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Entrevista: Manuela – ‘É meu sonho, desde que eu tinha 16 anos, ter um espaço cheio de coisas com as quais fazer música

23 de setembro de 2016 às 16:26 por Simone


Segue mais uma entrevista com o Nick falando sobre seu novo projeto, Manuela. Apesar do álbum ainda não ter data de lançamento, a banda já tem alguns shows marcados, começando hoje, além de outros que serão anunciados em breve:

23/09 – Londres, no The Lexington junto com as bandas WHITE, Dinner e The Ninth Wave

01/10 – Edinburgo, no Leith Theatre pelo “Lost Map’s Howlin’ Fringe presents Future Echoes”

08/12 – Londres, The Railway Hotel

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Manuela Gernedel e seu marido, o ex guitarrista do Franz Ferdinand Nick McCarthy, falam sobre seu novo projeto musical juntos.

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Faz três meses desde que o Franz Ferdinand anunciou a possivelmente mais educada saída de um membro fundador que a música popular já viu. ‘Nós adoraríamos dizer que esse é o resultado de diferenças musicais ou pessoais, mas não é’, anunciou a banda no início de Junho, onde explicaram as razões da saída do guitarrista Nick McCarthy. ‘Essas diferenças são o motivo pelo qual começamos a banda, para início de conversa.’

Após o lançamento da excelente colaboração do Franz com o Sparks no ano passado, FFS, a gravação do sucessor do quarto álbum, lançado em 2013, Right Thoughts, Right Words, Right Action é iminente. Ainda assim, McCarthy não fará parte dele. ‘Eu vou me concentrar em produzir e escrever algumas coisas completamente diferentes por um tempo,’ ele disse no mesmo anúncio, ‘e todos nós podemos aguardar ansiosamente para ouvir o novo álbum do Franz Ferdinand’. O mais premente de tudo, uma das coisas em que ele tem de se concentrar é sua jovem família; ele e sua esposa Manuela Gernedel moram em Londres agora, e sua principal razão para deixar a banda é evitar passar meses longe de seus filhos pequenos.

Combinando habilmente a criação das crianças e escrever aquelas coisas completamente diferentes, então, o primeiro projeto de McCarthy pós-Franz é Manuela: uma colaboração com Gernedel que leva seu primeiro nome. O álbum de lançamento está pronto mas ainda sem data de lançamento pelo selo Lost Map. Uma das faixas desta colaboração já foi publicada através do site da Lost Map, a irresistível ‘Cracks in the Concrete’.

Com uma batida pós-punk, fica imediatamente claro o que o Franz Ferdinand vai perder – os riffs dramáticos e firmes de McCarthy – e ainda assim o vocal de Gernedel rouba o show. É ardente, mas reservado, malicioso mas envolvente, à medida que ela canta ‘a baby was born in my house last night / and I dreamt of money and success’ (nasceu um bebê na minha casa noite passada / e eu sonhei com dinheiro e sucesso), fazendo lembrar Laetitia Sadier, do Stereolab, com seu revigorante coração aberto. O álbum, quando chegar, terá participações de Jim Dixon (Django, Django), William Reese (Jet), Roxanne Clifford (Veronica Falls, e ela mesma outra emigrante de Glasgow) e o baterista do Franz, Paul Thomson.

É claro que, para aqueles que conhecem sua música, a nova empreitada de Gernedel e McCarthy tem raízes mais profundas no projeto do casal Box Codaz (junto com Alex Ragnew) do que no Franz Ferdinand. Responsável pelos álbuns Only An Orchard Away, em 2006, e Hellabuster, em 2011, essa foi outra aventura com um forte elemento colaborativo, tendo participações do Metronomy e do artista/músico Martin Creed no último álbum. A parceria vai mais além do que isso; Gernedel e McCarthy cresceram ambos na Bavária, Alemanha (ela é originalmente da Austria, e ele nasceu em Blackpool), e foi lá que eles começaram a namorar e colaborar em 1999.

‘Nós nos conhecemos numa festa de verão num clube local em Rosenheim’, diz Gernedel, falando sobre a cidade onde viviam. ‘Nick tocava free jazz com a banda dele. Eu tocava guitarra quando era criança, mas não foi pra frente e quando era adolescente toquei baixo numa banda. Eu cantava aqui e ali e também sou artista visual. Eu faço principalmente pinturas e esculturas.’ Ela é, na verdade, a razão pela qual McCarthy estava em Glasgow para formar o Franz Ferdinand para começo de conversa. Muito embora eles sejam frequentemente descritos como uma banda ‘art school’, apenas o baixista Bob Hardy frequentou a Glasgow School of Art. Assim como Gernedel, para estudar pintura, que foi a razão pela qual McCarthy se mudou para a Escócia com ela.

O casal se firmou no fértil cruzamento da escola de arte/ cena musical da cidade. Gernedel fazia parte de uma banda chamada White Night com Dixon, Clifford, o eventual membro do Franz, Andy Knowles e Celia Hampton, a qual lançou um single com o selo de Thomson (David Shrigley criou a capa). Gernedel e McCarthy se casaram na Bavária em 2005, ela se mudou para Londres em 2008, e ele a seguiu depois. ‘Faz uns oito anos agora, o que é meio chocante’, ela diz. ‘Eu achei que fossemos ficar só um ano, ou dois. Nós nos mudamos por causa do clima ou porque queríamos ir para algum lugar diferente? Eu realmente não consigo lembrar…’

Em Londres, ela fez Mestrado na Chelsea College of Arts, e então trabalhou como professora de artes para pessoas com deficiência de aprendizado. ‘Eu acho que é mais brando do que as músicas que já fiz antes, tem um ar doidão’ diz McCarthy sobre o álbum, que foi gravado em seu estúdio em Hackney, o Sausage, e deve ficar pronto até o final do ano. ‘Ele se tornou muito mais musical do que eu imaginava’, diz Gernedel. ‘Eu imaginava algo mais como palavras faladas, com o mínimo de instrumentação. Mas esta é a mágica de se trabalhar com outras pessoas.’

Não é surpresa nenhuma que o álbum tenha chegado tão rápido, já que o Sausage é como um segundo lar para o casal. ‘Eu passo a maior parte dos meus dias lá’, diz McCarthy. ‘Basicamente, sempre foi meu sonho, desde que eu tinha 16 anos, ter um espaço cheio de coisas com as quais fazer música. E é o que eu vou fazer. E ainda me dá a oportunidade de ir para casa sempre que eu quiser, para ver meus filhos crescerem e me fazerem rir.’

