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Festa de Lançamento do Álbum FFS

10 de julho de 2015 às 4:47 por Simone


Neste sábado, 11/07, teremos uma festa de lançamento do primeiro álbum do FFS, Franz Ferdinand & Sparks.

A festa acontecerá na Funhouse (Bela Cintra, 567 – São Paulo) em parceria com a Sony Brasil e Delicious Party e teremos sets especiais e sorteio de brindes. A abertura da casa é a partir das 20h para o esquenta e a entrada é liberada até às 00h (não esqueça de levar um documento com foto recente). Acesse o link do evento: https://www.facebook.com/events/910492208992987/

11701045_762098543889328_3907082626517550399_nVenha festejar conosco!

Até o Alex nos chamou para a festa ;)

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Hoje tem FFS no Glastonbury com transmissão ao vivo pela BBC!

28 de junho de 2015 às 6:45 por Simone


O concerto de hoje, 28/06 que acontece no festival Glastonbury, será transmitido ao vivo pela web através da BBC.

O FFS fecha o palco John Peel tocando a partir das 18:05hs Brasília / 22:05hs local

Venha acompanhar conosco a transmissão através do link >> bbc.co.uk/glastonbury

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FONTE: Twitter BBC Glasto

Edição Deluxe do álbum do FFS em pré-venda com frete grátis!!!

27 de junho de 2015 às 9:20 por Simone


E já está disponível em pré-venda o álbum do FFS, com lançamento para o dia 02/07 em versão deluxe digipack.

O melhor de tudo?! Em parceria com a Sony Music Brasil conseguimos frete grátis, mas atenção o frete grátis só será aplicado se a compra for feita através do link abaixo!!!

http://www.saraiva.com.br/ffs-franz-ferdinand-sparks-deluxe-edition-8892969.html?PAC_ID=133640

Aproveitem ;)

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Frete grátis só pra quem é do fã site, aproveitem!

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*** Imagens apenas ilustrativas. Fotos da versãodeluxe digipack inglesa.

Um estranho caso de amor…

6 de junho de 2015 às 11:53 por Simone


A malta dos Franz Ferdinand cresceu a adorar os Sparks. Os Sparks apaixonaram-se pelos Franz Ferdinand desde o primeiro momento. Andaram 11 anos a namorar-se até que fizeram um filho: FFS é o magnífico filho de uma união improvável | por João Bonifácio 05/06/2015

 

 

 

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Regra número um da pop: nunca, em circunstância alguma, fazer uma super-banda.

Olhando para a história, estes epifenómenos ocorrem quando determinados artistas chegaram àquele ponto em que acreditam de tal modo no seu próprio mito (“Eu sou fantástico, eu sou um Deus”) que, em vez de olharem para o mundo e se dedicarem a criar algo novo a partir do que vêem, decidem que já só podem trabalhar com gente da mesma igualha e dar-se ao luxo da indulgência porque, obviamente, qualquer coisa saída da cabeça de meia-dúzia de génios será excepcional e o mundo inteiro quererá ouvir. Depois pomos um disco dos Travelling Wilburys a tocar e perguntamo-nos “Porquê, meu Deus, porquê?”.

Como o Real Madrid prova quase época após época, uma constelação de estrelas não faz uma equipa. Pelo que é de facto depropositado ver estes FFS surgirem – para quem não sabe, FFS é a sigla escolhida pelos Franz Ferdinand (FF) e pelos Sparks para o projecto em comum que acabam de editar. Espera um minuto: Franz Ferdinand e Sparks juntos? Num super-grupo? Mas isto não faz sentido nenhum. Vejamos. Hipótese a) os Sparks são uma banda pop arrojada, experimental e erudita, não têm nada que se meter com fazedores de pop fácil como os Franz Ferdinand; hipótese b) porque é que os Franz Ferdinand, uma óptima banda de rock afunkalhado, vão perder tempo com gente empreoada como os Sparks?

Resposta: “Porque somos fãs uns dos outros”, diz Paul Thompson, o baterista dos FF, pelo Skype, ao vivo, em directo e a cores de sua casa. Este rapaz sorridente e conversador, que estica as entrevistas por mais tempo que o pré-determinado – o que por um lado é chato porque temos de ficar à espera, por outro é porreiro porque se pode efectivamente ter um diálogo – começa por esclarecer que “nenhum dos envolvidos considera os FFS um super-grupo”. “Não fazemos parte dessa categoria”, diz. Um pouco de humildade, para começar.

Paul é o primeiro a admitir que “para o observador desatento pode parecer improvável que as duas bandas se tenham juntado”. No entanto, ele acha que “há mais território em comum entre ambos do que pode parecer à primeira”. Sim, “são bandas com sons distintos. Os Sparks nos anos 1970 tinham coisas muito barrocas, não raro recorreram a orquestras e utilizam muito mais teclas que nós”, diz, antes de pausar para, como admiração, rematar: “Mas soam sempre a Sparks, já reparaste?”.

Com os FF, admitamos, é mais guitarras. Mas “há uma coisa que ambos temos: uma vontade de chegar ao excesso e de surpreender dentro de cada canção. Se reparares, muitas vezes as nossas canções têm várias canções dentro”. Agora, porque raio e como raio e quando raio é que esta gente decidiu que ia fazer um disco junta? Resposta à última pergunta: “Há onze anos”.

Há onze anos os Franz Ferdinand lançaram o seu disco de estreia e Take me out, o segundo single, estava por todo o lado. “Foram tempos estranhíssimos”, recorda Paul, reportando-se a um momento da sua vida em que passou, do dia para a noite, de absoluto desconhecido a estrela pop. Ou semi-estrela, para usar a definição dele. Estavam então os FF nos EUA em digressão, mais propriamente em LA, quando aparecem os Sparks. “Conhecemo-los no hotel em que estávamos, eles vieram conhecer-nos porque – imagina tu – eram nossos fãs”. Semi-aturdidos por este encontro, os elementos dos FF passaram a conversa a observar atentamente o comportamento da dupla que compõe os Sparks: “Eles não comeram nada, só beberam café. Começámos a imaginar que só comiam comida macrobiótica, imaginámos as coisas mais delirantes a respeito deles. Não púnhamos a hipótese de serem pessoas normais”.

Claro que não punham – por uma razão muito simples: os FF são fãs dos Sparks desde pequenos. “Conheço os Sparks desde miúdo, por causa da colecção de discos do meu pai. O Propaganda era dos meus discos favoritos – aquela música era diferente de tudo o resto”. Ao longo dos anos houve um catrapiscar de olhos mútuo: “O Alex [Kapranos, líder dos Franz Ferdinand] respondeu um dia a um inquérito sobre esse disco e disse maravilhas. E mais tarde eles elogiaram-nos, o que nos pareceu impossível – pensávamos que estavam a gozar até ao dia em que acabámos por encontrá-los em LA, o que nos pareceu ainda mais louco”.

924965A malta dos Sparks deve ter o seu quê de obsessiva, porque depois do primeiro disco dos Franz Ferdinand, sempre que estes tocavam em LA “eles apareciam nos bastidores”. Não apareciam só: “Traziam sempre uma canção para nós. Simplesmente ofereciam: ‘Tomem, usem-na se quiserem’. Mas nós estávamos concentrados nos nossos discos”. Apesar do apreço mútuo e das ofertas, Paul confessa que “nunca ninguém nos Franz Ferdinand alguma vez pensou que as bandas viriam mesmo a fazer música juntos”.

