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Franz UP: Alex Kapranos e AB/CD/CD no vídeo de Always Ascending

28 de janeiro de 2018 às 17:43 por Simone


Franz Always Ascending 2Por David Knight,  

O Franz Ferdinand está de volta. Um novo álbum dos astros do rock escoceses sairá em fevereiro, com a primeira música (e faixa título) Always Ascending lançada no final de 2017, acompanhada por um vídeo fascinante dirigido pelo time francês AB/CD/CD.

É a segunda vez que a banda e os diretores trabalham juntos, seguindo o vídeo de Johnny Delusional dos FFS (um supergrupo, combo de Franz Ferdinand e Sparks), e neste, filmado em Paris, o talentoso time de direção francês capturou a essência da faixa enquanto revelava uma nova aparência, um Franz com cinco integrantes.   

Então o Promonews conversou com o líder da banda Alex Kapranos, e Clement e Camille do AB/CD/CD sobre como eles firmaram parceria com o vídeo de Always Ascending, os inúmeros desafios envolvidos, e descobriu o motivo pelo qual Alex adora fazer clipes.

Franz Ferdinand - PC David Edwards - launch shot -300 dpi

“A abordagem de Camille e Clement é similar ao modo como nós fazemos música, então os dois métodos conversam entre si.” Alex Kapranos, segundo à esquerda

 

 

Alex Kapranos: Nós adoramos trabalhar com Camille e Clement [AB/CD/CD] no vídeo para o FFS e ficamos interessados em trabalhar com eles de novo, de uma perspectiva tanto criativa quanto pessoal.

Eles têm um bom senso para capturar vários shots na câmera, e então utilizam o mínimo de pós-produção para juntar tudo. Eles têm o desejo de desafiarem a si mesmos: levar a câmera, iluminar e estabelecer os locais que são menos familiares aos olhos, ao invés de gerar isso usando um computador. Isso é muito parecido com a abordagem que utilizamos para criar nossa música, então os dois métodos conversam entre si.

Eu também sinto que eles são os mestres no que é considerado a chave para um vídeo bem-sucedido: possuir um conceito forte, poderoso e de entendimento imediato, e então explorar os detalhes com cuidado e calor artístico.

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“Geralmente, para clipes, quanto mais simples, melhor.” Camille & Clemente, AB/CD/CD

 

AB/CD/CD: Nas conversas com a banda, eles foram bastante claros sobre como o vídeo deveria ser: fazer um vídeo que visualmente refletisse o conceito de ascendência da música, capturando a apresentação da banda de um jeito moderno, e como a formação da banda foi alterada recentemente, tendo a mudança para mostrar claramente os membros.

Foi um tanto desafiador, mas ouvindo a música (e os tons de Sheppard presentes nela) foi bastante óbvio que ter uma câmera constantemente subindo era uma boa ideia. Geralmente, para clipes, quanto mais simples, melhor.

Mas então nós elaboramos essa ideia, pensando sobre o que poderia acontecer em cada piso. Cada piso foi sincronizado com uma parte da música. Foi um quebra-cabeças interessante de resolver. Nós queríamos criar um tipo de direção de arte moderna e filmar isso de um jeito moderno. Então nós começamos a trabalhar em cada piso para dar ritmo e energia de acordo com a música. Como era um pouco ambicioso, tivemos que garantir que todo mundo estava na mesma página, e para isso tivemos que desenhar cada sala uma a uma. Acredite ou não, foi bastante útil.

     

“Nós adoramos trabalhar com Camille e Clement no vídeo para o FFS.” Alex Kapranos

 

Alex K: Tecnicamente, nós queríamos criar uma ascensão física entre as cenas de cada shot. Para criar isso, os caras usaram um novo tipo de boom de câmera hidráulico que eu nunca tinha visto antes. Como esse não é o meu mundo, não faço a mínima ideia de como isso é chamado, mas era enorme e parecia com o robô que aparece no começo do Robocop – sabe, aquele que fala enfurecido, “15 segundos para cumprir, etc.” Todas essas cenas foram feitas para o robocop do mal. Foi um tanto perturbador e contribuiu para o clima alienado de sci-fi do set.

Nós também estávamos procurando por um efeito de iluminação que não tínhamos visto antes e os caras encontraram essa nova tecnologia que foi desenvolvida recentemente na França usando lasers frios de baixa intensidade que podem ser filmados sobre o rosto e os olhos de modo seguro. Eu amo esse efeito. É muito do outro mundo.

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“Os caras usaram um novo tipo de boom de câmera hidráulico… parecia com o robô que aparece no começo do Robocop.”

 

 

AB/CD/CD: Nós andávamos conversando sobre a limitação do movimento de ascendência com o nosso 1º assistente de direção e ele nos contou sobre um braço protótipo que ele tinha visto no dia anterior. Era tipo um Moco porém mais simples de programar. Nós fomos os primeiros a filmar um projeto com essa máquina, então podemos dizer que foi um projeto experimental.

A maior parte [do trabalho de pós-produção] foram as transições de uma sala para a outra. Nosso artista Flame (Mathieu Collet) fez um ótimo trabalho. Mas além disso, a maioria foi feito na câmera – até mesmo o telão nos fundos foi filmado no set.