‘Cracks in the Concrete’ já saiu pelo selo Lost Map. Manuela toca na festa da gravadora Lost Map ‘Howlin’ Fringe presents Future Echoes’ no Thomas Morton Hall, em Edinburgh, no dia 1 de outubro.

FONTE: Sausage Productions | Sausage Leaks | The List

Um estranho caso de amor…

6 de junho de 2015 às 11:53 por Simone


A malta dos Franz Ferdinand cresceu a adorar os Sparks. Os Sparks apaixonaram-se pelos Franz Ferdinand desde o primeiro momento. Andaram 11 anos a namorar-se até que fizeram um filho: FFS é o magnífico filho de uma união improvável | por João Bonifácio 05/06/2015

 

 

 

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Regra número um da pop: nunca, em circunstância alguma, fazer uma super-banda.

Olhando para a história, estes epifenómenos ocorrem quando determinados artistas chegaram àquele ponto em que acreditam de tal modo no seu próprio mito (“Eu sou fantástico, eu sou um Deus”) que, em vez de olharem para o mundo e se dedicarem a criar algo novo a partir do que vêem, decidem que já só podem trabalhar com gente da mesma igualha e dar-se ao luxo da indulgência porque, obviamente, qualquer coisa saída da cabeça de meia-dúzia de génios será excepcional e o mundo inteiro quererá ouvir. Depois pomos um disco dos Travelling Wilburys a tocar e perguntamo-nos “Porquê, meu Deus, porquê?”.

Como o Real Madrid prova quase época após época, uma constelação de estrelas não faz uma equipa. Pelo que é de facto depropositado ver estes FFS surgirem – para quem não sabe, FFS é a sigla escolhida pelos Franz Ferdinand (FF) e pelos Sparks para o projecto em comum que acabam de editar. Espera um minuto: Franz Ferdinand e Sparks juntos? Num super-grupo? Mas isto não faz sentido nenhum. Vejamos. Hipótese a) os Sparks são uma banda pop arrojada, experimental e erudita, não têm nada que se meter com fazedores de pop fácil como os Franz Ferdinand; hipótese b) porque é que os Franz Ferdinand, uma óptima banda de rock afunkalhado, vão perder tempo com gente empreoada como os Sparks?

Resposta: “Porque somos fãs uns dos outros”, diz Paul Thompson, o baterista dos FF, pelo Skype, ao vivo, em directo e a cores de sua casa. Este rapaz sorridente e conversador, que estica as entrevistas por mais tempo que o pré-determinado – o que por um lado é chato porque temos de ficar à espera, por outro é porreiro porque se pode efectivamente ter um diálogo – começa por esclarecer que “nenhum dos envolvidos considera os FFS um super-grupo”. “Não fazemos parte dessa categoria”, diz. Um pouco de humildade, para começar.

Paul é o primeiro a admitir que “para o observador desatento pode parecer improvável que as duas bandas se tenham juntado”. No entanto, ele acha que “há mais território em comum entre ambos do que pode parecer à primeira”. Sim, “são bandas com sons distintos. Os Sparks nos anos 1970 tinham coisas muito barrocas, não raro recorreram a orquestras e utilizam muito mais teclas que nós”, diz, antes de pausar para, como admiração, rematar: “Mas soam sempre a Sparks, já reparaste?”.

Com os FF, admitamos, é mais guitarras. Mas “há uma coisa que ambos temos: uma vontade de chegar ao excesso e de surpreender dentro de cada canção. Se reparares, muitas vezes as nossas canções têm várias canções dentro”. Agora, porque raio e como raio e quando raio é que esta gente decidiu que ia fazer um disco junta? Resposta à última pergunta: “Há onze anos”.

Há onze anos os Franz Ferdinand lançaram o seu disco de estreia e Take me out, o segundo single, estava por todo o lado. “Foram tempos estranhíssimos”, recorda Paul, reportando-se a um momento da sua vida em que passou, do dia para a noite, de absoluto desconhecido a estrela pop. Ou semi-estrela, para usar a definição dele. Estavam então os FF nos EUA em digressão, mais propriamente em LA, quando aparecem os Sparks. “Conhecemo-los no hotel em que estávamos, eles vieram conhecer-nos porque – imagina tu – eram nossos fãs”. Semi-aturdidos por este encontro, os elementos dos FF passaram a conversa a observar atentamente o comportamento da dupla que compõe os Sparks: “Eles não comeram nada, só beberam café. Começámos a imaginar que só comiam comida macrobiótica, imaginámos as coisas mais delirantes a respeito deles. Não púnhamos a hipótese de serem pessoas normais”.

Claro que não punham – por uma razão muito simples: os FF são fãs dos Sparks desde pequenos. “Conheço os Sparks desde miúdo, por causa da colecção de discos do meu pai. O Propaganda era dos meus discos favoritos – aquela música era diferente de tudo o resto”. Ao longo dos anos houve um catrapiscar de olhos mútuo: “O Alex [Kapranos, líder dos Franz Ferdinand] respondeu um dia a um inquérito sobre esse disco e disse maravilhas. E mais tarde eles elogiaram-nos, o que nos pareceu impossível – pensávamos que estavam a gozar até ao dia em que acabámos por encontrá-los em LA, o que nos pareceu ainda mais louco”.

924965A malta dos Sparks deve ter o seu quê de obsessiva, porque depois do primeiro disco dos Franz Ferdinand, sempre que estes tocavam em LA “eles apareciam nos bastidores”. Não apareciam só: “Traziam sempre uma canção para nós. Simplesmente ofereciam: ‘Tomem, usem-na se quiserem’. Mas nós estávamos concentrados nos nossos discos”. Apesar do apreço mútuo e das ofertas, Paul confessa que “nunca ninguém nos Franz Ferdinand alguma vez pensou que as bandas viriam mesmo a fazer música juntos”.

Da forma como Paul coloca as coisas soa àqueles tipos que se encontram na rua e um despede-se dizendo “Eu depois ligo-te”. Sabemos logo ali que esse tipo não só não nos vai ligar como não nos grama. Entre os Sparks e os Franz Ferdinand ficou um vago acordo: “Um dia temos de fazer qualquer coisa juntos”, “Um dia temos de gravar uma canção vossa”, “Um dia devolvemos o favor e escrevemos uma para vós”, esse tipo de coisa. Um dia.