Da forma como Paul coloca as coisas soa àqueles tipos que se encontram na rua e um despede-se dizendo “Eu depois ligo-te”. Sabemos logo ali que esse tipo não só não nos vai ligar como não nos grama. Entre os Sparks e os Franz Ferdinand ficou um vago acordo: “Um dia temos de fazer qualquer coisa juntos”, “Um dia temos de gravar uma canção vossa”, “Um dia devolvemos o favor e escrevemos uma para vós”, esse tipo de coisa. Um dia.

E nisto os anos foram passando – onze anos, para sermos exactos. O que em tempo pop faz dos Sparks dinossauros e dos FF uma espécie em extinção. Onze anos desde terem falado em escrever uma canção para a outra banda. “E quando finalmente começámos a fazê-lo percebemos que na prática era uma colaboração”.

Há cerca de um ano os Franz Ferdinand finalmente começaram “a mandar instrumentais que tínhamos escrito aos Sparks”. Dias depois “eles mandavam melodias de vozes, já com letras acabadas”. Isto pode parecer que uma banda escrevia uma canção, a outra cantava e depois o inverso e assim sucessivamente. Não foi bem assim.

“Dou-te o exemplo de The man witout a tan [uma das canções do disco]: essa canção surgiu entre nós [Franz Ferdinand], no estúdio e mandámos e eles devolveram. Ora, o que eles devolveram era muito diferente do original. É como um cadáver esquisito”. E nisto, Paul, gajo impecável, faz um desenho numa folha para explicar o que é um cadáver esquisito. “Na Collaborations don’t work [magnífica canção, claramente a gozar com o próprio disco], cuja base foi escrita por eles – mandaram-nos a canção com um espaço em branco e ordem para fazermos o que quiséssemos. Claro que o que fizemos era a gozar com a situação”.

Finda a troca de emails, que na prática significou “um ano a fazer demos”, as duas bandas passaram “15 dias todos juntos no estúdio”. Tinham “21 canções para serem escolhidas”, com uma dificuldade acrescida: “Entre nós há quatro ou cinco compositores”. Chegar a uma decisão final acerca de quais as 12 canções que entrariam no disco não se adivinhava fácil e podia ter criado problemas de egos. Solução: “Mostrámos as canções aos amigos e confiámos na escolha deles. E ninguém se zangou”.

Os amigos não têm sempre razão, mas desta vez tinham: Johny delusional, o tema de abertura do disco, é pop de sintetizadores com guitarrinhas funky, coisa que fica de imediato no ouvido – e o mesmo se pode dizer de Call Girl, cujo balanço é abençoado. “Tínhamos de o ouvir como um álbum, não como um conjunto de singles”, diz Paul, e se a tarefa foi levada a bom cabo também não se deve diminuir o poder dos singles: todas as canções, mesmo com os seus desvios a meio, os seus twists, conseguem ser imaginativas e acessíveis em simultâneo.

Do início ao fim do disco será assim: uma melodia, ou de guitarra ou de teclas, chega-se à frente, depois a canção vai dar uma volta e já não é dos Sparks nem dos Franz Ferdinand – é dos FFS. Mesmo que, por exemplo, percebamos que Dictator’s son terá sido ideia dos Sparks, sente-se o dedo dos FF na canção. Melhor ainda: se não soubéssemos da existência das duas bandas estes FFS teriam feito um disco coerente cheio de – como se costuma dizer – grandes malhas. Com um quê daquela grandiloquência ensandecida da década de 1970.

Agora os FFS vão levar o disco para a estrada. Ainda não fazem “a mínima ideia de como vai ser ao vivo. Ainda não definimos o que vai ser”. Os FF vão “tocar canções dos Sparks o mais possível” e o inverso também deve acontecer: “Eles também querem tocar nossas. O que vai soar muito diferente dos originais”. E, claro, os cinco vão tocar FFS.

A digressão dura este verão “mas se as pessoas”, isto é, os melómanos, “quiserem mais pode durar mais”. De certa forma os Sparks e os Franz Ferdinand são “como a namorada de verão” só que tiveram um filho e vão “continuar a conversar”. De modo que, segundo Paul, estão “preparados para tudo o que possa acontecer”. Para já pariram um bicho estranho mas bastante belo. Que mais se pode querer de um amor de verão?

FONTE: Público

NME – Entrevista FFS : Franz Ferdinand e Sparks em como um dente quebrado e o pop dos anos 90 deu forma a inesperada colaboração

26 de maio de 2015 às 5:02 por Simone


Os Mael fazendo amigos – os provocantes art rockers Sparks e Franz Ferdinand se conheceram uma década atrás, unindo-se por um amor ao pop desajustado. Uma promessa de colaboração se tornou, desde então, um álbum completo sob o nome FFS, que como Chris Cottingham constata, revitalizou as duas bandas.

 

 

 

FFS NME MAY 2015

Nunca teria acontecido se Alex Kapranos não tivesse quebrado um dente. Em 2013, o vocalista do Franz Ferdinand estava no Uruguai em turnê com sua banda quando deu azar, e ele não quis arriscar experimentar o sistema de saúde do país. A próxima parada era São Francisco, onde o empresário da banda conhecia o dentista de Huey Lewis. Sim, Huey Lewis, da engraçada banda de pop rock dos anos 80 Huey Lewis And The News. Aparentemente, o dentista de Lewis era o melhor. “E lá estava eu andando por São Francisco procurando pelo dentista de Huey Lewis,” explica Alex. “E eu ouço uma voz atrás de mim, dizendo ‘Alex? É você?’, eu me viro e vejo Ron e Russell.”

Eram Ron e Russell Mael, mais conhecidos como Sparks, os irmãos de Los Angeles que estabeleceram as referências para o art rock com o álbum de 1974 ‘Kimono My House’ (estrelando ‘This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us’). Eles fizeram um ótimo trabalho também nos 19 álbuns subsequentes lançados durante 44 anos consecutivos de carreira. O Sparks ia tocar naquela noite, e convidaram Kapranos e o Franz Ferdinand. Ao final da noite, eles já tinham concordado que deveriam trabalhar em algo juntos – uma ou duas músicas, quem sabe.

Dois anos mais tarde, eles gravaram um álbum inteiro juntos como FFS. É menos uma colaboração e mais uma banda inteiramente nova com seis membros, composta pelos quatro membros do Franz Ferdinand e os dois irmãos Mael. O resultado é similar as duas bandas, mas com uma identidade distinta e própria. As guitarras agitadas e o groove tirado do dance de ‘Police Encounters’ são bem Franz, mas o refrão “bam bam diddy diddy” e o turbilhão de teclados é puro Sparks. Juntos eles fazem o que nenhuma das partes poderia fazer sozinha. Do mesmo modo, os acordes afiados e os vocais fortemente entrelaçados da faixa final ‘Piss Off’ mostram as diferentes visões que as duas bandas têm do art rock combinadas em quatro minutos de pop desajustado instantaneamente adorável. Enquanto isso, ‘Collaborations Don’t Work’ (típico título brincalhão do Sparks) é uma opereta pop que abre com guitarra dedilhada que vai sumindo para dar espaço para um grande movimento de orquestra/coral pop sobre o qual Russell e Alex trocam humilhações afiadas. “I don’t need your navel gazing / I don’t get your of phrasing / I don’t think you’re really trying / What pray tell are you implying” (Eu não preciso do seu egocentrismo /eu não entendo o seu estilo /eu acho que você não está tentando o suficiente /o que você está sugerindo?!). Não, esta não é uma colaboração qualquer.