Alex K: Fisicamente, o aspecto mais desafiador foram as cenas flutuando no começo do clipe. Aquelas que parecem tão fáceis. Elas filmaram em alta velocidade a gente pulando e se jogando horizontalmente em um trampolim de tamanho olímpico. É bem um exercício físico. Especialmente se demora em torno de 45 minutos pra ser filmado…

AB/CD/CD: FF é bastante desafiador mas sempre amável e profissional. Essa filmagem foi um tanto mais intensa que Johnny Delusional. Nós finalizamos a filmagem por volta das 5 da manhã, mas todos ainda continuavam motivados e deram o seu melhor, assim como a equipe. Analisando o projeto novamente, parece muito similar com o clipe do FFS. Eu acho que eles gostam bastante de cenas em sequência que nem a gente…

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“Fisicamente o aspecto mais desafiador foram as cenas flutuando – aquelas que parecem tão fáceis.”

 

Alex K: Eu amo fazer vídeos. Sempre fantasiei sobre a oportunidade de fazê-los e ainda assim aproveitar cada fase do processo, dos primeiros storyboards e conceitos, das filmagens até as edições. Eu particularmente amo quando você vê algo transformado de uma ideia abstrata que veio de uma discussão imprevisível, em uma peça de trabalho completamente realizada. Nós tivemos muita sorte de trabalhar, ao longo dos anos, com muita gente talentosa. É um sonho. A única partezinha que eu não gosto é a mesma de todo mundo: ter que filmar muito cedo e sentar por horas fazendo nada enquanto as câmeras e a iluminação estão sendo arrumadas.

Darts of Pleasure sempre será muito querido por mim, porque foi o primeiro que nós fizemos e foi parcialmente filmado no The Chateau – o antigo armazém que nós costumávamos fazer festas quando a banda começou pela primeira vez. Todas as outras pessoas no clipe eram amigos com quem saíamos na época. Realmente capturou bem o que nós éramos naquele tempo.

Eu amo o vídeo de Ulysses. O que foi lançado. Ele foi filmado com Will e Dylan [também conhecido por Thirtytwo] e basicamente improvisado, com a nossa reação a várias locações na região de LA. Nós estávamos todos com jet-lag e completamente fora do normal por algum motivo ou outro. Ele tem aquela sensação de uma saída durante a noite que durou demais. Talvez de muitas noites até tarde. Ele capturou o humor da música muito bem. Tem uma cena minha com o rosto azul tão curta, que é quase subliminar. A maquiagem me causou uma reação alérgica e os meus olhos incharam em proporções de Merrick. É por isso que eu estou usando óculos de sol grossos na maioria das cenas. Se você prestar bem atenção, você consegue ver através deles e enxergar o horror que está por baixo.

Algumas mudanças têm sido notáveis ao longo dos anos. Ninguém grava em rolos de filme. Ocasionalmente nós gravamos em 16mm, mas eu não consigo imaginar ninguém fazendo isso agora. O 5D e seus sucessores revolucionaram o modo de fazer vídeos, permitindo fotografia cinemática dentro do orçamento. O vídeo que fizemos para Fresh Strawberries com Margarita Louca é um grande exemplo disso. Curiosamente, o vídeo que nós acabamos de fazer com Diane Martel para Feel The Love Go foi, texturalmente, uma reação contra os crisps ubíquos das gravações SLR: foi filmado completamente em Beta.  

A outra grande mudança é a forma como as pessoas olham para os vídeos e com qual frequência eles o fazem. YouTube, Vevo, Apple Music, etc têm revolucionado o meio. Não é mais algo que é visto apenas algumas vezes: talvez uma ou duas vezes no Top Of The Pops ou no CD:UK ou (se você tivesse sorte) MTV, mas agora é facilmente assistido repetidamente de modo fácil. Com a capa  do álbum agora cada vez menos acessível para a maioria dos fãs, o vídeo realmente é uma maneira poderosa e essencial de mostrar a estética visual da sua banda.  

“O Franz Ferdinand é bastante desafiador mas sempre amável e profissional. Essa filmagem foi um tanto mais intensa que Johnny Delusional.” AB/CD/CD

 

 

AB/CD/CD: 2017 foi muito empolgante para nós, com vários projetos, e começamos uma nova colaboração com LA/PAC na França & Forever no Reino Unido, os quais são bastante promissores! Para 2018 nós temos algumas ideias que queremos explorar em clipes e trabalhar em dois curtas paralelamente. Espere e verá, dedos cruzados.

Alex K: Eu admiro grandemente Camille e Clement. Eles são dedicados ao trabalho, como verdadeiros artistas. Eles desafiam a si mesmos além do que você possa esperar ou imaginar que seja possível. Essa gravação começou cedo da manhã e foi até… bem, muito cedo da manhã. Durante esse período longo e intenso, eles nunca perderam o foco.

Eu sei que nós podemos ser exigentes como banda e tenho certeza que fizemos eles se esforçarem bastante, mas eu sinto que o resultado é maravilhoso e algo que espero que eles se orgulhem assim como nós. Trabalhar com esses caras é uma verdadeira alegria. Muito calorosos e generosos.

• AB / CD / CD são representados por Forever no Reino Unido e La Pac na França, e o novo álbum do Franz Ferdinand, Always Ascending, será lançado pela Domino Records em 9 de fevereiro

• Franz Ferdinand Always Ascending:

     

Tradução e agradecimentos: Hinessa Caminha

FONTE: Promonews

Festa de Lançamento do Álbum FFS

10 de julho de 2015 às 4:47 por Simone


Neste sábado, 11/07, teremos uma festa de lançamento do primeiro álbum do FFS, Franz Ferdinand & Sparks.

A festa acontecerá na Funhouse (Bela Cintra, 567 – São Paulo) em parceria com a Sony Brasil e Delicious Party e teremos sets especiais e sorteio de brindes. A abertura da casa é a partir das 20h para o esquenta e a entrada é liberada até às 00h (não esqueça de levar um documento com foto recente). Acesse o link do evento: https://www.facebook.com/events/910492208992987/

11701045_762098543889328_3907082626517550399_nVenha festejar conosco!