E nisto os anos foram passando – onze anos, para sermos exactos. O que em tempo pop faz dos Sparks dinossauros e dos FF uma espécie em extinção. Onze anos desde terem falado em escrever uma canção para a outra banda. “E quando finalmente começámos a fazê-lo percebemos que na prática era uma colaboração”.

Há cerca de um ano os Franz Ferdinand finalmente começaram “a mandar instrumentais que tínhamos escrito aos Sparks”. Dias depois “eles mandavam melodias de vozes, já com letras acabadas”. Isto pode parecer que uma banda escrevia uma canção, a outra cantava e depois o inverso e assim sucessivamente. Não foi bem assim.

“Dou-te o exemplo de The man witout a tan [uma das canções do disco]: essa canção surgiu entre nós [Franz Ferdinand], no estúdio e mandámos e eles devolveram. Ora, o que eles devolveram era muito diferente do original. É como um cadáver esquisito”. E nisto, Paul, gajo impecável, faz um desenho numa folha para explicar o que é um cadáver esquisito. “Na Collaborations don’t work [magnífica canção, claramente a gozar com o próprio disco], cuja base foi escrita por eles – mandaram-nos a canção com um espaço em branco e ordem para fazermos o que quiséssemos. Claro que o que fizemos era a gozar com a situação”.

Finda a troca de emails, que na prática significou “um ano a fazer demos”, as duas bandas passaram “15 dias todos juntos no estúdio”. Tinham “21 canções para serem escolhidas”, com uma dificuldade acrescida: “Entre nós há quatro ou cinco compositores”. Chegar a uma decisão final acerca de quais as 12 canções que entrariam no disco não se adivinhava fácil e podia ter criado problemas de egos. Solução: “Mostrámos as canções aos amigos e confiámos na escolha deles. E ninguém se zangou”.

Os amigos não têm sempre razão, mas desta vez tinham: Johny delusional, o tema de abertura do disco, é pop de sintetizadores com guitarrinhas funky, coisa que fica de imediato no ouvido – e o mesmo se pode dizer de Call Girl, cujo balanço é abençoado. “Tínhamos de o ouvir como um álbum, não como um conjunto de singles”, diz Paul, e se a tarefa foi levada a bom cabo também não se deve diminuir o poder dos singles: todas as canções, mesmo com os seus desvios a meio, os seus twists, conseguem ser imaginativas e acessíveis em simultâneo.

Do início ao fim do disco será assim: uma melodia, ou de guitarra ou de teclas, chega-se à frente, depois a canção vai dar uma volta e já não é dos Sparks nem dos Franz Ferdinand – é dos FFS. Mesmo que, por exemplo, percebamos que Dictator’s son terá sido ideia dos Sparks, sente-se o dedo dos FF na canção. Melhor ainda: se não soubéssemos da existência das duas bandas estes FFS teriam feito um disco coerente cheio de – como se costuma dizer – grandes malhas. Com um quê daquela grandiloquência ensandecida da década de 1970.

Agora os FFS vão levar o disco para a estrada. Ainda não fazem “a mínima ideia de como vai ser ao vivo. Ainda não definimos o que vai ser”. Os FF vão “tocar canções dos Sparks o mais possível” e o inverso também deve acontecer: “Eles também querem tocar nossas. O que vai soar muito diferente dos originais”. E, claro, os cinco vão tocar FFS.

A digressão dura este verão “mas se as pessoas”, isto é, os melómanos, “quiserem mais pode durar mais”. De certa forma os Sparks e os Franz Ferdinand são “como a namorada de verão” só que tiveram um filho e vão “continuar a conversar”. De modo que, segundo Paul, estão “preparados para tudo o que possa acontecer”. Para já pariram um bicho estranho mas bastante belo. Que mais se pode querer de um amor de verão?

FONTE: Público

NME – Entrevista FFS : Franz Ferdinand e Sparks em como um dente quebrado e o pop dos anos 90 deu forma a inesperada colaboração

26 de maio de 2015 às 5:02 por Simone


Os Mael fazendo amigos – os provocantes art rockers Sparks e Franz Ferdinand se conheceram uma década atrás, unindo-se por um amor ao pop desajustado. Uma promessa de colaboração se tornou, desde então, um álbum completo sob o nome FFS, que como Chris Cottingham constata, revitalizou as duas bandas.

 

 

 

FFS NME MAY 2015

Nunca teria acontecido se Alex Kapranos não tivesse quebrado um dente. Em 2013, o vocalista do Franz Ferdinand estava no Uruguai em turnê com sua banda quando deu azar, e ele não quis arriscar experimentar o sistema de saúde do país. A próxima parada era São Francisco, onde o empresário da banda conhecia o dentista de Huey Lewis. Sim, Huey Lewis, da engraçada banda de pop rock dos anos 80 Huey Lewis And The News. Aparentemente, o dentista de Lewis era o melhor. “E lá estava eu andando por São Francisco procurando pelo dentista de Huey Lewis,” explica Alex. “E eu ouço uma voz atrás de mim, dizendo ‘Alex? É você?’, eu me viro e vejo Ron e Russell.”

Eram Ron e Russell Mael, mais conhecidos como Sparks, os irmãos de Los Angeles que estabeleceram as referências para o art rock com o álbum de 1974 ‘Kimono My House’ (estrelando ‘This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us’). Eles fizeram um ótimo trabalho também nos 19 álbuns subsequentes lançados durante 44 anos consecutivos de carreira. O Sparks ia tocar naquela noite, e convidaram Kapranos e o Franz Ferdinand. Ao final da noite, eles já tinham concordado que deveriam trabalhar em algo juntos – uma ou duas músicas, quem sabe.

Dois anos mais tarde, eles gravaram um álbum inteiro juntos como FFS. É menos uma colaboração e mais uma banda inteiramente nova com seis membros, composta pelos quatro membros do Franz Ferdinand e os dois irmãos Mael. O resultado é similar as duas bandas, mas com uma identidade distinta e própria. As guitarras agitadas e o groove tirado do dance de ‘Police Encounters’ são bem Franz, mas o refrão “bam bam diddy diddy” e o turbilhão de teclados é puro Sparks. Juntos eles fazem o que nenhuma das partes poderia fazer sozinha. Do mesmo modo, os acordes afiados e os vocais fortemente entrelaçados da faixa final ‘Piss Off’ mostram as diferentes visões que as duas bandas têm do art rock combinadas em quatro minutos de pop desajustado instantaneamente adorável. Enquanto isso, ‘Collaborations Don’t Work’ (típico título brincalhão do Sparks) é uma opereta pop que abre com guitarra dedilhada que vai sumindo para dar espaço para um grande movimento de orquestra/coral pop sobre o qual Russell e Alex trocam humilhações afiadas. “I don’t need your navel gazing / I don’t get your of phrasing / I don’t think you’re really trying / What pray tell are you implying” (Eu não preciso do seu egocentrismo /eu não entendo o seu estilo /eu acho que você não está tentando o suficiente /o que você está sugerindo?!). Não, esta não é uma colaboração qualquer.