Agora mesmo, Russell, Ron e Alex estão sentados bebendo chá no bar do Montecalm Hotel, em Londres. “Peço perdão pelo nível de falta de estilo”, diz Ron, impassível, um homem tão pouco preocupado com a opinião dos outros sobre ele que passou boa parte dos últimos 40 anos com um bigode estilo Hitler, embora hoje em dia ele exiba uma variação menos controversa no estilo lápis. Russell é um brincalhão. “Conte-nos sobre as señoritas no Uruguai”, ele provoca Alex, acrescentando com um sussurro encenado: “Foi assim que ele quebrou aquele dente.”. “Eu queria poder dizer que foi o resultado de algo tão rock’n’roll quanto uma señorita,” corrige Alex

As duas bandas se conhecem há mais de uma década. Quando os Maels ouviram o segundo single do Franz Ferdinand, ‘Take Me Out’ (2004), eles se comunicaram. O resultado foi um encontro art rock  às escuras em uma cafeteria em West Hollywood. “Nós estávamos super empolgados,” lembra Alex. “O Sparks teve um grande impacto em nós. No nosso primeiro ensaio de todos, nós experimentamos alguns covers e um deles foi ‘Achoo’ (do álbum do Sparks de 1974, ‘Propaganda’). Ficou horrível. As pessoas dizem que você nunca deve conhecer seus heróis, mas é bobagem.”

Eles falaram sobre gravarem um álbum juntos naquela primeira reunião e o Sparks escreveu ‘Piss Off’, mas o Franz Ferdinand estava prestes a lançar seu álbum de estreia, as coisas ficaram uma loucura e o projeto não deu em nada.

O encontro casual em São Francisco nove anos depois aconteceu exatamente quando o Franz Ferdinand estava prestes a lançar seu quarto álbum ‘Right Thoughts, Right Words, Right Action’, mas Alex estava determinado a não deixar a oportunidade escapar desta vez. “Eu me lembro de sentar com os outros e dizer, ‘Não importa o quão ocupados estivermos, nós temos de fazer acontecer’”, ele conta.

O Sparks iniciou o processo de maneira provocativa, enviando para o Franz Ferdinand a música ‘Collaborations Don’t Work’, “Foi meio que uma piada para ver se estávamos na mesma página”, diz Alex, olhando para Ron e Russell como que para ter certeza. “Quando Nick e eu ouvimos a música pela primeira vez, nós a achamos muito engraçada,” ele continua. Eles responderam à provocação com outra, em forma do trecho “We ain’t no collaborators, I am a partisan” (Eu não sou um colaborador, eu sou um partidário), equiparando a colaboração musical com a colaboração Nazista na Segunda Guerra. “Enquanto enviávamos, dissemos ‘Ou eles vão achar muito engraçado, ou eles nunca mais vão falar com a gente.” “Eu acho que esta música ressalta o fato de que ambas as bandas estavam cientes de que colaborações podem ser péssimas. Nós começamos isto não querendo fazer algo suave ou meia-boca”

A partir deste momento,FFSNME eles trabalharam em segredo por 18 meses, enviando faixas uns para os outros. “Nós mantivemos tudo por debaixo dos panos para que não houvesse expectativa,” diz Russell. Alex adiciona: “Colaborações geralmente são porcarias esquecíveis. Elas sempre só parecem muita promoção. Ao invés de construir esta na divulgação, nós queríamos ter conteúdo antes de contar ao mundo. Nós não queríamos trabalhar em cima das expectativas dos outros.” Eles também queriam evitar o termo “super grupo”, já que são duas bandas se juntando, não membros escolhidos cuidadosamente. “Nós não sentimos nenhuma afinidade com este termo”, bufa Alex.

Não era a intenção original, mas no final eles acabaram escrevendo material o suficiente para um álbum inteiro. Foi gravado no estúdio RAK, em Londres, em três semanas. A coisa toda foi, como eles dizem, incrivelmente fácil, como se eles já estivessem tocando juntos há anos. O único problema foi o forte sotaque de Glasgow de Paul Thomson, baterista do Franz, que Alex teve de traduzir para os Maels. E foi Thomson que sugeriu o nome. “Nós sabíamos que era engraçado, pois todos riram,” diz Russell. “Assim que Alex nos traduziu o que Paul havia dito, nós concordamos que servia perfeitamente.”

Houve muitas conversas durante o processo de gravação, sobre a situação da música pop, que todos concordam que é terrível. Ron, que não é nenhum tagarela, fica animado com o assunto. “É muito decepcionante,” ele suspira. “Eu acho que parte disto é porque estamos nessa há muito tempo, mas parece que o pop agora é medíocre. Há tantas possibilidades dentro do pop, forçando as coisas, mas ainda com relação às pessoas. Me deixa muito bravo o fato de as pessoas estarem fazendo isso pelas razões erradas. É insultante com relação ao que a música pop pode ser.”

Alex concorda: “Nós compartilhamos o amor ao pop, mas nós nunca tentamos fazê-lo da mesma maneira previsível que as pessoas ao nosso redor o fazem. Você corre o risco de passar batido, mas quando há conexão, meu deus, é fantástico. Isto resume o espírito deste álbum.”

FFS é uma reunião de almas aparentadas, com certeza, mas você também tem a sensação de que as duas bandas sabem que, neste momento, elas são mais interessantes juntos do que separadas. Se passaram cinco anos desde que o Sparks lançou o último álbum, enquanto o último lançamento do Franz, embora suficientemente bom, não conseguiu deixar uma grande impressão. É por isso que o Sparks e o Franz Ferdinand como entidades separadas estão na geladeira por enquanto. O FFS tem um verão cheio de shows pela frente, incluindo Glastonbury. Depois disto? “Não fazemos ideia,” diz Alex. “Quando nós começamos, não tínhamos a menor ideia do que ia acontecer. Esta é uma boa sensação para se ter sobre uma banda. Não saber qual será o futuro e não o ter mapeado para você. Vamos ver o que vai acontecer.”

Todos eles acenam em concordância. “Deixe o público falar!”, diz Russell. E Ron dispara: “E então nós os ignoramos”.

FLYING SPARKS – Um guia de Alex Kapranos sobre os melhores álbuns dos irmãos Mael

  • Lil’ Beethoven 2002 – “Eu adoro a faixa ‘The Rhythm Thief’. Ela mostra a progressão da banda se afastando daquilo ao que as pessoas os associava, que era música de pista de dança. Eles abandonam isto aqui e se concentram mais nas melodias.”
  • Gratuitous Sax & Senseless Violins 1994 – “Este tem a música que eu mais gosto do Sparks, que é “When Do I Get To Sing ‘My Way’”. É uma música bem dramática. Faz você querer dançar, tem uma melodia bem direta, mas também tem profundidade e complexidade.”
  • Angst In My Pants 1982 – “Eu amo ‘Sherlock Holmes’. É uma música enganosamente simples. Você não sabe de que nível ela vem, ou se é alguém cantando sobre Sherlock Holmes ou se é sobre o relacionamento entre duas pessoas.”
  • No.1 In Heaven 1979 – “O Sparks foi o precursor da dance music eletrônica. Eles trabalharam com Giorgio Moroder no final dos anos 70 e fizeram o tipo de música que era estranha para seus fãs. Eu fiquei surpreso quando eles me contaram que foi criticado severamente na época.”
  • Kimono My House 1974 – “O óbvio. Há poucas bandas afortunadas que têm uma música como ‘This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us’, o tipo de música que muda o cenário. Eu sei que muita gente viu esta música no Top of the Pops e seus queixos caíram no chão.”