Até o Alex nos chamou para a festa 😉

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Edição Deluxe do álbum do FFS em pré-venda com frete grátis!!!

27 de junho de 2015 às 9:20 por Simone


E já está disponível em pré-venda o álbum do FFS, com lançamento para o dia 02/07 em versão deluxe digipack.

O melhor de tudo?! Em parceria com a Sony Music Brasil conseguimos frete grátis, mas atenção o frete grátis só será aplicado se a compra for feita através do link abaixo!!!

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Aproveitem 😉

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Frete grátis só pra quem é do fã site, aproveitem!

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*** Imagens apenas ilustrativas. Fotos da versãodeluxe digipack inglesa.

Um estranho caso de amor…

6 de junho de 2015 às 11:53 por Simone


A malta dos Franz Ferdinand cresceu a adorar os Sparks. Os Sparks apaixonaram-se pelos Franz Ferdinand desde o primeiro momento. Andaram 11 anos a namorar-se até que fizeram um filho: FFS é o magnífico filho de uma união improvável | por João Bonifácio 05/06/2015

 

 

 

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Regra número um da pop: nunca, em circunstância alguma, fazer uma super-banda.

Olhando para a história, estes epifenómenos ocorrem quando determinados artistas chegaram àquele ponto em que acreditam de tal modo no seu próprio mito (“Eu sou fantástico, eu sou um Deus”) que, em vez de olharem para o mundo e se dedicarem a criar algo novo a partir do que vêem, decidem que já só podem trabalhar com gente da mesma igualha e dar-se ao luxo da indulgência porque, obviamente, qualquer coisa saída da cabeça de meia-dúzia de génios será excepcional e o mundo inteiro quererá ouvir. Depois pomos um disco dos Travelling Wilburys a tocar e perguntamo-nos “Porquê, meu Deus, porquê?”.

Como o Real Madrid prova quase época após época, uma constelação de estrelas não faz uma equipa. Pelo que é de facto depropositado ver estes FFS surgirem – para quem não sabe, FFS é a sigla escolhida pelos Franz Ferdinand (FF) e pelos Sparks para o projecto em comum que acabam de editar. Espera um minuto: Franz Ferdinand e Sparks juntos? Num super-grupo? Mas isto não faz sentido nenhum. Vejamos. Hipótese a) os Sparks são uma banda pop arrojada, experimental e erudita, não têm nada que se meter com fazedores de pop fácil como os Franz Ferdinand; hipótese b) porque é que os Franz Ferdinand, uma óptima banda de rock afunkalhado, vão perder tempo com gente empreoada como os Sparks?

Resposta: “Porque somos fãs uns dos outros”, diz Paul Thompson, o baterista dos FF, pelo Skype, ao vivo, em directo e a cores de sua casa. Este rapaz sorridente e conversador, que estica as entrevistas por mais tempo que o pré-determinado – o que por um lado é chato porque temos de ficar à espera, por outro é porreiro porque se pode efectivamente ter um diálogo – começa por esclarecer que “nenhum dos envolvidos considera os FFS um super-grupo”. “Não fazemos parte dessa categoria”, diz. Um pouco de humildade, para começar.

Paul é o primeiro a admitir que “para o observador desatento pode parecer improvável que as duas bandas se tenham juntado”. No entanto, ele acha que “há mais território em comum entre ambos do que pode parecer à primeira”. Sim, “são bandas com sons distintos. Os Sparks nos anos 1970 tinham coisas muito barrocas, não raro recorreram a orquestras e utilizam muito mais teclas que nós”, diz, antes de pausar para, como admiração, rematar: “Mas soam sempre a Sparks, já reparaste?”.

Com os FF, admitamos, é mais guitarras. Mas “há uma coisa que ambos temos: uma vontade de chegar ao excesso e de surpreender dentro de cada canção. Se reparares, muitas vezes as nossas canções têm várias canções dentro”. Agora, porque raio e como raio e quando raio é que esta gente decidiu que ia fazer um disco junta? Resposta à última pergunta: “Há onze anos”.

Há onze anos os Franz Ferdinand lançaram o seu disco de estreia e Take me out, o segundo single, estava por todo o lado. “Foram tempos estranhíssimos”, recorda Paul, reportando-se a um momento da sua vida em que passou, do dia para a noite, de absoluto desconhecido a estrela pop. Ou semi-estrela, para usar a definição dele. Estavam então os FF nos EUA em digressão, mais propriamente em LA, quando aparecem os Sparks. “Conhecemo-los no hotel em que estávamos, eles vieram conhecer-nos porque – imagina tu – eram nossos fãs”. Semi-aturdidos por este encontro, os elementos dos FF passaram a conversa a observar atentamente o comportamento da dupla que compõe os Sparks: “Eles não comeram nada, só beberam café. Começámos a imaginar que só comiam comida macrobiótica, imaginámos as coisas mais delirantes a respeito deles. Não púnhamos a hipótese de serem pessoas normais”.

Claro que não punham – por uma razão muito simples: os FF são fãs dos Sparks desde pequenos. “Conheço os Sparks desde miúdo, por causa da colecção de discos do meu pai. O Propaganda era dos meus discos favoritos – aquela música era diferente de tudo o resto”. Ao longo dos anos houve um catrapiscar de olhos mútuo: “O Alex [Kapranos, líder dos Franz Ferdinand] respondeu um dia a um inquérito sobre esse disco e disse maravilhas. E mais tarde eles elogiaram-nos, o que nos pareceu impossível – pensávamos que estavam a gozar até ao dia em que acabámos por encontrá-los em LA, o que nos pareceu ainda mais louco”.