Agora mesmo, Russell, Ron e Alex estão sentados bebendo chá no bar do Montecalm Hotel, em Londres. “Peço perdão pelo nível de falta de estilo”, diz Ron, impassível, um homem tão pouco preocupado com a opinião dos outros sobre ele que passou boa parte dos últimos 40 anos com um bigode estilo Hitler, embora hoje em dia ele exiba uma variação menos controversa no estilo lápis. Russell é um brincalhão. “Conte-nos sobre as señoritas no Uruguai”, ele provoca Alex, acrescentando com um sussurro encenado: “Foi assim que ele quebrou aquele dente.”. “Eu queria poder dizer que foi o resultado de algo tão rock’n’roll quanto uma señorita,” corrige Alex

As duas bandas se conhecem há mais de uma década. Quando os Maels ouviram o segundo single do Franz Ferdinand, ‘Take Me Out’ (2004), eles se comunicaram. O resultado foi um encontro art rock  às escuras em uma cafeteria em West Hollywood. “Nós estávamos super empolgados,” lembra Alex. “O Sparks teve um grande impacto em nós. No nosso primeiro ensaio de todos, nós experimentamos alguns covers e um deles foi ‘Achoo’ (do álbum do Sparks de 1974, ‘Propaganda’). Ficou horrível. As pessoas dizem que você nunca deve conhecer seus heróis, mas é bobagem.”

Eles falaram sobre gravarem um álbum juntos naquela primeira reunião e o Sparks escreveu ‘Piss Off’, mas o Franz Ferdinand estava prestes a lançar seu álbum de estreia, as coisas ficaram uma loucura e o projeto não deu em nada.

O encontro casual em São Francisco nove anos depois aconteceu exatamente quando o Franz Ferdinand estava prestes a lançar seu quarto álbum ‘Right Thoughts, Right Words, Right Action’, mas Alex estava determinado a não deixar a oportunidade escapar desta vez. “Eu me lembro de sentar com os outros e dizer, ‘Não importa o quão ocupados estivermos, nós temos de fazer acontecer’”, ele conta.

O Sparks iniciou o processo de maneira provocativa, enviando para o Franz Ferdinand a música ‘Collaborations Don’t Work’, “Foi meio que uma piada para ver se estávamos na mesma página”, diz Alex, olhando para Ron e Russell como que para ter certeza. “Quando Nick e eu ouvimos a música pela primeira vez, nós a achamos muito engraçada,” ele continua. Eles responderam à provocação com outra, em forma do trecho “We ain’t no collaborators, I am a partisan” (Eu não sou um colaborador, eu sou um partidário), equiparando a colaboração musical com a colaboração Nazista na Segunda Guerra. “Enquanto enviávamos, dissemos ‘Ou eles vão achar muito engraçado, ou eles nunca mais vão falar com a gente.” “Eu acho que esta música ressalta o fato de que ambas as bandas estavam cientes de que colaborações podem ser péssimas. Nós começamos isto não querendo fazer algo suave ou meia-boca”

A partir deste momento,FFSNME eles trabalharam em segredo por 18 meses, enviando faixas uns para os outros. “Nós mantivemos tudo por debaixo dos panos para que não houvesse expectativa,” diz Russell. Alex adiciona: “Colaborações geralmente são porcarias esquecíveis. Elas sempre só parecem muita promoção. Ao invés de construir esta na divulgação, nós queríamos ter conteúdo antes de contar ao mundo. Nós não queríamos trabalhar em cima das expectativas dos outros.” Eles também queriam evitar o termo “super grupo”, já que são duas bandas se juntando, não membros escolhidos cuidadosamente. “Nós não sentimos nenhuma afinidade com este termo”, bufa Alex.

Não era a intenção original, mas no final eles acabaram escrevendo material o suficiente para um álbum inteiro. Foi gravado no estúdio RAK, em Londres, em três semanas. A coisa toda foi, como eles dizem, incrivelmente fácil, como se eles já estivessem tocando juntos há anos. O único problema foi o forte sotaque de Glasgow de Paul Thomson, baterista do Franz, que Alex teve de traduzir para os Maels. E foi Thomson que sugeriu o nome. “Nós sabíamos que era engraçado, pois todos riram,” diz Russell. “Assim que Alex nos traduziu o que Paul havia dito, nós concordamos que servia perfeitamente.”

Houve muitas conversas durante o processo de gravação, sobre a situação da música pop, que todos concordam que é terrível. Ron, que não é nenhum tagarela, fica animado com o assunto. “É muito decepcionante,” ele suspira. “Eu acho que parte disto é porque estamos nessa há muito tempo, mas parece que o pop agora é medíocre. Há tantas possibilidades dentro do pop, forçando as coisas, mas ainda com relação às pessoas. Me deixa muito bravo o fato de as pessoas estarem fazendo isso pelas razões erradas. É insultante com relação ao que a música pop pode ser.”

Alex concorda: “Nós compartilhamos o amor ao pop, mas nós nunca tentamos fazê-lo da mesma maneira previsível que as pessoas ao nosso redor o fazem. Você corre o risco de passar batido, mas quando há conexão, meu deus, é fantástico. Isto resume o espírito deste álbum.”

FFS é uma reunião de almas aparentadas, com certeza, mas você também tem a sensação de que as duas bandas sabem que, neste momento, elas são mais interessantes juntos do que separadas. Se passaram cinco anos desde que o Sparks lançou o último álbum, enquanto o último lançamento do Franz, embora suficientemente bom, não conseguiu deixar uma grande impressão. É por isso que o Sparks e o Franz Ferdinand como entidades separadas estão na geladeira por enquanto. O FFS tem um verão cheio de shows pela frente, incluindo Glastonbury. Depois disto? “Não fazemos ideia,” diz Alex. “Quando nós começamos, não tínhamos a menor ideia do que ia acontecer. Esta é uma boa sensação para se ter sobre uma banda. Não saber qual será o futuro e não o ter mapeado para você. Vamos ver o que vai acontecer.”