 

TRADUÇÃO: Cristina Renó, obrigada ;)

FONTE: NME Maio 2015 – Fotos de Ed Miles | Edição das imagens: Franz Ferdinand México e FFFBR

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Esta cidade é grande o suficiente para nós dois…

5 de abril de 2015 às 19:25 por Simone


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Franz Ferdinand e Sparks nos contam tudo sobre sua nova colaboração F.F.S.!… por Pat Gilbert

 

“Você sempre tem essa horrível preocupação de que, quando você vai conhecer alguém de quem você ama a música, aquela pessoa possa ser uma idiota”, explica Alex Kapranos, do Franz Ferdinand, rindo. “Mas Ron e Russel são fantásticos – eles têm um ótimo senso de humor, inteligente e auto depreciativo. Quando Ron está no palco ele é bastante intimidador, mas ambos são pessoas legais e acolhedoras.”

Kapranos está falando sobre a amizade especial no coração do F.F.S., uma nova e extraordinária banda formada pelos membros agregados do vocalista Escocês e a lendária dupla electro-glam de LA, Sparks. A colaboração foi cogitada pela primeira vez 11 anos atrás, quando os dois grupos saboreavam um almoço juntos em Los Angeles, depois de Ron e Russel Mael terem lido uma entrevista em que Kapranos, em turnê com seu auto intitulado álbum de estréia, entoava louvores ao Sparks.

“Apenas do pouco que sabíamos sobre eles, nós achamos que seria interessante trabalharmos juntos”, diz o vocalista Russel Mael. “Nós gostamos de seu senso de arte e estilo. Eles estavam fazendo algo especial e sob seus próprios termos. Nós dissemos: ‘Vamos fazer algo!’, e então 10 anos passaram voando…”

A ideia ressurgiu em Abril de 2013 quando o Sparks se encontrou por acaso com Kapranos no centro de São Francisco. Àquela época, ele estava procurando pelo dentista de Huey Lewis, em vão, depois de quebrar um dente num show na América do Sul.

“Eu estava completamente perdido e com dor de dente”, explica Kapranos. “O nosso empresário conhecia o empresário de Huey Lewis, que tinha me dado o endereço do dentista de Huey. Então eu ouvi a voz de Ron dizendo ‘É você, Alex?!’”

Um vaivém de arquivos MP3 enviados de um lado a outro do Atlântico – a primeira, uma música de Ron Mael intitulada “Collaborations Don’t Work” (Colaborações Não Funcionam) de brincadeira – uma tentativa de criar o single do híbrido FF – Sparks. Ficou claro rapidamente, no entanto, que havia material o suficiente para um álbum inteiro, que foi gravado no RAK estúdio no norte de Londres no inverno de 2014 com o produtor John Congleton.

As faixas incluem a já mencionada “Collaborations…”, na qual ambas as partes expressam suas ansiedades iniciais em relação ao projeto, The Power Couple, Police Encounters e o primeiro single Johnny Delusional.

“A primeira vez que tocamos nossas músicas juntos foi em Londres, uma semana antes de entrarmos no RAK”, diz Russel. “Quando o Alex e eu começamos a cantar juntos, ficou bem legal, separadamente e em uníssono. F.F.S. não se parece com Franz Ferdinand ou Sparks, mas uma banda totalmente nova.”

Foi o baterista do FF, Paul Thomson, que criou a sigla que juntou os nomes dos dois grupos. “Ele me enviou uma mensagem com as letras seguidas de um ponto de exclamação, e ficou óbvio imediatamente”, diz Kapranos.

O álbum, mixado mês passado em Dallas, será lançado para coincidir com uma série de shows do F.F.S. na Europa em Junho e Julho. “Há tantos fatores que impedem uma colaboração como esta de acontecer”, conclui Russel, “mas não poderia ter ficado melhor.”

 

TRADUÇÃO: Cristina Renó, obrigada ;)

FONTE: MOJO Magazine – Março 2015 / Foto revista: votedmostlikelytofail tumblr / Foto da banda: @sparksofficial via twitter

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À noite me vêm boas ideias

14 de fevereiro de 2015 às 14:44 por Simone


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Nick McCarthy, guitarrista do Franz Ferdinand sobre a sua música para a série “München 7″.

 

Mesmo agora morando em Londres e viajando em turnê, Nick McCarthy, o guitarrista da grande banda de rock Franz Ferdinand, está sempre ligado as raízes bávaras. Além da música indie, McCarthy descobriu recentemente a música cinematográfica: ele escreveu as músicas para a nova temporada da série policial “München 7″. Em entrevista com Daniel Drescher, o guitarrista de 40 anos fala sobre como foi crescer no interior da Baviera, sobre a áspera mudança para Glasgow e sobre o trabalho conjunto produzido com a experiente banda de rock estadunidense Sparks.

Senhor McCarthy, você escreveu as músicas para a série “München 7″. Como isso aconteceu?

O contato aconteceu através de uma amiga do meu irmão. Ele sempre esteve presente na cena punk de Rosenheim, sempre me levava para os shows com ele e lá tinha essa garota que prestava atenção em mim. Ela era montadora do Bogner (Franz Xavier Bogner, diretor de München 7) e tinha me dito que o Bogner estava procurando alguém novo. Eu fui lá e me apresentei para ele, já que eu era um grande fã de seu trabalho. Eu cresci vendo os filmes dele, que eram a única coisa que dava pra assistir na televisão – esses e também os do Dietl (Helmut, diretor bávaro). Nos últimos dois anos eu estive viajando muito com o Franz Ferdinand, por isso, eu sempre ia ao estúdio à noite, de 8 da noite às 4 da manhã. Era muito bizarro gravar música para uma série bávara em Londres. Eu espero que esse compromisso prossiga.

Você é uma pessoa noturna, ou isso foi bastante incomum?

Ah não… eu já estava bem habituado com o cansaço. Eu tenho dois filhos, de 1 e 3 anos e acordo às 7 da manhã. Depois de algumas semanas você já está pronto para isso. Mas eu amo trabalhar a noite. Não há nenhuma distração, nenhuma ligação, há uma boa atmosfera. À noite me vêm boas ideias.

Você frequentemente ainda vai para sua antiga pátria. Os seus colegas de banda vão frequentemente para lá?

Eu estive agora perto de Rosenheim, e estava acontecendo tanta coisa por lá, por isso eu mesmo me permiti tirar umas férias na Baviera. Com o Franz Ferdinand, eles tocam frequentemente em Munique e todos eles já estiveram em Rosenheim para o meu casamento, por exemplo. Eles gostam da cerveja: da última vez que a gente esteve em Munique, eu comprei 20 caixas de Augustiner e depois disso a gente ficou feliz durante 3 semanas na turnê.

A TV alemã não está muito renovadora recentemente. Breaking Bad, Downtown Abbey – todas as séries de alta qualidade vem dos Estados Unidos ou da Grã-Bretanha. Quando você está em Londes, sente constantemente saudades de casa e compra DVD’s alemães?

De tempos em tempos, mas tem sido assim: quando se liga a televisão aqui, não há nenhum divertimento. “Tatort” é bom, mas eu assisto muitas séries americanas porque elas são inacreditáveis. Game of Thrones e Breaking Bad foram as maiores séries dos últimos dois anos. Mas eu não assisto televisão tão frequentemente. O Bogner é um clássico, e é uma honra pra mim trabalhar pra ele.

Você nasceu na Inglaterra mas cresceu na Baviera. Como é ter crescido no interior da Baviera e como você entrou em contato com a música?