924965A malta dos Sparks deve ter o seu quê de obsessiva, porque depois do primeiro disco dos Franz Ferdinand, sempre que estes tocavam em LA “eles apareciam nos bastidores”. Não apareciam só: “Traziam sempre uma canção para nós. Simplesmente ofereciam: ‘Tomem, usem-na se quiserem’. Mas nós estávamos concentrados nos nossos discos”. Apesar do apreço mútuo e das ofertas, Paul confessa que “nunca ninguém nos Franz Ferdinand alguma vez pensou que as bandas viriam mesmo a fazer música juntos”.

Da forma como Paul coloca as coisas soa àqueles tipos que se encontram na rua e um despede-se dizendo “Eu depois ligo-te”. Sabemos logo ali que esse tipo não só não nos vai ligar como não nos grama. Entre os Sparks e os Franz Ferdinand ficou um vago acordo: “Um dia temos de fazer qualquer coisa juntos”, “Um dia temos de gravar uma canção vossa”, “Um dia devolvemos o favor e escrevemos uma para vós”, esse tipo de coisa. Um dia.

E nisto os anos foram passando – onze anos, para sermos exactos. O que em tempo pop faz dos Sparks dinossauros e dos FF uma espécie em extinção. Onze anos desde terem falado em escrever uma canção para a outra banda. “E quando finalmente começámos a fazê-lo percebemos que na prática era uma colaboração”.

Há cerca de um ano os Franz Ferdinand finalmente começaram “a mandar instrumentais que tínhamos escrito aos Sparks”. Dias depois “eles mandavam melodias de vozes, já com letras acabadas”. Isto pode parecer que uma banda escrevia uma canção, a outra cantava e depois o inverso e assim sucessivamente. Não foi bem assim.

“Dou-te o exemplo de The man witout a tan [uma das canções do disco]: essa canção surgiu entre nós [Franz Ferdinand], no estúdio e mandámos e eles devolveram. Ora, o que eles devolveram era muito diferente do original. É como um cadáver esquisito”. E nisto, Paul, gajo impecável, faz um desenho numa folha para explicar o que é um cadáver esquisito. “Na Collaborations don’t work [magnífica canção, claramente a gozar com o próprio disco], cuja base foi escrita por eles – mandaram-nos a canção com um espaço em branco e ordem para fazermos o que quiséssemos. Claro que o que fizemos era a gozar com a situação”.

Finda a troca de emails, que na prática significou “um ano a fazer demos”, as duas bandas passaram “15 dias todos juntos no estúdio”. Tinham “21 canções para serem escolhidas”, com uma dificuldade acrescida: “Entre nós há quatro ou cinco compositores”. Chegar a uma decisão final acerca de quais as 12 canções que entrariam no disco não se adivinhava fácil e podia ter criado problemas de egos. Solução: “Mostrámos as canções aos amigos e confiámos na escolha deles. E ninguém se zangou”.

Os amigos não têm sempre razão, mas desta vez tinham: Johny delusional, o tema de abertura do disco, é pop de sintetizadores com guitarrinhas funky, coisa que fica de imediato no ouvido – e o mesmo se pode dizer de Call Girl, cujo balanço é abençoado. “Tínhamos de o ouvir como um álbum, não como um conjunto de singles”, diz Paul, e se a tarefa foi levada a bom cabo também não se deve diminuir o poder dos singles: todas as canções, mesmo com os seus desvios a meio, os seus twists, conseguem ser imaginativas e acessíveis em simultâneo.

Do início ao fim do disco será assim: uma melodia, ou de guitarra ou de teclas, chega-se à frente, depois a canção vai dar uma volta e já não é dos Sparks nem dos Franz Ferdinand – é dos FFS. Mesmo que, por exemplo, percebamos que Dictator’s son terá sido ideia dos Sparks, sente-se o dedo dos FF na canção. Melhor ainda: se não soubéssemos da existência das duas bandas estes FFS teriam feito um disco coerente cheio de – como se costuma dizer – grandes malhas. Com um quê daquela grandiloquência ensandecida da década de 1970.

Agora os FFS vão levar o disco para a estrada. Ainda não fazem “a mínima ideia de como vai ser ao vivo. Ainda não definimos o que vai ser”. Os FF vão “tocar canções dos Sparks o mais possível” e o inverso também deve acontecer: “Eles também querem tocar nossas. O que vai soar muito diferente dos originais”. E, claro, os cinco vão tocar FFS.

A digressão dura este verão “mas se as pessoas”, isto é, os melómanos, “quiserem mais pode durar mais”. De certa forma os Sparks e os Franz Ferdinand são “como a namorada de verão” só que tiveram um filho e vão “continuar a conversar”. De modo que, segundo Paul, estão “preparados para tudo o que possa acontecer”. Para já pariram um bicho estranho mas bastante belo. Que mais se pode querer de um amor de verão?

FONTE: Público

NME РEntrevista FFS : Franz Ferdinand e Sparks em como um dente quebrado e o pop dos anos 90 deu forma a inesperada colabora̤̣o

26 de maio de 2015 às 5:02 por Simone


Os Mael fazendo amigos – os provocantes art rockers Sparks e Franz Ferdinand se conheceram uma década atrás, unindo-se por um amor ao pop desajustado. Uma promessa de colaboração se tornou, desde então, um álbum completo sob o nome FFS, que como Chris Cottingham constata, revitalizou as duas bandas.

