ir e voltar outras vezes. E os fãs brasileiros têm nos apoiado. Temos amigos aí e todas as vezes em que voltamos conhecemos mais gente e saímos mais. É muito bom poder escolher os lugares aos quais você quer ir e com quem quer sair como uma banda. E nós gostamos de sair no Brasil, então isso ajuda bastante.

 

FONTE: G1

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