Eu frequentei a escola aqui e fui musicalmente influenciado pelo meu irmão. Eu cresci em Bruckmühl. Essa cidade fica bem no interior da Baviera, lá haviam tantos burgueses, isso me irritava muito quando eu era adolescente. Eu tinha um grupo de amigos, os quais ainda adoro hoje em dia, que também tinham problemas com os burgueses. Nós fizemos muitas coisas, estávamos entediados e odiávamos os burgueses. Também tivemos muitas experiências com drogas. Eu sempre pensei que eu era um cara mau. Então eu me mudei pra Glasgow e percebi que eu era um verdadeiro filhinho da mamãe. Lá eu fiquei feliz em ver a polícia pela primeira vez. Eu morei durante 10 anos por lá e em seguida me mudei pra Londres. Pra mim, Glasgow é sempre muito fria e úmida, mas tem uma excelente cena musical e há muito espaço artístico por lá.

É comum ouvir músicos que cresceram na província falarem que a falta de distração da própria música é algo bom. Você concorda com isso?

Nós fazíamos muita música, mas não fazíamos ideia do que se passava pelo resto do mundo. Quando eu me mudei para Glasgow, eu não conhecia nem metade das bandas que todo mundo achava legal. Led Zeppelin, Pink Floyd, Beatles – essas eram conhecidas no país. Mas para mim isso funcionou. Meus amigos e eu éramos tão contra as músicas que tocavam no rádio que paramos até de escutar música clássica. Pensávamos que isso era uma atitude punk. Então tocávamos música clássica no piano, mas também sempre incluíamos música do The Damned. Na verdade, eu ainda faço isso, só acrescentei Elvis na lista. Eu tinha uma banda de Jazz na escola e aprendi a ler notas musicais, frequentei um Conservatório e aprendi a tocar contrabaixo. Esse instrumento sempre esteve presente em bandas alemãs, como o Can e o Kraftwerk, essas sempre foram duas bandas clássicas e bem instruídas. Isso também nos acrescentou algo.

Diz a lenda que você e Alex Kapranos se conheceram porque você roubou uma garrafa de vodka dele em uma festa.

Sim, isso é verdade. Eu estava acostumado com as festas caseiras em Aibling. E já que você não leva nada, você pega o que está lá. Em Glasgow, a bebida alcoolica é cara, cada um leva a sua garrafa, cada um carrega sua garrafa e escreve seu nome nela. Então lá estava a garrafa, eu coloquei metade do conteúdo no meu copo e senti uma mão no meu ombro: “Excuse me”, disse Alex. Nós quase nos esmurramos, então alguém entrou no meio e apartou a briga. Depois começamos a conversar sobre música: “você está procurando uma banda”. Então nós ficamos juntos.

O Franz Ferdinand sempre teve músicas com partes em alemão, seja em “Darts of Pleasure” ou em “Erdbeer Mund”. Isso deve ser mérito seu.

Sim, claro, sempre. No entanto, o nome da banda não foi ideia minha. Isso era no tempo em que a arte alemã estava bastante em alta. Todos estavam abertos para o Neo Rauch e essas coisas parecidas. Era muito elegante em Glasgow saber falar alemão. Todo mundo na Grã-Bretanha estava interessado em Krautrock (estilo de rock presente na cena musical alemã nos anos 70).

O que há nos planos atuais do Franz Ferdinand? Vocês estão trabalhando em músicas novas?

Nós gravamos um álbum com o Sparks. Eles são uma antiga banda de glam-rock estadunidense que nunca foi muito conhecida na Alemanha. Na Inglaterra eles são gigantes, eu realmente ouvi muito sobre eles. Em Los Angeles eles foram a um show nosso, eles são uns caras bem típicos dos anos 70. O album vai ser lançado esse ano e depois vamos fazer uma turnê juntos. Nós nos denominamos FFS, Franz Ferdinand e Sparks. Em breve queremos lançar um single.

O Franz Ferdinand tem um som relativamente bem definido. O que poderia ser novo na música de vocês futuramente?

Eu não sei. Com os nossos discos a gente nunca sabe o que vai sair antes de ele ser lançado. Por quanto tempo eu ainda vou fazer isso, eu também não sei, eu acabei de fazer 40 anos. Se alguém pode investir tanta força assim pra sempre – eu não faço ideia.

Nick McCarthy nasceu em 13 de dezembro de 1974 em Blackpool, mas cresceu em Vagen uma pequena cidade da Baviera no distrito de Rosenheim. Ele frequentou a escola em Bad Aibling. Depois do Ensino Secundário, ele estudolu contrabaixo no Conservatório Richard-Strauss em Munique. McCarthy é casado e tem dois filhos. Com sucessos como “Take me out” e “Do you want to”, sua banda teve sucesso internacional. O album “Right Thoughts, right words, right action” foi lançado no último verão. A série “München 7″, a qual o Nick escreveu as músicas, é transmitida às quartas-feiras, 18:50 hrs no canal ARD. A atual temporada termina no dia 18 de fevereiro com o episódio “Von heut auf morgen”.

 ———————————–
Nesse vídeo o Nick fala sobre o processo de composição das músicas para o seriado München 7 junto com seu amigo Sebastian Kellig. Apesar do vídeo ser em alemão, a nossa amiga Karen Lima fez um breve resumo do que é falado no vídeo:

“No começo ele fala como eles se conheceram, e como eles se dão bem e que tem uma química musical enorme. Eles começaram tocando música só por prazer, mas depois virou algo sério. Desde meados de 2014 eles estão em Munique fazendo a trilha sonora desse programa de televisão de lá, eles tocam todos os instrumentos, um por vez. Nick fala que sempre há novos motivos, novos temas e precisa sempre escrever novas músicas. Pra cada “capítulo” eles tem em média 2 semanas para fazer as composições. Diz que cresceu assistindo essa série. Que a música não é só compor notas, é sobre sensações, principalmente quando se cresceu com a música. Diz que nasceu na Inglaterra, mas cresceu na Alemanha, então sempre volta pra lá. O som do musical naturalmente é antigo, tem muitos instrumentos antigos, mas ele espera conseguir modernizar isso, é como se fosse um desafio”.

 

TRADUÇÂO: Karen Lima, nossa fã quase alemã. MUITO OBRIGADA! :)

FONTE: schwaebische.de

O Franz Ferdinand quase não fez um quarto álbum, admite Alex Kapranos

8 de dezembro de 2013 às 12:42 por Simone


Alex fala para o The Herald Scotland | Tradução e agradecimentos: Daniel Póvoa

alexglasgowA questão sobre o novo álbum, eu conto ao vocalista do Franz Ferdinand enquanto nos sentamos em um café em Glasgow numa quarta-feira à tarde, é que ele soa tão – como posso dizer?

- tão Franz Ferdinandesco. Alex Kapranos sorri debaixo de sua franja. “Isso faz todo o sentido. Fico realmente feliz por você dizer isso, já que era um objetivo.”

 Alguns minutos antes, eu assistia Kapranos entrar a passos largos no café, quadris tão magros quanto de uma garota, até hoje, com mais de 10 anos de existência do Franz Ferdinand, a exata aparência que você espera de seus pop stars. E nem tão diferente da única outra vez que o encontrei, quase uma década atrás no backstage do Reading Festival no ápice do primeiro surto de fama da banda. Desde então o Franz Ferdinand rodou o mundo, lançou um segundo e então um terceiro álbum, conheceu seus heróis, fez coisas demais (turnês, trabalho, etc), seguiu o seu próprio caminho e agora se reuniu novamente para fazer o quarto álbum – Right Thoughts, Right Words, Right Action – que acaba sendo uma afirmação de intenção bem como de noções básicas. É um álbum vivo e urgente, como já estabelecemos, é muito Franz Ferdinand.