 

 

 

FFS NME MAY 2015

Nunca teria acontecido se Alex Kapranos não tivesse quebrado um dente. Em 2013, o vocalista do Franz Ferdinand estava no Uruguai em turnê com sua banda quando deu azar, e ele não quis arriscar experimentar o sistema de saúde do país. A próxima parada era São Francisco, onde o empresário da banda conhecia o dentista de Huey Lewis. Sim, Huey Lewis, da engraçada banda de pop rock dos anos 80 Huey Lewis And The News. Aparentemente, o dentista de Lewis era o melhor. “E lá estava eu andando por São Francisco procurando pelo dentista de Huey Lewis,” explica Alex. “E eu ouço uma voz atrás de mim, dizendo ‘Alex? É você?’, eu me viro e vejo Ron e Russell.”

Eram Ron e Russell Mael, mais conhecidos como Sparks, os irmãos de Los Angeles que estabeleceram as referências para o art rock com o álbum de 1974 ‘Kimono My House’ (estrelando ‘This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us’). Eles fizeram um ótimo trabalho também nos 19 álbuns subsequentes lançados durante 44 anos consecutivos de carreira. O Sparks ia tocar naquela noite, e convidaram Kapranos e o Franz Ferdinand. Ao final da noite, eles já tinham concordado que deveriam trabalhar em algo juntos – uma ou duas músicas, quem sabe.

Dois anos mais tarde, eles gravaram um álbum inteiro juntos como FFS. É menos uma colaboração e mais uma banda inteiramente nova com seis membros, composta pelos quatro membros do Franz Ferdinand e os dois irmãos Mael. O resultado é similar as duas bandas, mas com uma identidade distinta e própria. As guitarras agitadas e o groove tirado do dance de ‘Police Encounters’ são bem Franz, mas o refrão “bam bam diddy diddy” e o turbilhão de teclados é puro Sparks. Juntos eles fazem o que nenhuma das partes poderia fazer sozinha. Do mesmo modo, os acordes afiados e os vocais fortemente entrelaçados da faixa final ‘Piss Off’ mostram as diferentes visões que as duas bandas têm do art rock combinadas em quatro minutos de pop desajustado instantaneamente adorável. Enquanto isso, ‘Collaborations Don’t Work’ (típico título brincalhão do Sparks) é uma opereta pop que abre com guitarra dedilhada que vai sumindo para dar espaço para um grande movimento de orquestra/coral pop sobre o qual Russell e Alex trocam humilhações afiadas. “I don’t need your navel gazing / I don’t get your of phrasing / I don’t think you’re really trying / What pray tell are you implying” (Eu não preciso do seu egocentrismo /eu não entendo o seu estilo /eu acho que você não está tentando o suficiente /o que você está sugerindo?!). Não, esta não é uma colaboração qualquer.

Agora mesmo, Russell, Ron e Alex estão sentados bebendo chá no bar do Montecalm Hotel, em Londres. “Peço perdão pelo nível de falta de estilo”, diz Ron, impassível, um homem tão pouco preocupado com a opinião dos outros sobre ele que passou boa parte dos últimos 40 anos com um bigode estilo Hitler, embora hoje em dia ele exiba uma variação menos controversa no estilo lápis. Russell é um brincalhão. “Conte-nos sobre as señoritas no Uruguai”, ele provoca Alex, acrescentando com um sussurro encenado: “Foi assim que ele quebrou aquele dente.”. “Eu queria poder dizer que foi o resultado de algo tão rock’n’roll quanto uma señorita,” corrige Alex

As duas bandas se conhecem há mais de uma década. Quando os Maels ouviram o segundo single do Franz Ferdinand, ‘Take Me Out’ (2004), eles se comunicaram. O resultado foi um encontro art rock  às escuras em uma cafeteria em West Hollywood. “Nós estávamos super empolgados,” lembra Alex. “O Sparks teve um grande impacto em nós. No nosso primeiro ensaio de todos, nós experimentamos alguns covers e um deles foi ‘Achoo’ (do álbum do Sparks de 1974, ‘Propaganda’). Ficou horrível. As pessoas dizem que você nunca deve conhecer seus heróis, mas é bobagem.”

Eles falaram sobre gravarem um álbum juntos naquela primeira reunião e o Sparks escreveu ‘Piss Off’, mas o Franz Ferdinand estava prestes a lançar seu álbum de estreia, as coisas ficaram uma loucura e o projeto não deu em nada.

O encontro casual em São Francisco nove anos depois aconteceu exatamente quando o Franz Ferdinand estava prestes a lançar seu quarto álbum ‘Right Thoughts, Right Words, Right Action’, mas Alex estava determinado a não deixar a oportunidade escapar desta vez. “Eu me lembro de sentar com os outros e dizer, ‘Não importa o quão ocupados estivermos, nós temos de fazer acontecer’”, ele conta.