Todos eles acenam em concordância. “Deixe o público falar!”, diz Russell. E Ron dispara: “E então nós os ignoramos”.

FLYING SPARKS – Um guia de Alex Kapranos sobre os melhores álbuns dos irmãos Mael

  • Lil’ Beethoven 2002 – “Eu adoro a faixa ‘The Rhythm Thief’. Ela mostra a progressão da banda se afastando daquilo ao que as pessoas os associava, que era música de pista de dança. Eles abandonam isto aqui e se concentram mais nas melodias.”
  • Gratuitous Sax & Senseless Violins 1994 – “Este tem a música que eu mais gosto do Sparks, que é “When Do I Get To Sing ‘My Way’”. É uma música bem dramática. Faz você querer dançar, tem uma melodia bem direta, mas também tem profundidade e complexidade.”
  • Angst In My Pants 1982 – “Eu amo ‘Sherlock Holmes’. É uma música enganosamente simples. Você não sabe de que nível ela vem, ou se é alguém cantando sobre Sherlock Holmes ou se é sobre o relacionamento entre duas pessoas.”
  • No.1 In Heaven 1979 – “O Sparks foi o precursor da dance music eletrônica. Eles trabalharam com Giorgio Moroder no final dos anos 70 e fizeram o tipo de música que era estranha para seus fãs. Eu fiquei surpreso quando eles me contaram que foi criticado severamente na época.”
  • Kimono My House 1974 – “O óbvio. Há poucas bandas afortunadas que têm uma música como ‘This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us’, o tipo de música que muda o cenário. Eu sei que muita gente viu esta música no Top of the Pops e seus queixos caíram no chão.”

 

TRADUÇÃO: Cristina Renó, obrigada ;)

FONTE: NME Maio 2015 – Fotos de Ed Miles | Edição das imagens: Franz Ferdinand México e FFFBR

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“Às vezes, fazemos planos, mas muitas vezes acabam por ser uma merda” – entrevista com Nick e Bob

8 de junho de 2014 às 19:09 por Simone


Quarta-feira, 04 de junho de 2014 | Roger Gascón

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Franz2009A essa alturas do jogo sobram apresentações e o Franz Ferdinand tornou-se, por méritos próprios, atração principal de qualquer festival que se preze. Por isso é um prazer tê-los novamente em nossa página da internet como protagonistas do Bilbao BBK Live e do 101 Sun Festival de Málaga em meados de julho.

Estão situados entre o indie e o pop, pelo menos no que diz respeito ao número de fãs que vocês tem em todo o mundo e no tipo de música que fazem. Vocês se consideram mais indie que pop? Ambos?
BH (baixista Bob Hardy): Gostaria que “indie” continuasse significando o que deveria ser, independente. Temos um contrato com uma gravadora independente, então eu acho que nós somos uma banda indie. De todo modo, acho que indie abrange muitas coisas, não só as gravadora, também o estilo, as guitarras. Sim, nós somos uma banda indie com contrato com uma gravadora independente.

Do revival pós-punk que começou no início do século, vocês são provavelmente, o grupo que amadureceu melhor sem se fastar muito do pós-punk. Qual é a fórmula para o seu sucesso prolongado?
NM (guitarrista Nick McCarthy): Eu não sei, de verdade.
BH: Acho que evitar relaxar e viver das conquistas do passado e tentar fazer um disco tão bom quanto pudermos fazer. É algo que nós estávamos muito conscientes durante a gravação deste álbum. E, também, o fato de termos dado um longo tempo de descanso antes da gravação do disco, o que ajudou muito e nos fez lembrar por que nós disfrutamos tanto antes de tudo. Isto foi muito importante. E, além disso, nós somos bons amigos a muito tempo, e isso faz a diferença.

Vendo como terminaram o resto dos grupos daquela cena musical, com mudanças de integrantes ou rumores de não se darem bem, isso é um mérito.
BH: Sim, é verdade, continuar sendo amigos é uma das coisas mais difíceis quando você está em um grupo já há algum tempo, porque vivemos juntos, trabalhamos juntos, e conseguimos. E, como eu disse há pouco, fazer pausas como as de antes da gravação do disco contribuem com isso.

Quais são os ingredientes da canção perfeita do Franz Ferdinand?
BH: Um bom ritmo, creio, o ritmo é muito importante. Na verdade, Nick estudou baixo, o que o torna um cara ritmico, Paul é um baterista incrível, Alex tocou baixo, e eu, bem, eu sou o baixista. Eu acho que é uma das chaves do grupo, todos trazem o ritmo dentro de si.
NM: O que é importante é uma boa linha de baixo e um bom ritmo de bateria.

Como vocês compõe suas músicas? Todos juntos ou um leva uma melodia e vocês trabalham nela nos ensaios?
NM: Depende da música, mas no final sempre a construimos todos juntos.
BH: O modo padrão seria quando você, Nick, tem a melodia, ou o Alex escreve uma melodia vocal e vocês dois terminam juntos, vocês escrevem o refrão ou o que a música necessita, e, em seguida todos juntos fazemos os arranjos.
NM: Podemos escrever as canções de forma acústica, como fizemos para este disco, em que compusemos as canções apenas com guitarras. Em seguida, fazer os arranjos e obter um bom ritmo e uma boa linha de baixo é o que dá mais trabalho. É o que você tem que fazer bem para que as pessoas gostem.

Neste novo álbum, vocês querem explorar novos territórios ou novos sons?
NM: Bem, simplesmente não queremos nos repetir, é algo intrínseco no ser humano, não? Eu não quero tocar o mesmo que toquei no terceiro disco, seria entediante. Há coisas que não podemos fazer, coisas que ainda gostamos, ou seja, há um pouco de reinvenção, mas basicamente somos os mesmos Franz Ferdinand de sempre, não podemos evitar isso. Há coisas que nós gostamos e sempre vamos gostar, e coisas que com o tempo acabamos odiando.

Vocês acham que outras bandas mudam demais? Talvez eles queiram evoluir e passam ​​para um estilo completamente diferente e isso faz com que percam os fãs?
NM: Acho que o desenvolvimento é muito importante para um grupo. É o interessante. Eu sou sempre a favor das mudanças. Obviamente, isso pode dar errado, é um risco que você tem que correr, mas não é tão arriscado como repetir-se uma vez após a outra. Neste álbum temos Fresh Strawberries, uma canção tradicionalmente muito inglesa, é a mais anos 60 que fizemos até agora. Nós adoramos tocar outros estilos.
RG: Bem, vocês já tocaram estilo anos 60 com Fabulously Lazy.
NM: Wow! Issso tem muito tempo. É verdade, sim … Era o lado B de Lynsey Wells, não? Ou era um A-side duplo?