Kapranos sobe as escadas, cumprimenta pessoas, se senta e conversa: sobre o passado, o presente, sobre o escritor irlandês William Trevor (uma das influências nas letras do novo álbum – a música Brief Encounters surgiu porque Kapranos andou lendo seus contos e pensou: “É, eu quero escrever algo sobre os grandes eventos de gente comum”) e, sim, sobre o Franz Ferdinandismo da banda.

“Uma coisa que eu ocasionalmente notei em bandas,” Kapranos diz enquanto toma sua sopa, “quando elas vão além de seu segundo álbum, é quase como se uma paranoia ou uma neurose passasse por suas cabeças: ‘Caramba, a gente já faz isso há um tempo. Talvez precisamos fazer algo novo. Talvez precisamos nos reinventar.’ E meio que está certo. Você precisa fazer algo novo. Você precisa se manter criativo. Você precisa tentar coisas novas. E esse pode ser o caminho para produzir um disco, para escrever canções. Mas você não pode reinventar a sua personalidade.

“É algo que eu notei quando fazemos covers. Sempre que tocamos um cover, seja de um música dos Beatles, do Beck ou da Britney Spears, ainda parece com Franz Ferdinand. São só quatro pessoas. São as personalidades.”

E ainda assim, são quatro anos desde o último álbum. As coisas mudaram. A banda agora vive em Glasgow, Dumfries (no caso de Kapranos) e Londres. Filhos nasceram. “Então quando Nick e eu estamos compondo, seu filhinho está correndo por todos os cantos,” Kapranos admite. “Mas ainda compomos do mesmo jeito. Talvez ele queira sair em turnê de uma forma diferente da que costumava. Provavelmente não… na verdade, eu retiro o que disse. Eu ia dizer que ele não festeja mais como fazia, mas possivelmente ele não festeja como antes com tanta frequência. Mas você deveria perguntar isso ao Nick.”

Em pouco tempo o Franz Ferdinand cresceu. Um pouco que seja.

Questões levantadas pelo entrevistador a Alex Kapranos a respeito das letras do novo álbum.

1. “Please belive everybody steals” (Por favor acredite, todo mundo rouba) (de Fresh Strawberries)  N.T.: na verdade é “Thieves believe everybody steals” (Ladrões acreditam que todos roubam)

Qual foi a última coisa que você roubou?

“Ah, sabe. Eu tive uma sessão de fotos no Japão há três semanas e tinha esse par de meias sensacional da Paul Smith e acabei ficando para mim. Não estou certo se foi propriamente um roubo porque não estou certo de que eles queriam as meias de volta após elas estarem nos meus pés. Mas, sim, eu ainda as tenho.”

2. “So come home, practically all is nearly forgiven” (de Right Action) (Volte para casa, praticamente tudo está quase perdoado)

Quem você quase perdoou?

“Alguns amigos. Isso é tudo que eu digo. Eu estava conversando outro dia com um amigo sobre a natureza do perdão e como o principal ponto do perdão é o quão libertador ele é e o quão leve você se sente depois que para de carregar todo aquele ressentimento. É um peso terrível e consome as pessoas.”

Vamos falar sobre conversar. A outra questão sobre o novo álbum, Alex Kapranos me conta, eventualmente, é o quão sortudos somos por ele existir. A verdade é que o novo disco só aconteceu porque Kapranos se encontrou com o baixista Bob Hardy dois anos atrás. “Sentimos como se não nos falássemos há muitos anos. Não conversávamos de fato desde que estávamos em turnê e até mesmo quando estávamos em turnê. Nós não chegamos a brigar, mas já não conversávamos uns com os outros tanto quanto o fazíamos há dez anos.”

Foi a diretora Diane Martel, que já trabalhou com a banda, que arranjou o encontro. “A gente conversava independentemente com Diane e eu dizia ‘Ah, eu não sei o que fazer em relação à banda. Nem sei se faz sentido gravar um novo álbum. Eu nunca falo mesmo com Bob.’ E ela disse ‘Você é tão ridículo. Você só precisa conversar com ele.’

“Realmente foi o incentivo da Diane que nos reuniu e simplesmente conversamos uns com os outros. Nós fomos a Orkney já que nenhum de nós nunca esteve lá, então era um território neutro. A gente andou dias por Orkney, conversando e conversando e conversando sobre tudo o que aconteceu nesses dez anos, as coisas boas e más, e como nós nos sentíamos agora como pessoas e como gostaríamos que a banda fosse. Toda essa conversa foi muito boa.”

Voltando um pouco, eu digo. Você está querendo me dizer que existia a possibilidade desse álbum nunca ter sido feito? Tem uma pausa, uma longa pausa, antes dele começar a falar de novo.

“Eu fui lá com a intenção de dizer que a gente não gravaria outro álbum. Eu queria falar primeiro com o Bob, porque foram as nossas conversas lá no começo que deram o início a tudo. Foi só depois de todo o diálogo que percebemos o quão triviais eram os motivos para não fazermos um novo álbum. Uma vez que você conversa e ouve o som do que pode fazer um disco muito bom, então isso te deixa empolgado e te faz querer gravar esse álbum.”

Mais questões levantadas pelo entrevistador a Alex Kapranos a respeito (acha ele) das letras do novo álbum.

3. “I’m in love with my nemesis” (de Treason! Animals.) (Estou apaixonado pelo meu nêmesis)

Você já se apaixonou pelo seu nêmesis?

“Umm… próxima pergunta.”

4. “You randy bastard” (de Evil Eye) (N.T.: a letra está errada, como será explicado). Quem é um canalha excitado?

Kapranos (confuso): “Um canalha excitado?”

É o que diz o verso, não?

“Ah não, não é. Eu amo isso. É ‘Vermelho, seu maldito’.” (Red, ya bastard)

Talvez eu esteja me projetando.

“Talvez você mesmo tenha respondido a pergunta. Possivelmente o canalha excitado não esteja tão longe.”

5. “Don’t play pop music” (from Goodbye Lovers and Friends)

Que música você quer que toque em seu funeral?

“Não tenho certeza. Algo bem delicado. Eu preferiria música clássica à música pop. É algo pessoal. Talvez Chopin ou algo assim. Alguma coisa que não vá atrapalhar. Eu estive em funerais onde me sentia como se uma última playlist me estivesse sendo imposta pelo péssimo gosto musical da pessoa que eu realmente ainda gosto enquanto ela vai desaparecendo num buraco na terra. Eu não vejo um funeral como uma oportunidade de impor meu gosto a ninguém.

“Dito isso, eu imagino algo como One Is The Loneliest Number…” (N.T.: canção de Harry Nilsson)

Optar por Take Me Out seria meio macabro, eu suponho.

“Sim, sim, sim. Definitivamente não quero escutar minha própria música.”

Já fazem 10 anos desde que o Franz Ferdinand forçou seu caminho na cena pop com o seu incrível single Take Me Out. Kapranos recorda daquele momento, “é a sensação de ser esmagado.”

“Foi meio que como se a gente tivesse invadido uma festa e estivesse bebendo tudo o que conseguisse. A gente aproveitou, claro que aproveitou. Mas foi intenso.”