O Sparks iniciou o processo de maneira provocativa, enviando para o Franz Ferdinand a música ‘Collaborations Don’t Work’, “Foi meio que uma piada para ver se estávamos na mesma página”, diz Alex, olhando para Ron e Russell como que para ter certeza. “Quando Nick e eu ouvimos a música pela primeira vez, nós a achamos muito engraçada,” ele continua. Eles responderam à provocação com outra, em forma do trecho “We ain’t no collaborators, I am a partisan” (Eu não sou um colaborador, eu sou um partidário), equiparando a colaboração musical com a colaboração Nazista na Segunda Guerra. “Enquanto enviávamos, dissemos ‘Ou eles vão achar muito engraçado, ou eles nunca mais vão falar com a gente.” “Eu acho que esta música ressalta o fato de que ambas as bandas estavam cientes de que colaborações podem ser péssimas. Nós começamos isto não querendo fazer algo suave ou meia-boca”

A partir deste momento,FFSNME eles trabalharam em segredo por 18 meses, enviando faixas uns para os outros. “Nós mantivemos tudo por debaixo dos panos para que não houvesse expectativa,” diz Russell. Alex adiciona: “Colaborações geralmente são porcarias esquecíveis. Elas sempre só parecem muita promoção. Ao invés de construir esta na divulgação, nós queríamos ter conteúdo antes de contar ao mundo. Nós não queríamos trabalhar em cima das expectativas dos outros.” Eles também queriam evitar o termo “super grupo”, já que são duas bandas se juntando, não membros escolhidos cuidadosamente. “Nós não sentimos nenhuma afinidade com este termo”, bufa Alex.

Não era a intenção original, mas no final eles acabaram escrevendo material o suficiente para um álbum inteiro. Foi gravado no estúdio RAK, em Londres, em três semanas. A coisa toda foi, como eles dizem, incrivelmente fácil, como se eles já estivessem tocando juntos há anos. O único problema foi o forte sotaque de Glasgow de Paul Thomson, baterista do Franz, que Alex teve de traduzir para os Maels. E foi Thomson que sugeriu o nome. “Nós sabíamos que era engraçado, pois todos riram,” diz Russell. “Assim que Alex nos traduziu o que Paul havia dito, nós concordamos que servia perfeitamente.”

Houve muitas conversas durante o processo de gravação, sobre a situação da música pop, que todos concordam que é terrível. Ron, que não é nenhum tagarela, fica animado com o assunto. “É muito decepcionante,” ele suspira. “Eu acho que parte disto é porque estamos nessa há muito tempo, mas parece que o pop agora é medíocre. Há tantas possibilidades dentro do pop, forçando as coisas, mas ainda com relação às pessoas. Me deixa muito bravo o fato de as pessoas estarem fazendo isso pelas razões erradas. É insultante com relação ao que a música pop pode ser.”

Alex concorda: “Nós compartilhamos o amor ao pop, mas nós nunca tentamos fazê-lo da mesma maneira previsível que as pessoas ao nosso redor o fazem. Você corre o risco de passar batido, mas quando há conexão, meu deus, é fantástico. Isto resume o espírito deste álbum.”

FFS é uma reunião de almas aparentadas, com certeza, mas você também tem a sensação de que as duas bandas sabem que, neste momento, elas são mais interessantes juntos do que separadas. Se passaram cinco anos desde que o Sparks lançou o último álbum, enquanto o último lançamento do Franz, embora suficientemente bom, não conseguiu deixar uma grande impressão. É por isso que o Sparks e o Franz Ferdinand como entidades separadas estão na geladeira por enquanto. O FFS tem um verão cheio de shows pela frente, incluindo Glastonbury. Depois disto? “Não fazemos ideia,” diz Alex. “Quando nós começamos, não tínhamos a menor ideia do que ia acontecer. Esta é uma boa sensação para se ter sobre uma banda. Não saber qual será o futuro e não o ter mapeado para você. Vamos ver o que vai acontecer.”

Todos eles acenam em concordância. “Deixe o público falar!”, diz Russell. E Ron dispara: “E então nós os ignoramos”.

FLYING SPARKS – Um guia de Alex Kapranos sobre os melhores álbuns dos irmãos Mael

  • Lil’ Beethoven 2002 – “Eu adoro a faixa ‘The Rhythm Thief’. Ela mostra a progressão da banda se afastando daquilo ao que as pessoas os associava, que era música de pista de dança. Eles abandonam isto aqui e se concentram mais nas melodias.”
  • Gratuitous Sax & Senseless Violins 1994 – “Este tem a música que eu mais gosto do Sparks, que é “When Do I Get To Sing ‘My Way’”. É uma música bem dramática. Faz você querer dançar, tem uma melodia bem direta, mas também tem profundidade e complexidade.”
  • Angst In My Pants 1982 – “Eu amo ‘Sherlock Holmes’. É uma música enganosamente simples. Você não sabe de que nível ela vem, ou se é alguém cantando sobre Sherlock Holmes ou se é sobre o relacionamento entre duas pessoas.”
  • No.1 In Heaven 1979 – “O Sparks foi o precursor da dance music eletrônica. Eles trabalharam com Giorgio Moroder no final dos anos 70 e fizeram o tipo de música que era estranha para seus fãs. Eu fiquei surpreso quando eles me contaram que foi criticado severamente na época.”
  • Kimono My House 1974 – “O óbvio. Há poucas bandas afortunadas que têm uma música como ‘This Town Ain’t Big Enough For Both Of Us’, o tipo de música que muda o cenário. Eu sei que muita gente viu esta música no Top of the Pops e seus queixos caíram no chão.”

 

TRADUÇÃO: Cristina Renó, obrigada ;)

FONTE: NME Maio 2015 РFotos de Ed Miles | Edi̤̣o das imagens: Franz Ferdinand M̩xico e FFFBR

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Johnny Delusional, o primeiro single do F.F.S.!

12 de abril de 2015 às 17:28 por Simone


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Na próxima segunda-feira, 13 de abril, a rádio BBC 6 irá transmitir o primeiro single da colaboração entre Franz Ferdinand e Sparks, chamada de F.F.S!