Eu acho que na Espanha saiu em um EP, com essas duas músicas, uma instrumental…
BH: Brown Onions.

E outra da qual não me lembro.
NM: Oh, me encanta Lynsey Wells. Ela é genial. Está prestes a se casar, por sinal.

Quem? Lynsey?
NM: Sim, que lástima, haha!

Vocês tem alguma estratégia na hora de escolher os singles do álbum? Digo isso porque eu notei que o primeiro single que escolheram não costuma ser a canção mais comercial do álbum, e logo depois lançaram o que foi um estouro.
NM: Às vezes, fazemos planos, mas muitas vezes acabam por ser uma merda.

O primeiro single do primeiro álbum foi Michael.
BH: Sim, no Reino Unido foi Michael, eu não sei se aqui na Espanha também.
NM: Depois, Darts of Pleasure.

Mas o hit foi Take Me Out.
NM: E você acredita que neste álbum aconteceu a mesma coisa? O segundo single é melhor do que o primeiro?

Homem, talvez … Evil Eye e Bullet me parecem os grandes hits, e foram segundo e terceiro singles.

 

FONTE: Mondo Sonoro

Em entrevista, vocalista do Franz Ferdinand fala sobre novo disco e detalha sua relação com o Brasil

9 de março de 2013 às 10:14 por Simone


Banda escocesa volta ao país pela sexta vez, para shows em Recife e em São Paulo

cult_franzferdinandRIO – Sim, o Franz Ferdinand está de volta. Em sua sexta passagem pelo Brasil, a banda escocesa aporta pela primeira vez em Recife, no dia 29, e se apresenta na edição brasileira do Lollapalooza, no dia 30 de março, em São Paulo. Além de hits como “This fire”, “Take me out” e “Do you want to”, Alex Kapranos e companhia prometem apresentar novas músicas que farão parte do sucessor do disco “Tonight: Franz Ferdinand”, lançado no já distante ano de 2009. Com várias indicações ao Grammy no currículo e muitos discos de platina na parede, o vocalista falou ao GLOBO sobre o próximo disco, sobre as sete faixas inéditas apresentadas na semana passada em um show intimista em sua Glasgow natal e sobre sua paixão pelos fãs brasileiros.

Como foram as gravações do novo disco? O que os fãs podem esperar?

As gravações foram muito bem. Os fãs podem esperar um LP que soa como se nós tivéssemos realmente gostado de fazê-lo. O que aconteceu, de fato. Acho que nunca nos divertimos tanto fazendo um disco quanto esse.

Como têm sido as reações ao material novo que vocês vêm tocando ao vivo?

As reações têm sido ótimas. Muitas dessas músicas são bem diretas, mais até que as do último disco. Definitivamente vamos tocar as novas canções do Brasil, mal posso esperar por isso.

Vocês estão lançando o quarto álbum de estúdio e já não são mais a novidade que arrebatou crítica e público em meados da década passada. O que vocês fazem para não perder o frescor de uma banda jovem, faminta?

Er… não comer muito? Não é isso que te deixa faminto? Acho que nossa vida é emocionante por nos mantermos longe da parte “industrial” da coisa. Damos poucas entrevista e temos o mínimo de contato possível com a gravadora. Isso é o que cansa, não a parte de escrever ou tocar nossas músicas.

E como é encarar a estrada mais uma vez com os mesmos colegas de sempre?

Uma coisa importante é se certificar de que todos na banda se dão bem uns com os outros. Bandas antigas ficam chatas quando você ouve um monte de caras cheios de ressentimentos mesquinhos e amargura. Essa é a pior coisa que pode acontecer com você. Felizmente, nós temos uma conversa muito aberta uns com os outros, então conseguimos escapar dessas armadilhas.

Desde o primeiro show do Franz Ferdinand no Brasil, em 2006, esta é a sexta passagem de vocês pelo país. Qual é a sua relação com a cultura brasileira?

Ah, aquele show foi muito divertido. Tenho ótimas memórias dele. Foi muito intenso… bem, ao longo dos anos acabei fazendo amigos no Brasil com quem ainda mantenho contato e encontro quando volto. Acho que tem havido bastante mudanças desde a primeira vez em que estivemos aí. Em muitos aspectos, o país parece estar prosperando. Mas, para deixar claro, isso vem da perspectiva de um turista que sempre teve bons momentos em suas visitas…

Depois de tantas vindas, algo na cultura brasileira chamou sua atenção?

Eu fui apresentado a alguns artistas brasileiros maravilhosos bem cedo, como Jorge Ben, Caetano Veloso… esses caras tiveram um grande impacto sobre mim. Passei meu aniversário no Rio, em 2010, e fomos para um ótimo clube que tocava apenas música brasileira. Foi surpreendente. Eu conhecia algumas das músicas que ouvi, mas tenho muito ainda para conhecer. Gosto bastante do Cansei de Ser Sexy e do Bonde do Rolê. Alguma dica sobre o que eu devo ouvir?

Já conhece a Nação Zumbi?

Estou ouvindo um trechinho. Soa bem metal, pesado, mas com muita percussão. Adoro uma boa percussão como essa.

No seu último show em São Paulo, em maio de 2012, seus fãs tiveram problemas com a polícia local. Como você avalia esse incidente?

Esse é o pior pesadelo para qualquer um em uma banda: pensar que as pessoas podem se machucar na plateia dos shows. Mas, nesse caso, só descobrimos o que aconteceu depois de tocarmos. Durante o show, a única coisa que eu podia sentir eram as ondas de energia positiva. Até hoje não sei os detalhes do que aconteceu, então prefiro não julgar ninguém. Nossos fãs brasileiros sempre foram muito leais, acabamos construindo um relacionamento ao longo dos anos e é claro que você se preocupa.

E esse relacionamento é mantido à distância por meio do Twitter, certo? Você usa muito a ferramenta para se comunicar com os fãs. Gosta dessa proximidade?