Uma década depois, ele acha que a banda está mais próxima de como se sentiam em 2003, antes de tudo ganhar grandes proporções. “Eu me sinto mais próximo daquela época porque nós nos isolamos de tudo o que nos cercava. Muito embora essa festa insana que nós entramos fosse muito divertida, eu não quero passar o resto da minha vida nela o tempo todo. Eu gosto da companhia dos meus amigos na banda e eu não tenho esse desejo de fazer o tipo celebridade toda hora. O que mais importa pra mim é fazer música com esses caras.”

Então o que aprendemos?

Que Alex Kapranos, acima de tudo, ainda é muito Franz Ferdinandesco.

FONTE: The Herald Scotland

“Estou orgulhoso por ainda estarmos juntos”, diz frontman do Franz Ferdinand

3 de novembro de 2013 às 17:22 por Simone


Alex Kapranos fala sobre o quase término da banda e o novo álbum

NYOctober2013alex

por SIMON VOZICK-LEVINSON
3 de Nov. de 2013

O Franz Ferdinand voltou: depois de um intervalo de quatro anos, o grupo escocês passou um mês em turnê pelos Estados Unidos com seu último álbum, Right Thoughts, Right Words, Right Action. Cada noite é uma celebração de uma década de carreira da banda, que varia músicas novas com hits antigos, como “Take me Out”, de 2004, e “This Fire”. “Nós estamos curtindo muito mesmo”, diz o frontman Alex Kapranos, relaxando no backstage antes de tocar no Hammerstein Ballroom, em Nova York. “Sinto como se estivéssemos nos conectando com a nação norte-americana de novo.”

Kapranos, 41, passou a tarde antes do show mergulhado em um bom livro. “Estou lendo uma coletânea de contos de um cara chamado Etgar Keret, um escritor israelense”, ele diz. “Se chama The Bus Driver Who Wanted to Be God. Então fui até o Central Park e li meu livro. Que coisa boa poder fazer isso quando se é um cara de Glasgow que toca numa banda de rock!”

Nós falamos sobre o início da banda, por que eles quase terminaram antes do novo álbum e mais. Leia uma transcrição levemente editada da conversa com a Rolling Stone EUA.

Do que você lembra da primeira vez que fez uma turnê pelos Estados Unidos?
Nossa primeira viagem foi para Nova York. Foi há quase dez anos, depois que o primeiro disco saiu. Nós tocamos no Pianos primeiro, então tocamos em um lugar em que eles tinham uma menina vestida de sereia nadando em um tanque. Acho que fechou um mês depois de termos tocado lá. E daí tocamos no Mercury Lounge. Eu lembro particularmente de Pianos. Existia alguma legislação que Giuliani fez que não permitia mais de três pessoas dançando ao mesmo tempo [sem uma licença de cabaré]. Para uma banda que supostamente tocava música para as pessoas dançarem, pareceu um pouco absurdo. Então eu lembro de dizer depois de cada música, “Obrigado por não dançarem”! [Risos]

Você lembra de ter pensado na época se a banda ainda estaria junta em 2013?
Não faço a menor ideia. Não há como prever como você vai se dar com as outras pessoas, sabe? Quer dizer, estou muito orgulhoso por ainda estarmos juntos e por ainda sermos amigos, acima de qualquer outra coisa. Eu acho que permanecermos amigos é uma conquista maior do que continuarmos gravando discos.

Você afirmou não ter certeza se queria continuar com a banda depois do último álbum [Tonight de 2009]
É. Eu só queria manter a banda se continuássemos amigos e nos déssemos bem e fazer música fosse prazeroso. Então eu me encontrei com Bob [Hardy, o baixista do Franz Ferdinand] e conversamos sobre o assunto. Era mais o relacionamento meu com Bob que precisava ser trabalhado. E fomos Bob e eu que formamos a banda, em primeiro lugar, então precisava funcionar.

Por que vocês se afastaram?
Não há um grande mistério por trás. Nós apenas paramos de falar um com o outro da maneira que convinha. Sabe, eu entrevistei [o guitarrista] Wilko Johnson recentemente e o que ficou comigo da experiência foi como ele se arrependeu de não ter feito as pazes com Lee Brilleaux, cantor do Dr. Feelgood. Foi exatamente a mesma coisa. Eles pararam de se falar, e esses ressentimentos idiotas acabaram separando uma das melhores bandas da Inglaterra. Eu queria ter certeza de que isso não aconteceria conosco.

Como vocês acabaram fazendo um novo álbum?
Escrevemos como se estivéssemos compondo um set de EP ou de singles – escrevemos três ou quatro faixas, tocávamos em um show ao vivo e depois gravávamos rapidamente. O princípio era não ir pro estúdio até termos as músicas. Eu gosto da ideia de uma boa música. Eu sei que soa burro e estúpido e óbvio, mas as pessoas se esquecem disso. Tipo, fizemos uma cover da faixa “Oblivion”, da Grimes, numa rádio francesa recentemente. Essa música é ótima. Mas eu li algumas coisas sem noção falando da música como se ela fosse revolucionária. Em termos de sonoridade, ela é ótima e original – mas a essência da popularidade da música é o fato de ela ser ótima! Liricamente, é poderosa e tem uma melodia linda que é simples. Por isso que quisemos fazer a versão.

Escrever é fácil para você?
É algo que curto, então não é um dever. Tem, geralmente, duas fases. Uma é a fase sem esforço, quando a ideia simplesmente vem. Então tem a parte de editar e talhar. Eu lembro de ler sobre Raymond Carver e como ele trabalhava com o seu editor [Gordon Lish]. Tem duas versões de What We Talk About When We Talk About Love, a versão editada e a versão original. Pessoalmente, prefiro a editada. Tem uma aridez e uma magreza no texto que eu realmente amo, e eu acho que é isso que você encontra em uma boa música pop. É um apelo que me atinge. Tem um prazer quase masoquista em cortar parte de algo que você criou.

Um dos trechos de letra mais marcantes do novo álbum é “Não toque música pop, você sabe que eu odeio música pop”. Você realmente odeia?
Tem a ver com o contexto mais do que com qualquer outra coisa. Brinca com a ideia de ser um narrador duvidoso. Eu não sei porque existe o pressuposto de que o cantor e a eu-lírico são a mesma coisa. Você não acha que a Agatha Christie é assassina, sabe? Mas quando eu escrevi, tinha ido há dois funerais, e lido a respeito do funeral do [presidente francês François] Mitterand e sobre como sua esposa e sua amante e filha da amante estavam lá ao mesmo tempo. Que oportunidade maravilhosa se dirigir a essas pessoas! A primeira coisa que pensei foi, “Ah, certo, enquanto eu estiver desaparecendo em um buraco, não toque música pop”. Estou sendo irreverente. Mas geralmente funerais – especialmente em funerais de pessoas jovens – se tornam oportunidades de impor música ruim para os amigos pela última vez.

Então o que você gostaria que tocasse no seu funeral?
A marcha fúnebre de Chopin é bem incrível. Eu não sei. Eu não pensei muito no assunto.

Desculpe, foi uma pergunta meio mórbida.
Não, não. Esse é o lance. Eu não me importo de falar desse assunto. Eu acho que é uma doença da sociedade moderna, não ser capaz de falar sobre a morte. Sabe, minha avó morreu em janeiro, na Grécia, e ela teve um funeral tradicional ortodoxo grego, com o caixão aberto, e lógico que foi um momento traumático e horrível. Mas tem algo que eu realmente gosto sobre a natureza do funeral em si – foi um encerramento completo. Você percebe que é o final.

Agora que vocês alcançaram a marca dos dez anos, você acha que estará de volta para uma turnê em 2023?
Quem sabe? Eu tenho certeza de que estarei fazendo música, de uma forma ou de outra, porque eu sempre fiz – se eu ainda estiver por aí, sabe? Essa é outra coisa que você não consegue prever. Então, é. Se ainda estiver aqui, pode ser que sim.