Fiquem ligados que a partir das 13hs (Reino Unido) / 09hs (Brasília), poderemos ouvir pela primeira vez o single Johnny Delusional.
Link para ouvir: http://www.bbc.co.uk/programmes/b05pwdfv

A Amazon já disponibilizou um pequeno trecho pra matar nossa ansiedade OUÇA AQUI !

Todas as informações sobre o lançamento do álbum, que acontece em 08 de junho, você encontra AQUI

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FFS lança primeira música e coloca álbum em pré-venda

1 de abril de 2015 às 7:23 por altair


Franz Ferdinand Sparks, ou apenas FFS, acaba de lançar hoje “Piss Off”, primeira música que as duas bandas fizeram juntos.

O FFS também divulgou o tracklist e os diferentes formatos disponíveis na pré-venda.

Confira aqui o release completo sobre o novo projeto do Franz Ferdinand

 

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Publicado por | Categoria(s): Banda | Tags: ,

À noite me vêm boas ideias

14 de fevereiro de 2015 às 14:44 por Simone


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Nick McCarthy, guitarrista do Franz Ferdinand sobre a sua música para a série “München 7”.

 

Mesmo agora morando em Londres e viajando em turnê, Nick McCarthy, o guitarrista da grande banda de rock Franz Ferdinand, está sempre ligado as raízes bávaras. Além da música indie, McCarthy descobriu recentemente a música cinematográfica: ele escreveu as músicas para a nova temporada da série policial “München 7”. Em entrevista com Daniel Drescher, o guitarrista de 40 anos fala sobre como foi crescer no interior da Baviera, sobre a áspera mudança para Glasgow e sobre o trabalho conjunto produzido com a experiente banda de rock estadunidense Sparks.

Senhor McCarthy, você escreveu as músicas para a série “München 7”. Como isso aconteceu?

O contato aconteceu através de uma amiga do meu irmão. Ele sempre esteve presente na cena punk de Rosenheim, sempre me levava para os shows com ele e lá tinha essa garota que prestava atenção em mim. Ela era montadora do Bogner (Franz Xavier Bogner, diretor de München 7) e tinha me dito que o Bogner estava procurando alguém novo. Eu fui lá e me apresentei para ele, já que eu era um grande fã de seu trabalho. Eu cresci vendo os filmes dele, que eram a única coisa que dava pra assistir na televisão – esses e também os do Dietl (Helmut, diretor bávaro). Nos últimos dois anos eu estive viajando muito com o Franz Ferdinand, por isso, eu sempre ia ao estúdio à noite, de 8 da noite às 4 da manhã. Era muito bizarro gravar música para uma série bávara em Londres. Eu espero que esse compromisso prossiga.

Você é uma pessoa noturna, ou isso foi bastante incomum?

Ah não… eu já estava bem habituado com o cansaço. Eu tenho dois filhos, de 1 e 3 anos e acordo às 7 da manhã. Depois de algumas semanas você já está pronto para isso. Mas eu amo trabalhar a noite. Não há nenhuma distração, nenhuma ligação, há uma boa atmosfera. À noite me vêm boas ideias.

Você frequentemente ainda vai para sua antiga pátria. Os seus colegas de banda vão frequentemente para lá?

Eu estive agora perto de Rosenheim, e estava acontecendo tanta coisa por lá, por isso eu mesmo me permiti tirar umas férias na Baviera. Com o Franz Ferdinand, eles tocam frequentemente em Munique e todos eles já estiveram em Rosenheim para o meu casamento, por exemplo. Eles gostam da cerveja: da última vez que a gente esteve em Munique, eu comprei 20 caixas de Augustiner e depois disso a gente ficou feliz durante 3 semanas na turnê.

A TV alemã não está muito renovadora recentemente. Breaking Bad, Downtown Abbey – todas as séries de alta qualidade vem dos Estados Unidos ou da Grã-Bretanha. Quando você está em Londes, sente constantemente saudades de casa e compra DVD’s alemães?

De tempos em tempos, mas tem sido assim: quando se liga a televisão aqui, não há nenhum divertimento. “Tatort” é bom, mas eu assisto muitas séries americanas porque elas são inacreditáveis. Game of Thrones e Breaking Bad foram as maiores séries dos últimos dois anos. Mas eu não assisto televisão tão frequentemente. O Bogner é um clássico, e é uma honra pra mim trabalhar pra ele.

Você nasceu na Inglaterra mas cresceu na Baviera. Como é ter crescido no interior da Baviera e como você entrou em contato com a música?

Eu frequentei a escola aqui e fui musicalmente influenciado pelo meu irmão. Eu cresci em Bruckmühl. Essa cidade fica bem no interior da Baviera, lá haviam tantos burgueses, isso me irritava muito quando eu era adolescente. Eu tinha um grupo de amigos, os quais ainda adoro hoje em dia, que também tinham problemas com os burgueses. Nós fizemos muitas coisas, estávamos entediados e odiávamos os burgueses. Também tivemos muitas experiências com drogas. Eu sempre pensei que eu era um cara mau. Então eu me mudei pra Glasgow e percebi que eu era um verdadeiro filhinho da mamãe. Lá eu fiquei feliz em ver a polícia pela primeira vez. Eu morei durante 10 anos por lá e em seguida me mudei pra Londres. Pra mim, Glasgow é sempre muito fria e úmida, mas tem uma excelente cena musical e há muito espaço artístico por lá.

É comum ouvir músicos que cresceram na província falarem que a falta de distração da própria música é algo bom. Você concorda com isso?