Sim. Eu tenho aquele “negócio” do Twitter no meu celular. Se eu estou em um trem ou esperando em uma fila, entro no Twitter e falo com as pessoas. É bem divertido, às vezes chegam umas perguntas bizarras. Mas é incrível como você fica instantaneamente ligado àquelas milhares de pessoas, não é? Gosto de ter o retorno direto da pessoas. Foi como eu disse sobre o afastamento da parte industrial da coisa. Hoje eu prefiro usar o Twitter para contar as novidades para os nossos fãs do que escrever um comunicado para a imprensa.

Seus shows no Brasil ficaram marcados pelas performances enérgicas. Você se sente pressionado por essa fama?

Eu não costumo pensar sobre shows passados quando estou no palco. Sou tomado por aquele momento e mais nenhum outro. Claro que eu ainda fico nervoso antes de subir ao palco, a mesma sensação de estar à beira do trampolim mais alto de uma piscina e que aquele é um passo sem volta. É incrível! Bem, preciso ir em alguns minutos, prometi fazer o jantar para os meus pais. Não consigo vê-los com frequência, então preciso dar atenção a eles… Alguma pergunta antes que eu desapareça na cozinha?

FONTE: O Globo

Entrevista exclusiva do Franz para a Field Day Radio

6 de maio de 2012 às 14:01 por Simone


Entrevista exclusiva (e única do ano) dada pelo Alex e Paul para a Field Day Radio, festival onde eles serão headliners e que acontece no Victoria Park, Londres dia 02 de junho. 

Na entrevista eles falam um pouco sobre o que cada um andou fazendo depois que acabou a tour, a sensação que fica depois de rodar o mundo por muito tempo (motivo dos intervalos entre um cd e outro), a expectativa de um novo álbum, shows e o amadurecimento da banda.

Sobre o cd novo não falam nada, apenas que é bom manter a surpresa e o segredo de algumas músicas para o lançamento do álbum. A boa notícia pra compensar é que eles dizem que seria crueldade se não tocassem algumas das músicas no qual estão trabalhando no momento nos shows que estão por fazer.

A entrevista começa aos 42min57seg e termina em 53min05seg.

             

 

Field Day Radio Episode 3 by Field Day Radio on Mixcloud

FONTE: Field Day Festival

Entrevista com o Paul depois de mais uma discotecagem pelo mundo

25 de fevereiro de 2011 às 14:36 por Simone


No último dia 18, Paul foi o convidade da MILK! Party, festa que aconteceu na Sugar Reff Musicology em Arezzo, na Itália.

Propaganda do DJ Set dele por lá, misturando o instrumento que ele toca no Franz e um remix da banda: Franz Ferdinand – The Fallen (Justice Remix). Muito interessante!

E, uma entrevista traduzida onde Paul fala sobre sucesso, sobre a diferença entre discotecar e tocar ao vivo e, não fala sobre o cd novo do Franz Ferdinand. Continuamos na mesma!

 

Entrevista com Paul Thomson (Franz Ferdinand), celebridade convidada da última Milk! Party: “Faça a sua música! É o único caminho para o sucesso!”
22 de fevereiro de 2011, por Marco Picinotti

Em breve nas colunas de l’Orlandino aparecerá uma nova série de entrevistas com bandas emergentes de Arezzo. Será uma oportunidade para mostrar suas intenções ao mundo, aquele da música, da garagem e salas de ensaio, que em Arezzo sempre tiveram algo a dizer. Uma área aos cuidados de Diego Nicchi, músico (vocalista do Soul Killa Beatz), que escreve e fala de música faz tempo (Radio Wave) e não contente, também organiza alguns eventos (todos os Sonic Chameleon). Um espaço que se chamará -como me disse via Facebook – “Band alle Ciance”.    
                                                       
Dito isto…qual melhor maneira de introduzir uma nova coluna sobre música, se não com uma entrevista feita com quem já entrou pra história da música? A sorte e a ocasião quem nos regala é a Milk! Aquela de sexta-feira passada, e que levou a Arezzo uma verdadeira estrela: um convidado excepcional, Paul Thomson.  Um rapaz inglês, de Glasgow para ser mais preciso, baterista profissional, DJ ocasional, mais conhecido como membro de uma banda chamada Franz Ferdinand.

Você já ouviu falar?

Sim, o próprio Franz Ferdinand, aqueles que inventaram um gênero musical, o indie. O mesmo genero que – hoje em dia – todos ouvem, aquele que distingue os anos 00. Vamos trocar algumas palavras para entender melhor como um cara de Glasgow, que até pouco mais de dez anos atrás discotecava em um pub escocês, o Vic Bar, perto da Escola de Arte, onde posava como modelo nu (inclusive, na frente de pintoras garotas de seus futuros companheiros de banda), hoje tocando suas baquetas na bateria de uma das maiores bandas de rock do mundo…

Do Vic Bar…ao Milk!…no meio da história…mas o que você tem a mais que os outros?

“É…o que eu tenho a mais do que os outros…eu acho que nada! Tudo o que aconteceu, aconteceu. Ponto!”

Eu entendo, mas algo a mais você tem…você é “o cara com o ritmo” de uma das maiores bandas em circulação…

“Olha, eu sei tocar guitarra, baixo, piano e, claro, a bateria…mas alguns membros da banda, quando nos reunimos no final dos anos 90, nem mesmo sabiam tocar um instrumento…pense um pouco’…(Bob Hardy, o atual baixista, na verdade aprendeu a tocar com Alex Kapranos, o vocalista! E isso só um pouco antes de nascer o Franz Ferdinand – nota do editor)”

Bem, então o caso é que queriam que o sucesso viesse…

“O sucesso…que fique entre nós…nós nem tinhamos pensado nisso! Nem uma vez!”

Ok, pensam que tudo é destino…mas pelo menos dê um conselho aos jovens músicos que sonham em chegar a esse abençoado sucesso…

“A única coisa que vem à mente, é: ‘Gente, não copiem ninguém! Façam a sua própria música!’ Esta é a única maneira de se chegar a algum lugar”

E pra quem você discoteca, o que você sugere?

“A regra número um é colocar coisas que fazem as pessoas dançarem. Encontrar as músicas que você sabe que as pessoas simplesmente não vão conseguir ficar paradas…”

Tipo? O que nunca falta em sua programação?

“Nunca falta Optimo, The Understones, Patrick Cowley, Killing Joke. Outras coisas essenciais são Talking Heads, Gino Soccio…”

Algo italiano?

“Eu amo rock progressivo italiano!”

Mesmo, você adora? Quem, em particular?