 

FONTE: Rolling Stone Brasil (Rolling Stone EUA) / Foto: Sacha Lecca

Franz Reunido | Q entrevista: Franz Ferdinand – 2ª parte da matéria, Revista Q 10/2013 [Traduzida]

31 de outubro de 2013 às 4:05 por Simone


Continuação da entrevista do Franz para a revista Q. A primeira parte você pode ler AQUI.

Tradução e agradecimentos: Cristina Renó

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Incapazes de imaginar um futuro para a banda, eles passaram um ano separados. Hardy voltou a pintar. O realista Thomson, que voltou da América do Sul com artrite reativa e um cisto facial, trabalhou de DJ, tocou com o grupo de art-rock Correcto e fez ‘coisas de pai’. “Depois do primeiro álbum nós sentíamos que estávamos numa esteira e não conseguíamos sair dela”, ele diz enquanto come um hambúrguer com Blood Mary. “Eu descobri que era muito embaraçoso ser um astro do rock. Meus amigos em Glasgow têm flats de um quarto e empregos que pagam mal então acho que eu fiquei com vergonha por causa disto. Chegou a um ponto que eu estava resolvido que eu ia desistir de tudo e arranjar um emprego decente, eu pensava em abrir uma loja, mas eu sou muito ruim para lidar com dinheiro.”

Kapranos produziu os álbuns da banda indie Citizen! e do guitarrista escocês RM Hubbert, restaurou algumas amizades antigas que tinham murchado por causa da negligência e aprendeu a fabricar cidra em sua casa, em Dumfriesshire: “Eu tenho a tendência de ficar obcecado com algo até eu sentir que sei como fazê-lo.” McCarthy se tornou pai e trabalhou com outros projetos musicais, incluindo o Box Codax, seu projeto paralelo com a esposa austríaca Manuela Gernedel, apenas para perceber quanto ele sentia falta do Franz. “Os outros projetos eram fascinantes, mas eu percebi que temos algo realmente especial. As outras bandas nunca foram assim.”

Mas o intervalo não fez nada para aliviar a melancolia de Kapranos, então ele convidou Hardy para ir a Orkney (“território neutro”) para contar as más noticias. Pouco antes da viagem, ele falou com Diane Martel, a veterana diretora de vídeo, cujos créditos incluem Do You Want To, do Franz, e o notório Blurred Lines, de Robin Thicke. “A Diane ficava “Ah, não seja ridículo! Vocês todos estão sendo imaturos!” E ela estava totalmente certa. Se não fosse por Diane eu provavelmente não teria sido forte o suficiente para estimar a amizade que eu tinha que fez da banda algo bom. Foi preciso uma mulher muito astuta do Brooklyn para ser o catalisador. Bob e eu estávamos falando muito mais com a Diane do que um com o outro.” Ele suspira. “Bob não queria falar [com a imprensa] sobre isso e ele provavelmente estava certo. Eu provavelmente vou me arrepender de ter contado isto.”

Hardy tenta evitar entrevistas, mas ele provavelmente é o membro mais intrigante do Franz: o purista estético, o estudante de arte que nunca teve a intenção de estar numa banda e ainda assim é fundamental para a sobrevivência de uma. Para o Letterman, ele veste uma camiseta onde se lê: “No Noise Quiet Life” (Sem barulho vida quieta). Com relação à ‘right words’ (palavras certas), Buda aconselha seus seguidores “a se abster de tagarelice inútil que falte propósito ou profundidade”. Buda teria gostado de Hardy.

Ele foi para Orkney para convencer Kapranos a ficar?

“Meu deus, não! Eu não estava incomodado. Eu não fui para salvar a banda. Eu fui para salvar nossa amizade. A última coisa que eu queria era convencer alguém a fazer um álbum que não quisesse fazer.”

Se o Franz tivesse acabado, ele teria desistido da música e voltado à arte visual. Ele tinha até planejado transformar seu baixo em uma mesa de centro como um gesto simbólico. Kapranos não tem certeza do que teria feito. “Às vezes acho que a vida de um artista solo é solitária,” ele diz pensativamente. “É mais divertido estar num bando.”

Uma úmida noite de terça feira no Brooklyn. Dentro do Glasslands, um armazém convertido com capacidade para 275 pessoas em Williamsburg, Thomson está de DJ enquanto rostos do Brooklyn, incluindo Har Mar Superstar e o guitarrista do Yeah Yeah Yeahs, Nick Zinner, estão no bar.

Foi vendido como um DJ set e uma audição do álbum, mas assim que acaba, o Franz Ferdinand se materializa no pequeno palco no canto da sala e ataca com uma divertidamente intensa set de 13 músicas. Rodeando Kapranos como um nó apertado, a banda parece um bando novamente.

Logo após, no backstage, sem camisa e brilhando de suor, o vocalista parece satisfeito. “De uma maneira, eu prefiro esse tipo de show,” ele diz. “Festivais são divertidos, mas você se sente deslocado. Eu gosto de me sentir próximo dos outros caras.”

Fazer o novo LP foi uma oportunidade para evitar os erros dos últimos dois. “Voltou a ser mais como era no começo, antes de saberem que estávamos numa banda,” diz Thomson. Todas as músicas foram compostas antes, testadas ao vivo e gravadas em curtas sessões com vários produtores, incluindo Alexis Taylor e Joe Goddard, do Hot Chip, e com Björn Yttling do Peter, Björn & John. As músicas são criaturas tão velozes e energéticas que você pode não notar que elas estão se contorcendo de pânico existencial, autocrítica e arrependimento. Na confessional Stand On The Horizon, Kapranos canta “I’m the cruellest man you have known”  (sou o homem mais cruel que você conheceu). Fresh Strawberries disfarça astuciosamente seu pessimismo (We will soon be rotten/we will all be forgotten – Nós em breve apodreceremos/todos nós seremos esquecidos), com ensolaradas harmonias no estilo Big Star.

É notório que o recente encontro da banda com a morte [da banda] não foi a única coisa perturbando Kapranos nos últimos anos. Ele menciona ter chegado ao título do álbum enquanto procurava por respostas para ajudar com ‘umas coisas que eu estava passando’, mas educadamente se recusa a elaborar.

Mas era algum tipo de crise pessoal?
“Muitas coisas, sim, é.”

Kapranos parece envergonhado com a previsibilidade dos erros quase fatais do Franz Ferdinand. Ele leu o suficiente sobre bandas para saber que não se faz turnê por muito tempo sem uma pausa, você não vai para o estúdio sem nenhuma música e você não para de conversar. Mas o Franz cometeu todos eles do mesmo jeito. “Qual que é a do homem britânico, que é incapaz de se comunicar?” ele diz. “É engraçado que o ponto da banda é comunicar ideias e emoções. Talvez por isso fomos levados a formar a banda, pois não conseguimos nos comunicar em nossas vidas. Esses homens inarticulados emocionalmente fazendo música.”

A Q relembra Kapranos que, ano passado, um fã no Twitter pediu conselhos sobre estar numa banda. Ele respondeu: “Nunca faça cover de Oasis. Nunca esqueça seus amigos. Sempre se divirta.”.

“Eu devo ter falado isso porque chegou a um ponto em que eu me esqueci de fazer todas essas coisas.” Kapranos diz pesarosamente. “Bom, isto não é verdade. Eu nunca fiz cover de Oasis.”

FONTE: Q Magazine – outubro 2013

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