Nós fazíamos muita música, mas não fazíamos ideia do que se passava pelo resto do mundo. Quando eu me mudei para Glasgow, eu não conhecia nem metade das bandas que todo mundo achava legal. Led Zeppelin, Pink Floyd, Beatles – essas eram conhecidas no país. Mas para mim isso funcionou. Meus amigos e eu éramos tão contra as músicas que tocavam no rádio que paramos até de escutar música clássica. Pensávamos que isso era uma atitude punk. Então tocávamos música clássica no piano, mas também sempre incluíamos música do The Damned. Na verdade, eu ainda faço isso, só acrescentei Elvis na lista. Eu tinha uma banda de Jazz na escola e aprendi a ler notas musicais, frequentei um Conservatório e aprendi a tocar contrabaixo. Esse instrumento sempre esteve presente em bandas alemãs, como o Can e o Kraftwerk, essas sempre foram duas bandas clássicas e bem instruídas. Isso também nos acrescentou algo.

Diz a lenda que você e Alex Kapranos se conheceram porque você roubou uma garrafa de vodka dele em uma festa.

Sim, isso é verdade. Eu estava acostumado com as festas caseiras em Aibling. E já que você não leva nada, você pega o que está lá. Em Glasgow, a bebida alcoolica é cara, cada um leva a sua garrafa, cada um carrega sua garrafa e escreve seu nome nela. Então lá estava a garrafa, eu coloquei metade do conteúdo no meu copo e senti uma mão no meu ombro: “Excuse me”, disse Alex. Nós quase nos esmurramos, então alguém entrou no meio e apartou a briga. Depois começamos a conversar sobre música: “você está procurando uma banda”. Então nós ficamos juntos.

O Franz Ferdinand sempre teve músicas com partes em alemão, seja em “Darts of Pleasure” ou em “Erdbeer Mund”. Isso deve ser mérito seu.

Sim, claro, sempre. No entanto, o nome da banda não foi ideia minha. Isso era no tempo em que a arte alemã estava bastante em alta. Todos estavam abertos para o Neo Rauch e essas coisas parecidas. Era muito elegante em Glasgow saber falar alemão. Todo mundo na Grã-Bretanha estava interessado em Krautrock (estilo de rock presente na cena musical alemã nos anos 70).

O que há nos planos atuais do Franz Ferdinand? Vocês estão trabalhando em músicas novas?

Nós gravamos um álbum com o Sparks. Eles são uma antiga banda de glam-rock estadunidense que nunca foi muito conhecida na Alemanha. Na Inglaterra eles são gigantes, eu realmente ouvi muito sobre eles. Em Los Angeles eles foram a um show nosso, eles são uns caras bem típicos dos anos 70. O album vai ser lançado esse ano e depois vamos fazer uma turnê juntos. Nós nos denominamos FFS, Franz Ferdinand e Sparks. Em breve queremos lançar um single.

O Franz Ferdinand tem um som relativamente bem definido. O que poderia ser novo na música de vocês futuramente?

Eu ṇo sei. Com os nossos discos a gente nunca sabe o que vai sair antes de ele ser lan̤ado. Por quanto tempo eu ainda vou fazer isso, eu tamb̩m ṇo sei, eu acabei de fazer 40 anos. Se algu̩m pode investir tanta for̤a assim pra sempre Рeu ṇo fa̤o ideia.

Nick McCarthy nasceu em 13 de dezembro de 1974 em Blackpool, mas cresceu em Vagen uma pequena cidade da Baviera no distrito de Rosenheim. Ele frequentou a escola em Bad Aibling. Depois do Ensino Secundário, ele estudolu contrabaixo no Conservatório Richard-Strauss em Munique. McCarthy é casado e tem dois filhos. Com sucessos como “Take me out” e “Do you want to”, sua banda teve sucesso internacional. O album “Right Thoughts, right words, right action” foi lançado no último verão. A série “München 7”, a qual o Nick escreveu as músicas, é transmitida às quartas-feiras, 18:50 hrs no canal ARD. A atual temporada termina no dia 18 de fevereiro com o episódio “Von heut auf morgen”.

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Nesse vídeo o Nick fala sobre o processo de composição das músicas para o seriado München 7 junto com seu amigo Sebastian Kellig. Apesar do vídeo ser em alemão, a nossa amiga Karen Lima fez um breve resumo do que é falado no vídeo:

“No começo ele fala como eles se conheceram, e como eles se dão bem e que tem uma química musical enorme. Eles começaram tocando música só por prazer, mas depois virou algo sério. Desde meados de 2014 eles estão em Munique fazendo a trilha sonora desse programa de televisão de lá, eles tocam todos os instrumentos, um por vez. Nick fala que sempre há novos motivos, novos temas e precisa sempre escrever novas músicas. Pra cada “capítulo” eles tem em média 2 semanas para fazer as composições. Diz que cresceu assistindo essa série. Que a música não é só compor notas, é sobre sensações, principalmente quando se cresceu com a música. Diz que nasceu na Inglaterra, mas cresceu na Alemanha, então sempre volta pra lá. O som do musical naturalmente é antigo, tem muitos instrumentos antigos, mas ele espera conseguir modernizar isso, é como se fosse um desafio”.

Munich 7 é uma série policial de Franz Xaver Bogner. A série de televisão passa em Munique e é sobre a vida cotidiana da guarda da delegacia de polícia fictícia Munich 7. Para a 5ª e 6ª temporadas em 2014, a música foi composta por Nick McCarthy e Sebastian Kellig no Sausage Studio.

 

TRADUÇÂO: Karen Lima, nossa fã quase alemã. MUITO OBRIGADA! :)

FONTE: schwaebische.de / The Fallen Chile

  

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