“Eu posso te dizer, para falar um nome entre tantos, que na próxima semana eu vou ver o Goblin em Glasgow! (Tocarão nesta sexta-feira no ‘The Arches’ na 253 da Argyle Street, talvez interesse para alguém – nota do editor)”

Qual é a diferença entre discotecar músicas e reproduzi-las realmente?

“A diferença é que quando você é DJ, as pessoas te pedem as músicas! Enquanto que, se você toca bateria, ninguém vem te dizer nada. Além do mais, a diferença é muito mais que isso…tocar é fazer uma performance ao vivo. Tocar é uma arte. Ser DJ, é botar pra rodar os discos, simplesmente escolher”

Sobre a arte, com o Franz Ferdinand? Alguma antecipação?

“Nenhum comentário! (O Franz Ferdinand está trabalhando no quarto álbum, que deve sair na primavera, mas eles mantém tudo estritamente confidencial, não falam, para evitar levantar falatório desnecessário. No entanto, os fãs sabem disso…somos fãs! – nota do editor)”

Eu tinha lido que você é um homem reservado, de poucas palavras! E, de fato…!Bem…você deu uma olhada em nossa cidade? O que te pareceu?

“Mmm, eu não vi quase nada! Eu fui ao restaurante ‘Da Olga’ para comer e depois para o hotel…”

Mas o fato é que eles o viram na Via Crispi com um saco de Pici (uma espécio de Spaghetti) ao molho, ao longe e uma garrafa de um bom Chianti…é de poucas palavras esse “cara com o ritmo” escocês…mas não é estúpido…!

(Agradecimentos especiais a Matteo Campriani e Elisa Masini, os dois tradutores simultâneos da entrevista…sem eles, o sotaque forte escocês de Paul Thomson seria imcompreensível! Obrigado)

FONTE: L’Orlandino e MILK! Party Facebook

Franz Ferdinand fala sobre distribuição musical

8 de outubro de 2009 às 6:03 por altair


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Alex Kapranos - Foto: Jr Reis

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Alex Kapranos prevê que, num futuro próximo, alugar canções será tônica do mercado.

Entrevista feita por: Jotabê Medeiros

Pouco antes do show para cerca de 1 mil sortudos na boate The Week, os quatro integrantes do grupo – Alex Kapranos, Nick McCarthy, Bobby Hardy e Paul Thomson – toparam conversar com o Estado sobre temas relacionados à problemática da distribuição de música nos dias atuais. Têm poucas divergências e até arriscam alguns palpites. O baixista Bobby Hardy foi a exceção, não quis se estender no assunto (“Somos apenas quatro amigos cuja atividade é fazer música, e analisar o mercado é coisa para quem comercializa música”, disse).

Ao contrário de Bob, Alex Kapranos, o líder do grupo escocês – poucos fazem um show ao vivo tão bem hoje em dia – não se fez de rogado e até arriscou algumas fórmulas que, pensa, podem salvar a lavoura do rock’n’roll.

JOTABÊ MEDEIROS: A cantora britânica Lily Allen disse que está pensando em se aposentar, já que não vê futuro para os músicos atuais por causa do download ilegal. Há um movimento na música britânica nessa direção, que envolve gente como James Blunt, Elton John. O que vocês acham disso?

FRANZ FERDINAND: Nós conversávamos sobre isso justamente esta noite. Pensamos em uma solução há muito tempo. Você é a primeira pessoa que vai ouvir nossa sugestão para salvar a música (risos). O problema é: cada nova peça de música que é gravada, não há controle da distribuição. Então, em vez de as pessoas comprarem a música que já existe, de um artista tipo Lily Allen, pagam uma contribuição para a próxima música desse artista. Por meio de comunidades de fãs. Por exemplo: todo mundo quer ouvir a próxima canção de Lady Gaga? Então, 20 milhões de pessoas ao redor do mundo dão a Lady Gaga 50 centavos cada um. Assim, têm direito a ouvir primeiro a nova canção de Lady Gaga. É uma forma de financiar a produção musical desses artistas.

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Esclarecimentos sobre “What She Came For” e para onde vai a gravação do show…

5 de outubro de 2009 às 18:00 por tarci


Está rodando em vários sites relacionados ao Franz que “What She Came For” teria um clipe, por causa de screencaps de um vídeo e pelo lançamento do single de “What She Came For Remixes” mas isso NÃO foi confirmado pela banda. Em conversa com o Franz Ferdinand Brasil, Alex e Nick disseram que não tinham nada gravado, mas que o próximo vídeo, ainda não escolhido, sairia em breve. Nick ainda falou que gostaria que “Twilight Omens” virasse single, mas isso também dependeria da gravadora.

Os screencaps são de um vídeo que está sendo mostrado nos shows da banda, que foi criado pela NEWFUTURENOW. Para ver o vídeo original clique aqui. No menu do lado direito da página você ainda pode encontrar outros vídeos da turnê.

Abaixo os screencaps que estão sendo divulgados:

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Como já dissemos antes aqui no FFBr, a banda confirmou na coletiva de imprensa realizada no dia 30 de setembro, que o show na The Week iria virar material para um novo DVD, mas no outro dia, Alex nos disse que viraria um especial para a MTV Brasil.

O que resta é esperar… mas quem sabe não vira especial para a MTV e material para o novo DVD? 😉

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Franz Ferdinand participa de coletiva antes do show do ano

1 de outubro de 2009 às 20:45 por admin


A noite de 30 de setembro de 2009 ficará marcada como uma das melhores para todos os fãs do Franz Ferdinand. Afinal, foi neste dia que anunciaram oficialmente, na boate The Week, em São Paulo,  a turnê brasileira da banda em 2010, abrangendo cidades como Brasília e Porto Alegre, além de São Paulo e Rio de Janeiro, como já divulgado aqui. Além desta informação tão esperada, foi realizada uma coletiva de imprensa e um dos melhores shows da banda em território tupiniquim.

Na coletiva, os quatro rapazes de Glasgow responderam perguntas de diversos veículos de comunicação e ao site Franz Ferdinand Brasil. Em meio às questões, eles comentaram o último álbum, Tonight, lembrando de escolhas como a produção de Dan Carey, que foi determinada após algumas indicações feitas por pessoas de confiança dos integrantes. Para a banda essa foi uma de suas melhores parcerias, além disso, procuraram manter a sonoridade dos dois primeiros álbuns adicionando sintetizadores e tornando as canções bem mais dançantes, sem deixar de ser uma banda de rock.

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